O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai se reunir no próximo domingo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir os principais impasses nas negociações de paz com a Rússia, com foco especial nas questões territoriais, consideradas o maior obstáculo para o fim do conflito que já é o mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Ao anunciar o encontro, Zelensky afirmou que o diálogo ocorre em um momento decisivo. “Muita coisa pode ser decidida antes do Ano Novo”, declarou, sinalizando expectativa de avanços concretos enquanto Washington intensifica os esforços diplomáticos para encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022.
Em conversa com jornalistas por meio do WhatsApp, o presidente ucraniano detalhou os temas centrais da agenda. “Discutiremos Donbas e a usina nuclear de Zaporizhzhia. Certamente discutiremos outras questões também”, afirmou. A região de Donbas — que compreende Donetsk e Luhansk — é alvo de disputa desde o início do conflito, enquanto a usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa, permanece sob controle russo e localizada em uma área sensível da linha de frente.
Zelensky tenta convencer Trump a abandonar uma proposta norte-americana que prevê a retirada completa das forças ucranianas de Donbas. Caso não consiga obter uma posição “firme” de Washington contra concessões territoriais, o líder ucraniano afirmou, em declarações citadas pelo site Axios, que estaria disposto a submeter o plano de paz de 20 pontos patrocinado pelos EUA a um referendo nacional — desde que a Rússia concorde com um cessar-fogo de 60 dias, tempo considerado necessário para organizar a consulta popular.
Moscou, por sua vez, exige que a Ucrânia se retire de áreas da região de Donetsk que as tropas russas não conseguiram ocupar totalmente ao longo de quase quatro anos de guerra. O objetivo do Kremlin é obter controle integral de Donbas, enquanto Kiev defende a interrupção dos combates nas linhas atuais de batalha, sem novas perdas territoriais.
Na tentativa de destravar as negociações, os Estados Unidos chegaram a propor a criação de uma zona econômica livre caso a Ucrânia abra mão da região, embora a iniciativa careça de detalhes sobre funcionamento e garantias práticas.
Para Zelensky, qualquer decisão envolvendo território ucraniano precisa passar pela soberania popular. “Compromissos territoriais só podem ser decididos pelo povo ucraniano”, tem reiterado o presidente, reforçando que a legitimidade de um acordo duradouro depende da participação direta da sociedade.
Enquanto isso, a situação da usina nuclear de Zaporizhzhia segue como um dos pontos mais sensíveis das negociações, tanto pelo risco estratégico quanto pelas implicações de segurança energética para toda a região europeia.







