O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) está se preparando para ampliar em 70% o número de municípios monitorados contra desastres naturais, com a meta de alcançar 1.972 localidades até 2026. A iniciativa é uma resposta ao aumento de eventos climáticos extremos em todo o Brasil, intensificados pelas mudanças climáticas.
Atualmente, o Cemaden opera com 1.133 municípios monitorados por uma rede de pluviômetros automatizados, além de radares e satélites que fornecem dados quase em tempo real. A capacidade de prever e emitir alertas para deslizamentos de terra, inundações e outros eventos adversos é um dos pilares da atuação do centro, localizado em São José dos Campos (SP).
“Nosso alerta não é apenas sobre chuva forte, mas sobre o risco específico, seja deslizamento, alagamento ou enchente de rio. O objetivo é informar as defesas civis com a maior precisão possível, permitindo ações rápidas para proteger vidas”, explica Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações do Cemaden.
Como Funciona o Monitoramento
A partir de dados meteorológicos e mapas de risco, o Cemaden utiliza sensores para monitorar condições como intensidade da chuva, descargas elétricas e saturação do solo. Informações sobre precipitações, atualizadas a cada dez minutos, são essenciais para antecipar possíveis desastres.
“Quando identificamos chuvas intensas ou solos saturados, emitimos alertas em até 20 minutos para as defesas civis locais. Cada segundo é crucial para organizar evacuações e preparar abrigos”, afirma Seluchi.
O monitoramento do solo é reforçado por sensores geotécnicos instalados em áreas estratégicas. Esses equipamentos medem a umidade em profundidades de até três metros, auxiliando na previsão de deslizamentos. Atualmente, cerca de 100 locais utilizam essa tecnologia, mas o objetivo é expandir sua aplicação.
Ampliação do Alcance
Com eventos extremos se tornando mais frequentes e atingindo regiões anteriormente seguras, como partes do Rio Grande do Sul, a necessidade de aumentar o monitoramento é evidente. A enchente que atingiu o estado no início de 2024 reforçou a urgência de expandir a rede.
Segundo Seluchi, para incluir novos municípios, é necessário realizar levantamentos de áreas de risco, adquirir mais equipamentos e contratar pessoal qualificado. “Estamos ganhando reforços com um concurso público, mas ainda precisamos de mais recursos para atender quase 2 mil municípios sem comprometer a qualidade do trabalho”, explica.
Impactos das Mudanças Climáticas
O Cemaden alerta que as mudanças climáticas têm agravado a frequência e a intensidade de eventos extremos, ampliando as áreas vulneráveis. “Cidades que antes não enfrentavam grandes desastres agora precisam ser monitoradas, devido ao aumento de fenômenos climáticos intensos”, conclui Seluchi.
Com o compromisso de proteger vidas e minimizar danos, o Cemaden segue investindo em tecnologia e estratégias para enfrentar os desafios do clima no Brasil. A expansão da rede de monitoramento representa um passo essencial na preparação para um futuro de extremos climáticos.







