Na abertura da 66ª Cúpula do Mercosul, realizada nesta quinta-feira (3) em Buenos Aires, o Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco com uma ampla agenda voltada à integração regional, transição energética, combate às desigualdades, inovação tecnológica e combate ao crime organizado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o cargo do argentino Javier Milei e afirmou que o Mercosul é um “refúgio para a região em um mundo instável”. No discurso, ele defendeu o fortalecimento do comércio intra e extrabloco, a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia e a aproximação com mercados asiáticos como Japão, China e Índia.

Outras pautas anunciadas para o semestre incluem:
- modernização da Tarifa Externa Comum (TEC), com exceções negociadas com a Argentina;
- criação de um programa Mercosul Verde para agricultura sustentável e valorização de minerais estratégicos como lítio e cobre;
- lançamento de uma nova edição do Fundo para a Convergência Estrutural (Focem) para financiar infraestrutura;
- estímulo à inclusão social por meio do Instituto Social e da Cúpula Sindical do bloco;
- maior apoio a pequenas e médias empresas e reativação do Fórum Empresarial;
- implementação de um sistema de pagamentos digitais em moedas locais para reduzir custos transacionais.
Lula também prometeu apoiar a proposta argentina de criar uma agência regional para enfrentar o crime organizado, destacando o papel do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira e do Centro de Cooperação da Amazônia.
Em temas globais, o presidente ressaltou a importância de a região se preparar para a COP30, no Pará, em 2025, e criticou a concentração mundial de tecnologias estratégicas, propondo soberania digital com data centers e inteligência artificial adaptada às culturas latino-americanas.
Por fim, Lula enfatizou que o Mercosul só será forte se incluir todos os cidadãos. “Sem inclusão social e enfrentamento das desigualdades, não haverá progresso duradouro”, disse.
Sob liderança brasileira, o bloco também pretende avançar acordos com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá, República Dominicana e atualizar pactos com Colômbia e Equador.







