O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se prepara para lançar, pela primeira vez, os chamados “Blue Bonds” — ou “títulos azuis” — com o objetivo de fomentar a preservação dos oceanos e impulsionar a chamada economia azul. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (2) pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante um evento sobre financiamento à biodiversidade marinha, realizado no Rio de Janeiro.
Os “Blue Bonds” seguem a mesma lógica dos “Green Bonds” (“títulos verdes”), instrumentos financeiros já consolidados no mercado internacional, destinados a captar recursos para projetos sustentáveis. O BNDES, aliás, foi pioneiro no Brasil nessa categoria ao emitir, em 2017, um título verde de US$ 1 bilhão, com vencimento em sete anos, cuja arrecadação foi direcionada ao financiamento de projetos de energia renovável, como eólica e solar.
Agora, a instituição quer repetir o modelo, desta vez voltado à preservação dos ecossistemas marinhos e costeiros. “Estamos em diálogo com várias autoridades internacionais para que possamos, quem sabe, anunciar o lançamento dos Blue Bonds durante a COP 30. Se já temos os Green Bonds, por que não os Bônus Azuis? Temos uma imensa economia do mar que precisa de financiamento para ações de conservação e desenvolvimento sustentável”, destacou Mercadante.
O presidente do BNDES também reforçou que o banco está comprometido em ampliar sua atuação em prol do meio ambiente, ampliando o portfólio de investimentos que conciliam desenvolvimento econômico e preservação natural.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla, que inclui o programa BNDES Azul, criado para apoiar ações de proteção aos oceanos brasileiros. Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o programa já recebeu um aporte inicial de R$ 350 milhões — volume inédito no país — mas está longe de ser suficiente. “O desafio que temos pela frente exige bilhões de reais. Este é um primeiro passo estratégico, utilizando recursos próprios do banco, mas são claramente insuficientes para enfrentar a complexidade da agenda marinha, que inclui desde a conservação da biodiversidade até a descarbonização da frota marítima”, afirmou.
A proposta de emissão dos Blue Bonds vem sendo cuidadosamente construída, com articulações junto a organismos multilaterais e investidores globais, para garantir aderência aos parâmetros internacionais de sustentabilidade e atratividade financeira. A expectativa é que o lançamento desse novo instrumento reforce o protagonismo brasileiro na agenda climática global, especialmente na preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em 2025, na cidade de Belém, no Pará.
Com o avanço da proposta, o Brasil poderá se posicionar como um dos pioneiros na emissão de títulos financeiros voltados especificamente à conservação marinha, em linha com as tendências mundiais que buscam conciliar crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental.







