A escritora, professora e acadêmica Conceição Evaristo marcou presença na Bienal do Livro Rio 2025 nesta quinta-feira (19), em um encontro com o público no estande da Secretaria Municipal de Educação. A autora falou sobre seu mais recente trabalho, Macabéa, Flor de Mulungu, no qual ressignifica a emblemática personagem de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.

Na nova obra, Evaristo constrói uma continuidade literária a partir do desfecho do romance de Clarice, oferecendo à protagonista, antes marcada pelo apagamento e pela marginalidade, uma nova narrativa, agora de voz ativa e subjetividade resgatada. “Me incomoda muito a outra imagem que se tem da Macabéa como uma pessoa nula, quase que infértil, a começar pela pela pouca possibilidade de fala dela […]”, afirmou a autora durante o bate-papo com leitores.
Ao dar nova vida a Macabéa, Evaristo busca subverter a condição de silenciamento que historicamente atinge mulheres como ela. “É um texto que está aí e convoca pessoas que têm uma certa identificação com essa história com o silêncio de Macabéa”, explicou. A personagem, segundo a autora, representa tantas outras mulheres cujas existências foram ignoradas ou apagadas.
Durante o evento, a escritora também comentou sobre a escolha do Rio de Janeiro como Capital Mundial do Livro pela Unesco em 2025. Para ela, o título deve vir acompanhado de compromisso com políticas públicas de incentivo à leitura e acesso ao livro. “Ser Capital Mundial do Livro não é só um título, acho que tem que ser visto como uma como uma responsabilidade. Em uma feira do livro um dos objetivos é a formação de leitores e pra isso é preciso propiciar que cada vez mais pessoas se apropriem do livro”, defendeu.
Reconhecida por sua escrita potente e seu compromisso com as narrativas negras e femininas, Conceição Evaristo reforçou na Bienal não apenas o poder transformador da literatura, mas também a urgência de fazer com que ela alcance todos os cantos da sociedade. Macabéa, Flor de Mulungu é, nesse contexto, mais do que um livro: é um ato de resgate, escuta e justiça poética.







