
A Unidos do Viradouro escreveu mais um capítulo marcante na história do Carnaval carioca ao conquistar, em 2026, seu quarto campeonato no Grupo Especial. Com um desfile arrebatador em homenagem ao mestre de bateria Mestre Ciça, a escola de Niterói transformou a Marquês de Sapucaí em palco de emoção coletiva e garantiu notas máximas do início ao fim da apuração.

O enredo celebrou a trajetória de Moacyr da Silva Pinto, o Ciça, reverenciado como um dos maiores comandantes de bateria do Carnaval. Logo na comissão de frente, o homenageado surgiu em um tripé em formato de apito — símbolo de sua liderança — que se transformava nos arcos da Praça da Apoteose. Elevado ao alto da estrutura, foi aclamado pela escola e pelo público em um dos momentos mais impactantes da noite.
Bateria sobre alegoria e coro de “É campeã”
A apresentação reservou ainda outro instante histórico: repetindo ideia idealizada pelo próprio Ciça em 2007, a bateria desfilou sobre uma alegoria de 25 metros de comprimento, construída a partir de chassis de caminhão-cegonha e ônibus. Após deixar o primeiro recuo, os ritmistas seguiram sobre o carro até o encerramento do desfile.

Ao lado da bateria estavam a rainha Juliana Paes, o intérprete Wander Pires, integrantes da diretoria e dirigentes como Marcelo Calil e Marcelinho Calil, somando 301 componentes na estrutura. O público respondeu em coro com gritos de “É campeã”, antecipando o resultado que viria na apuração.
A vitória consolida o quarto título da agremiação — após 1997, 2020 e 2024 — e reverencia a trajetória de Ciça, iniciada em 1971 como passista da Unidos do São Carlos, posteriormente Estácio de Sá, onde se tornaria mestre de bateria em 1989.
Reconhecimento a uma trajetória histórica
O desfile reuniu representantes de escolas pelas quais o mestre passou, como União da Ilha do Governador, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos da Tijuca, além da própria Estácio. Ícones como Claudinho e Selminha Sorriso participaram da homenagem, reforçando o caráter coletivo da celebração.
A campeã também marcou retornos simbólicos. Juliana Paes reassumiu o posto de rainha de bateria após 18 anos, enquanto Erika Januza brilhou em carro alegórico. O carnavalesco Paulo Barros, atualmente sem escola, participou como destaque em um tripé, emocionado.

Aos 69 anos, Ciça acompanhou cada detalhe da preparação e prometeu abandonar o cigarro em caso de vitória — promessa que agora precisará cumprir.
Apuração consagra desfile técnico e harmonioso
Na disputa acirrada, a Viradouro dividiu o protagonismo com escolas como Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel e Imperatriz Leopoldinense. A diferença começou a se consolidar no quesito harmonia, quando a vermelha e branca manteve apenas notas 10, abrindo vantagem decisiva.
Mesmo recebendo um 9.9 em fantasias — descartado por ser a menor nota — a escola manteve a liderança. No último quesito, samba-enredo, confirmou o desempenho impecável e assegurou o campeonato.
Mais do que um título, a conquista de 2026 simboliza a celebração de uma carreira dedicada ao ritmo e à comunidade. Ao transformar a avenida em tributo ao “mestre dos mestres”, a Viradouro fez da emoção sua maior alegoria — e da Sapucaí, um palco de consagração.







