A Cidade do Samba, no Rio de Janeiro, foi palco de uma noite intensa e cheia de expectativas para o Carnaval 2026. As 12 escolas do Grupo Especial apresentaram, em formato de prévia, os enredos que levarão para a Marquês de Sapucaí. Entre aplausos, momentos emocionantes e observações críticas, o evento mostrou que a disputa promete ser acirrada no próximo desfile.
Logo na abertura, não passaram despercebidos os problemas técnicos de iluminação — já recorrentes na Sapucaí — que dificultaram a visibilidade de parte das apresentações. Houve também críticas à excessiva utilização de telões, que, em alguns casos, não dialogaram bem com o que acontecia no palco, causando confusão visual.
Destaques e momentos marcantes
A Niterói chegou com impacto, apresentando um enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A narrativa, que percorre a trajetória do líder desde a infância, provocou reações fortes no público, com gritos de “Sem anistia”. A energia e a postura ousada colocaram a escola entre as mais comentadas da noite.
A Mocidade Independente de Padre Miguel encantou com a homenagem à cantora Rita Lee. Figurinos com perucas vermelhas e óculos icônicos embalaram um repertório repleto de sucessos da artista, em uma apresentação vibrante e popular.
O Império Serrano mergulhou na religiosidade afro-cubana com o enredo sobre o Ifá, conduzido pelo carismático intérprete Pichulé, que levou o público ao ritmo dos tambores.
A Unidos da Tijuca optou por um tom mais sério e literário, exaltando a vida e obra da escritora Carolina Maria de Jesus. Embora emocionante, parte do público sentiu falta de mais elementos carnavalescos.
A Vila Isabel prestou tributo ao sambista e pintor Heitor dos Prazeres, mesclando dança e artes visuais para recriar suas obras no palco. Já o Salgueiro apresentou um tributo nostálgico à carnavalesca Rosa Magalhães, revisitando momentos marcantes de sua carreira e encerrando com um efeito visual de bolas coloridas que encantou a plateia.
A Mangueira trouxe o enredo sobre o mestre curandeiro Sacaca, do Amapá, com destaque para a força de seu carro de som. A Portela emocionou ao anunciar a homenagem ao príncipe Custódio, figura histórica ligada à negritude no Rio Grande do Sul, surpreendendo com a entrada triunfal de sua tradicional águia no meio do público.
A Viradouro fez um tributo comovente ao mestre de bateria Cissa, reunindo pavilhões de várias escolas e mestres de bateria do Grupo Especial junto a crianças, simbolizando o futuro do carnaval.
As últimas apresentações
A Imperatriz Leopoldinense celebrou Ney Matogrosso em um show de energia e teatralidade, transformando canções icônicas em explosões de carnaval. A Grande Rio trouxe referências ao movimento cultural Manguebeat, de Recife, mesclando maracatu e estética alternativa, mas recebeu críticas pela pouca luz no palco.
Encerrando a noite, a Beija-Flor apresentou seu enredo sobre o Bembé do Mercado, maior candomblé a céu aberto do mundo. Apesar do impacto visual inicial e da força cultural, a escola foi apontada por encerrar a apresentação de forma abrupta, sem um grande final.
Favoritas e expectativas
Entre os destaques apontados por quem acompanhou de perto, Niterói, Mocidade, Salgueiro e Imperatriz surgem como fortes candidatas a brilhar na Sapucaí. A noite também foi marcada por um apelo por mais condições de trabalho para a imprensa especializada, reforçando que o carnaval, como manifestação democrática, deve garantir igualdade de acesso e cobertura.







