China e Estados Unidos chegaram a um acordo para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. O entendimento envolve US$ 30 bilhões em produtos de cada lado e contempla uma variedade de itens, incluindo produtos agrícolas, eletrodomésticos, brinquedos, cosméticos e equipamentos médicos.
As medidas foram discutidas no âmbito do Conselho de Comércio EUA-China. Segundo o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, cada país apresentou uma relação de US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis que poderão receber tratamento tarifário mais favorável.
Para Washington, a medida deverá ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês. Greer afirmou que o acordo representa a abertura de condições mais favoráveis para aproximadamente 30% das exportações dos Estados Unidos destinadas à China.
A implementação das reduções ainda depende da conclusão dos procedimentos legais internos de cada país. O Ministério do Comércio da China informou que, para cerca de 90% dos produtos abrangidos pelo acordo, as tarifas deverão ser reduzidas às taxas aplicadas sob o princípio de nação mais favorecida.
Produtos incluídos nas listas
Entre os produtos norte-americanos que poderão ter tarifas reduzidas pela China estão milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja, entretanto, não aparece na lista divulgada.
Também foram incluídos peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos produzidos nos Estados Unidos.
Do lado norte-americano, a relação contempla produtos chineses como cafeteiras, torradeiras, louças, cobertores e roupas de cama. Brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, iluminação e outros artigos de decoração natalina também estão entre os itens relacionados, assim como cadeirinhas infantis para automóveis.
As duas partes ainda deverão divulgar conjuntamente as listas definitivas dos produtos contemplados pelas reduções.
Trégua comercial é prorrogada
Além dos cortes tarifários, China e Estados Unidos concordaram em prolongar a atual trégua comercial. O período foi estendido até 10 de janeiro de 2027, permitindo que as equipes dos dois países continuem as negociações sobre questões econômicas e comerciais.
O Ministério do Comércio chinês informou que a extensão deverá proporcionar um ambiente mais previsível para empresas e para a continuidade das discussões. Os governos também pretendem manter conversas regulares sobre oportunidades e obstáculos relacionados a investimentos.
O acordo ocorre após a segunda reunião neste ano entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada em Washington na semana passada.
Agricultura ganha grupo de trabalho
As negociações também avançaram na área agrícola. China e Estados Unidos concordaram em criar um grupo de trabalho específico para tratar do comércio de produtos do setor.
O novo grupo será vinculado ao Conselho de Comércio EUA-China e terá como temas o acesso aos mercados dos dois países e questões regulatórias. A primeira reunião está prevista para ocorrer antes do fim de 2026.
Segundo informações divulgadas pelos Estados Unidos, o acordo também prevê que a China importe 10 milhões de toneladas métricas de carvão norte-americano por ano em 2027 e 2028. O volume corresponde a aproximadamente 2% das importações anuais de carvão chinesas.
Petróleo e gás natural liquefeito não estão entre os produtos incluídos nas listas de redução tarifária.
Investimentos e serviços financeiros
Os dois governos também estabeleceram mecanismos para ampliar o diálogo sobre investimentos. A China e os Estados Unidos concordaram em criar um Conselho de Investimentos dentro da estrutura de consultas econômicas e comerciais.
A proposta é manter um canal institucionalizado para discutir oportunidades e barreiras aos investimentos e promover conversas regulares entre as equipes econômicas.
Pequim também informou que analisará pedidos de instituições estrangeiras de serviços financeiros, inclusive empresas com capital norte-americano, interessadas em atuar e abrir filiais na China.
Inteligência artificial entra nas negociações
Outro tema incluído nas conversas foi a inteligência artificial. Os dois países concordaram em manter um diálogo específico sobre os riscos e benefícios da tecnologia.
As equipes econômicas de China e Estados Unidos também deverão estabelecer um canal de comunicação para tratar de incidentes relacionados à inteligência artificial. Uma nova rodada de discussões está prevista para ocorrer até o fim de novembro.
Voos diretos também entram na pauta
China e Estados Unidos ainda decidiram manter o diálogo sobre a ampliação dos voos diretos entre os dois países.
O tema foi incluído nas discussões econômicas e comerciais que vêm sendo realizadas pelas duas nações, que já completaram oito rodadas de consultas desde o ano passado.
Com a redução tarifária, a extensão da trégua comercial e a criação de novos grupos de trabalho, as duas economias passam a contar com mecanismos adicionais para tratar de comércio, agricultura, investimentos, serviços financeiros e tecnologia. As medidas, entretanto, ainda dependem de etapas internas para sua implementação.







