Transformar o Rio de Janeiro em um ambiente fértil para inovação urbana: esse é o propósito do Sandbox.Rio, programa da Prefeitura que oferece a empreendedores a oportunidade de testar soluções tecnológicas com apoio institucional, regulação temporária e interação direta com o poder público. À frente da iniciativa, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico (SMDUE) aposta no potencial transformador de parcerias entre o setor público e o ecossistema de inovação.
Em entrevista, Jennyfer, assessora da Secretaria, explicou que o Sandbox funciona como uma “caixa de experimentação” — tradução literal do termo em inglês — e tem como missão aproximar as startups da cidade real, permitindo que projetos sejam testados com menos barreiras regulatórias e maior eficiência. “As empresas entram com a inovação, e a Prefeitura entra com o apoio para viabilizar os testes. Essa troca gera benefícios para os dois lados”, resume.

Ambiente regulatório experimental
O Sandbox.Rio é uma espécie de “laboratório urbano” criado pela SMDUE e gerido pela Subsecretaria de Regulação e Ambiente de Negócios (SUBRAN). Ele oferece autorizações temporárias para projetos inovadores que ainda não se encaixam na legislação atual, permitindo que sejam testados com clientes reais em ambiente controlado. Durante o ciclo de testes, a Prefeitura coleta dados e avalia os impactos da tecnologia, o que contribui para o aprimoramento das políticas públicas.
“A gente facilita a interlocução com órgãos como a CET-Rio, agiliza ofícios, diminui o tempo de resposta e, consequentemente, os custos de implementação”, explica Jennyfer. “É uma parceria temporária, por edital, e estamos nos preparando para abrir o terceiro ciclo, provavelmente em junho.”
Quem pode participar?
O programa é voltado a pessoas jurídicas com capacidade técnica e financeira, incluindo empresas, institutos de pesquisa e organizações que desenvolvam inovações com potencial de aplicação municipal. Não é obrigatório que a empresa esteja formalmente aberta no momento da inscrição, mas é preciso apresentar uma proposta sólida e estruturada. “A gente não executa o projeto pela empresa, então ela precisa saber como vai rodar a ideia. Se já tiver uma estrutura inicial, melhor”, diz a assessora.
Não há limitação temática. O que se busca são soluções que dialoguem com os desafios urbanos e sociais do Rio, como:
- Tecnologias para digitalização de serviços públicos;
- Iniciativas sustentáveis em vias públicas;
- Uso seguro de drones para serviços públicos e privados;
- Soluções em mobilidade urbana (Mobility as a Service);
- Ferramentas para desburocratização de processos como licenciamento urbanístico.

Resultados e futuro
Ao fim do ciclo, a Prefeitura entrega um parecer técnico à empresa participante, com uma avaliação do experimento: o que funcionou, o que pode melhorar e quais foram os aprendizados. “Com isso, a empresa pode seguir de forma mais segura no mercado, e o município ganha subsídios para aprimorar suas regulações”, destaca Jennyfer.
Além de fomentar o empreendedorismo, o Sandbox.Rio fortalece o papel do poder público como agente facilitador da inovação. “A cidade do Rio tem vocação para ser protagonista na economia criativa e tecnológica. Esse tipo de programa mostra que podemos usar a máquina pública para criar um ambiente regulatório mais flexível, moderno e aberto ao futuro”, conclui.
A expectativa para o próximo edital é alta. Com a abertura prevista para os próximos meses, o programa quer ampliar a participação de startups e iniciativas alinhadas à visão de uma cidade mais inteligente, inclusiva e sustentável.







