O carnaval de rua do Rio de Janeiro deverá movimentar mais de R$ 5,7 bilhões na economia carioca entre os dias 17 de janeiro e 22 de fevereiro, segundo estimativa da Empresa Municipal de Turismo (Riotur). A projeção leva em conta a presença de mais de 6 milhões de foliões, entre moradores e turistas nacionais e estrangeiros, ao longo de pouco mais de um mês de programação.
Em 2026, a cidade contará com 460 blocos desfilando em todas as regiões da capital, reforçando o papel do carnaval de rua como um dos principais motores econômicos do turismo, do comércio, da rede hoteleira, do setor de serviços e da economia criativa local.
O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, afirmou que a cidade está preparada para receber o grande fluxo de pessoas e fez um apelo por responsabilidade durante a folia. “Venham curtir, mas não se esqueçam de se hidratar, usar protetor solar, roupas leves e calçados confortáveis. Os órgãos públicos estão preparados para receber os foliões e os turistas”, declarou nesta quinta-feira (15).
Segurança reforçada e controle nos megablocos
A operação de segurança contará com mais de 1,1 mil agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública e da Guarda Municipal, que atuarão de forma integrada com a Polícia Militar. Um dos principais focos será o Circuito Preta Gil, na Rua Primeiro de Março, no Centro, onde desfilam os dez megablocos do carnaval carioca.
No local, serão instalados pontos de revista para impedir a entrada de garrafas de vidro e objetos cortantes, medida que visa reduzir acidentes e ocorrências durante os desfiles de grande porte.
Atenção à saúde dos foliões
A Secretaria Municipal de Saúde também montou um esquema especial para o período carnavalesco. De acordo com o secretário Daniel Soranz, serão instalados sete postos de atendimento pré-hospitalar, sendo dois no Circuito Preta Gil, além de equipes móveis de emergência espalhadas pelos principais pontos da festa.
Segundo Soranz, um dos principais motivos de preocupação são os foliões que fazem uso de medicação contínua e acabam interrompendo o tratamento durante o carnaval. “Esse é um dos fatores que mais nos preocupa”, afirmou.
O secretário alertou ainda para problemas recorrentes nesta época do ano, como desidratação, consumo excessivo de bebida alcoólica, além de queimaduras de segundo e terceiro graus, tanto na pele quanto nos olhos. “A falta de proteção solar e o uso de cera para cabelo, que pode escorrer para os olhos, são riscos frequentes”, explicou.
Soranz também recomendou o uso de calçados fechados, para evitar cortes nos pés, e atenção à procedência de alimentos e bebidas, que podem causar problemas gastrointestinais.
Combate ao assédio e proteção às mulheres
A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres reforçará as ações de enfrentamento ao assédio e à violência de gênero durante a folia. Segundo a secretária Joyce Trindade, o último carnaval registrou um aumento de 275% nos casos de assédio e nos atendimentos diretos a mulheres vítimas.
Para este ano, a prefeitura mobilizou equipes especializadas, com psicólogas, advogadas e assistentes sociais, que atuarão nos principais pontos da festa para oferecer acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento adequado às vítimas.
“Haverá equipes preparadas para atender mulheres em situações de assédio e violência, garantindo apoio imediato e proteção”, afirmou Trindade.
Com impacto bilionário na economia, forte presença popular e uma ampla operação de serviços públicos, o carnaval de rua do Rio reafirma sua posição como um dos maiores eventos culturais do país, ao mesmo tempo em que expõe os desafios de gestão, segurança e cuidado com a saúde em uma cidade que se transforma para celebrar a festa mais emblemática do calendário brasileiro.







