Sob a moldura imponente do Pão de Açúcar e um clima ameno típico do inverno carioca, o primeiro final de semana do Enel Festival de Inverno Rio aqueceu a Marina da Glória no último fim de semana, com uma maratona de shows que celebraram a diversidade da música brasileira. Em três noites, o evento reafirmou sua relevância nacional ao reunir grandes nomes do pop, pagode, forró e rock — para um público que variou de jovens fãs a famílias inteiras.
Pop e pagode na abertura

A estreia do festival foi marcada por um clima vibrante e pela forte presença do público LGBTQIA+, que lotou o espaço para ver suas divas. Duda Beat abriu a noite com a sonoridade eletrônica e a estética sofisticada do álbum Tara e Tal, mas sem abandonar a sofrência que a consagrou.
Em seguida, Gloria Groove tomou o palco com o carisma de quem domina o jogo. Com seu Serenata da GG, Vol. 2, transformou o festival em um grande pagode romântico, jogando rosas ao público e mesclando, ao final, rave, pagodão baiano e funk em uma explosão de ritmos.
Marina Sena encerrou a noite com a intensidade latina de Coisas Naturais, comandando a plateia como uma maestrina em um show elegante e pulsante.
Forró, poesia e emoção nordestina
A segunda noite do festival trouxe a força dos ritmos nordestinos, atravessando gerações. Zé Ramalho abriu com clássicos como Admirável Gado Novo e Avôhai, em um set que uniu o folk ao forró.
Alceu Valença mostrou que a energia não tem idade: aos 79 anos, dançou, pulou e emocionou a plateia, que cantou junto sucessos como Morena Tropicana e La Belle de Jour. O momento mais afetuoso veio com a participação do filho, Juba, ao seu lado.
João Gomes, o mais jovem da noite, foi o mais aguardado. Com apenas 23 anos, trouxe a sofrência moderna e uma sequência de hits que tomaram o país nos últimos anos, arrancando coros apaixonados do público.

Rock para encerrar com atitude

No domingo, Dia Mundial do Rock, o festival vestiu couro e tênis para receber um público mais familiar. O Biquini Cavadão abriu os trabalhos ao pôr do sol com clássicos como Vento Ventania e Quando Eu Te Encontrar.
Os Paralamas do Sucesso vieram em seguida, em uma apresentação potente que misturou protesto, nostalgia e lirismo com músicas como Selvagem e Cuide Bem do Seu Amor. Herbert Vianna, emocionado, agradeceu: “Como é bom tocar em casa”.
O CPM 22 manteve a intensidade no palco, em contagem regressiva para os 30 anos da banda em 2026, enquanto o Charlie Brown Jr. encerrou a noite com um tributo emocionante ao legado de Chorão e Champignon. Zóio de Lua, Proibida pra Mim e Lugar ao Sol transformaram a Marina em um grande coro coletivo.
Um festival plural
Com uma produção caprichada, o Festival de Inverno Rio provou por que é um dos eventos mais aguardados do calendário carioca, capaz de unir estilos, públicos e gerações em torno da música brasileira. Três noites, quatro ritmos e um só recado: o inverno no Rio pode ser frio, mas a música aquece como ninguém.







