Em mais um capítulo das disputas políticas que antecipam as eleições de 2026, o secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Washington Reis, foi exonerado do cargo nesta quinta-feira (3), após semanas de atritos com o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), pré-candidato ao governo estadual. A demissão, assinada por Bacellar na condição de governador em exercício, foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado.
Bacellar ocupa interinamente o Palácio Guanabara durante viagem internacional do governador Cláudio Castro. Desde maio, ele é o primeiro na linha sucessória, após a nomeação do então vice-governador Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado, em uma costura política que aumentou a visibilidade do chefe do Legislativo fluminense.
A decisão evidencia o desgaste entre Bacellar e Reis, intensificado nos últimos meses pela aproximação pública do ex-prefeito de Duque de Caxias com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD) — potencial adversário de Bacellar em 2026. Reis chegou a acompanhar Paes em agendas públicas e manifestações nas redes sociais, sinalizando interesse em integrar uma chapa de oposição ao atual grupo que comanda o estado.
A relação se deteriorou ainda mais na segunda-feira, quando a Alerj aprovou a convocação de Washington Reis para explicar, em comissões da Casa, o aumento da tarifa do Metrô no início do ano. O pedido gerou bate-boca entre Bacellar e o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB), irmão do então secretário. No plenário, Rosenverg chegou a declarar que aconselharia o irmão a não comparecer, ao que Bacellar reagiu: “Acabou o tempo de você achar que o seu irmão manda no estado do Rio”.
No mesmo decreto, o governador em exercício também exonerou Kennedy de Assis Martins, presidente do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (Ipem-RJ).
Impasse jurídico e inelegibilidade
Washington Reis, apesar de ocupar um dos principais cargos do governo estadual, permanece inelegível desde que foi condenado por crime ambiental, ainda quando prefeito de Duque de Caxias. Segundo o Ministério Público Eleitoral, ele autorizou a construção de um loteamento irregular na reserva biológica do Tinguá, parte do qual foi adquirido por seus irmãos parlamentares.
Na semana passada, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes sinalizou que Reis poderia ser beneficiado por um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mecanismo jurídico que extingue a ação penal em troca de reparação de danos e outras condições pactuadas com o Ministério Público. O relator do caso, ministro Flávio Dino, deve decidir sobre a proposta.
Caso o acordo seja aceito, Reis voltaria a ser elegível, recuperando fôlego para disputar cargos em 2026 — possibilidade que explica, em parte, a escalada de tensões com Bacellar, hoje um dos principais articuladores do grupo governista.
Washington Reis teve sua candidatura a vice-governador na chapa de Cláudio Castro barrada pela Justiça Eleitoral em 2022, mas foi acomodado no comando da Secretaria de Transportes como gesto político de compensação. Agora, com a exoneração, seu futuro político volta a depender tanto da costura com aliados quanto da decisão do STF sobre sua condenação.







