Israel lançou ataques aéreos contra Beirute nesta sexta-feira (6), ampliando a ofensiva militar iniciada há uma semana ao lado dos Estados Unidos contra o Irã e seus aliados na região. O bombardeio ocorreu após o Exército israelense ordenar a evacuação completa dos subúrbios ao sul da capital libanesa, uma medida considerada inédita pela dimensão do território afetado.
Durante a madrugada, explosões e intensos clarões iluminaram o céu na região sul da cidade. As Forças Armadas de Israel informaram ter realizado 26 ondas de ataques noturnos, mirando centros de comando e depósitos de armas do Hezbollah, grupo xiita aliado de Teerã e uma das principais forças políticas e militares do Líbano desde os anos 1980.
A ofensiva ocorre após o Hezbollah lançar disparos contra Israel nesta semana em resposta à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, atingido por bombardeios israelenses no primeiro dia do conflito.
Moradores da região relataram fuga em massa e improvisação de abrigos nas ruas da capital libanesa. “Estamos dormindo aqui nas ruas — alguns em carros, outros na rua, outros na praia”, disse Jamal Seifeddin, 43 anos, que deixou os subúrbios do sul de Beirute e passou a noite no centro da cidade. “Nunca dormi assim no chão. Fui forçado a isso. Ninguém trouxe sequer um cobertor.”
Israel já realizou diversas operações militares no Líbano ao longo das últimas décadas, incluindo uma campanha de bombardeios em 2024 que enfraqueceu significativamente o Hezbollah. Ainda assim, a intensidade dos ataques desta sexta-feira foi considerada uma das mais severas já registradas na capital libanesa.
Além das ações no Líbano, Israel também lançou uma nova série de ataques contra o Irã, afirmando que os alvos incluíam infraestrutura na capital Teerã.
No território israelense, explosões foram ouvidas enquanto sistemas de defesa aérea eram acionados para interceptar mísseis disparados pelo Irã. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter realizado uma operação combinada com mísseis e drones, direcionada a áreas estratégicas no centro de Tel Aviv.
Durante a madrugada, drones iranianos também atingiram a base aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Autoridades do país informaram que não houve registro de vítimas.
Paralelamente à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deseja participar da escolha do próximo líder supremo do Irã, cargo que deverá ser ocupado após a morte de Khamenei.
“Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã”, afirmou Trump em entrevista por telefone concedida à Reuters na quinta-feira.
O líder supremo iraniano é tradicionalmente selecionado por um conselho de especialistas religiosos e precisa ser um clérigo xiita de alto escalão. A declaração do presidente norte-americano amplia o alcance político da disputa e pode dificultar negociações rápidas para encerrar o conflito.
Israel tem declarado abertamente que busca derrubar o atual sistema político iraniano. Já Washington afirma que seu objetivo é impedir que o Irã amplie sua influência militar fora de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que incentiva movimentos internos contra o governo de Teerã.
Até o momento, o Irã não respondeu oficialmente às declarações de Trump. O governo iraniano classificou a guerra como um ataque não provocado e considera a morte de Khamenei um assassinato.
Autoridades do país afirmam que o processo para escolha de um novo líder supremo está em andamento. Inicialmente, havia expectativa de que a sucessão fosse definida rapidamente, com o filho de Khamenei, Mojtaba, apontado como principal candidato. No entanto, o adiamento por tempo indeterminado do período oficial de três dias de luto pelo aiatolá, anunciado na quarta-feira, pode ter alterado o cronograma da transição de poder.







