A União Europeia e a Organização das Nações Unidas (ONU) condenaram, nesta segunda-feira (11), o assassinato de jornalistas na Faixa de Gaza durante um ataque aéreo israelense ocorrido na noite de domingo (10) em frente ao Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza. O número de mortos subiu para seis, incluindo cinco profissionais da rede Al Jazeera e um repórter palestino.
A alta representante da UE para Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, classificou o caso como grave e questionou a alegação do Exército de Israel de que as vítimas teriam envolvimento com o Hamas. Segundo Kallas, “é necessário fornecer provas claras, respeitando o Estado de direito, para evitar que jornalistas sejam alvos”. Ela também cobrou a ampliação do acesso humanitário à região.
De acordo com o gabinete de informação do governo local, os jornalistas mortos foram identificados como: Anas al-Sharif e Mohamed Qraiqea (correspondentes da Al Jazeera), os fotojornalistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliwa, o assistente de fotojornalista Mohamed Nofal e Mohamed al-Khalidi, do veículo palestino Sahat.
Israel afirma que Anas al-Sharif liderava uma célula do Hamas e era responsável por ataques com mísseis contra militares. Como prova, apresentou dois documentos cuja autenticidade não pôde ser verificada.
ONU cobra apuração
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a abertura de uma investigação “independente e imparcial” sobre as mortes, ressaltando os “riscos extremos” enfrentados por jornalistas que cobrem o conflito.
Segundo a ONU, ao menos 242 profissionais de imprensa foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em outubro de 2023. O porta-voz Stéphane Dujarric reforçou que jornalistas devem ter garantias para exercer o trabalho “sem medo ou intimidação”.
Conflito e impactos
A guerra foi desencadeada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas no sul de Israel e resultaram no sequestro de mais de 200 reféns. Desde então, a ofensiva israelense deixou mais de 61 mil mortos, destruiu a maior parte da infraestrutura de Gaza e provocou o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos.







