O Rock in Rio 2026 terá uma apresentação inédita em sua história. Pela primeira vez, um DJ com síndrome de Down estará entre os artistas dos palcos do festival. Aos 23 anos, DJ JP se apresenta no Palco Artist Village, em 11 de setembro, em um momento que amplia a presença de pessoas com deficiência nos grandes eventos de música do país.
Primeiro DJ profissional com síndrome de Down no Brasil, João Pedro Rocha chega à Cidade do Rock depois de apenas dois anos de carreira profissional. Nesse período, já passou por grandes festivais, comandou apresentações para milhares de pessoas e dividiu momentos com nomes conhecidos da música nacional.
Seu repertório parte da música brasileira e combina samba, MPB, pop e funk. A relação com os ritmos começou ainda na infância, em uma família ligada à música. Desde pequeno, JP acompanhava festas, shows, rodas de samba e blocos de rua, experiência que ajudou a formar o repertório e a percepção musical que hoje fazem parte de seus sets.
Da formação aos grandes eventos
O caminho profissional começou a ganhar forma em 2024, quando JP conheceu o DJ e produtor Rafael Nazareh, responsável pela formação de DJs na AIMEC, onde o artista estudou. A partir das aulas, JP passou a desenvolver técnicas e repertório para atuar diante de grandes públicos, contando também com o incentivo da família.
“João vem de uma família muito musical, isso criou um interesse em trabalhar nessa área. Ele faz aulas há algum tempo e tem sido uma trajetória impressionante, ao mesmo tempo divertida e lúdica. Nós encontramos a melhor forma para ele aprender e seguir na profissão. Hoje ele está apto para conduzir a pista para muitas pessoas, com todas as ferramentas e possibilidades”, afirma Rafael Nazareh.

A estreia profissional aconteceu em 2025, no CasaBloco, realizado no Jockey Club, no Rio de Janeiro. Já em janeiro deste ano, JP voltou ao festival e também viajou para Recife, onde participou da programação que contou com apresentações de Elba Ramalho e do Galo da Madrugada. Em duas performances na Praça do Arsenal, o público ultrapassou 20 mil pessoas.
A agenda continuou crescendo nos meses seguintes. O DJ participou dos dois dias do Festival Harmonia, no Parque das Figueiras, na Lagoa, e entre abril e julho integrou a turnê “Oitentação”, de Geraldo Azevedo.
A participação na turnê veio a convite do próprio artista, que completou 80 anos. JP foi responsável pela abertura dos oito shows realizados em diferentes capitais brasileiras, diante de públicos superiores a 5 mil pessoas. Entre os locais que receberam as apresentações estão o Teatro Unimed, em São Paulo, e a Concha Acústica do TCA, em Salvador.
No Rio, o DJ também participou da abertura da Árvore de Natal da Lagoa, ao lado da Orquestra Sinfônica Petrobras. A apresentação foi exibida em telões instalados no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas e no Parque da Catacumba.
Durante o verão, JP ainda integrou o projeto Música no Deck, nas areias de São Conrado, promovido pelas rádios Nova Paradiso e MIX. Na ocasião, abriu apresentações de Rodrigo Lorio e Oriente, além de Gabi Melin e Lagum.
Um repertório próprio
Aos poucos, JP também vem consolidando uma identidade artística. Seus sets são preparados de acordo com o perfil de cada apresentação e combinam diferentes gêneros brasileiros e contemporâneos.
“Sempre gostei muito de música e me inspirei em nomes como Lala K, Cris Pantoja, Doni, Pepe Jordão, Tropicals, MAM, com quem convivi desde cedo. Gosto de ver o público animado, de ver que as pessoas estão curtindo o meu som”, conta JP.
A próxima apresentação será também a maior vitrine de sua carreira até agora. No dia 11 de setembro, o artista ocupará um dos espaços do Rock in Rio diante de um público formado por milhares de pessoas.
“Eu nunca poderia imaginar que um dia eu chegaria ao Rock In Rio, convidado para um trabalho como este, que vai mostrar meu trabalho para tanta gente! E também de como ser uma pessoa com síndrome de Down não me impede de fazer o que eu quiser”, diz JP.
A apresentação no Artist Village marca um novo capítulo na trajetória do DJ, que chega ao festival depois de construir uma carreira profissional em diferentes palcos do país. No Rock in Rio, a expectativa é repetir aquilo que já se tornou característica de seus shows: música, mistura de ritmos e uma pista pronta para dançar.







