Em visita ao Catar durante seu giro pelo Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar tensões ao declarar nesta quinta-feira (15) seu desejo de assumir o controle da Faixa de Gaza. A proposta foi imediatamente rejeitada pelo grupo Hamas, que afirmou que Gaza “não está à venda” e reiterou que o território é parte integral da Palestina.
“Gaza é parte integrante do território palestino — não é um imóvel à venda no mercado aberto”, declarou Basem Naim, membro do Bureau Político do Hamas. “Estamos preparados para fazer todos os sacrifícios para preservar nossa pátria e garantir o futuro de nosso povo.”
Durante conversa com empresários no Catar, Trump afirmou que a região devastada pela guerra poderia ser transformada em uma “zona de liberdade” sob administração norte-americana. “Se for necessário, eu ficaria orgulhoso se os Estados Unidos a tivessem, a conquistassem e a tornassem uma zona de liberdade. Que coisas boas aconteçam”, declarou o presidente, segundo a agência Reuters.
Em fevereiro, Trump já havia sugerido transformar Gaza em uma espécie de “Riviera do Oriente Médio”, após uma emigração em massa da população palestina. A proposta foi amplamente condenada por líderes palestinos, países árabes e até pela Organização das Nações Unidas (ONU), que consideraram a ideia uma forma de limpeza étnica.
Conflito e resistência
O Hamas classificou as declarações como provocativas e reafirmou que os EUA, ao apoiar os bombardeios israelenses, não estão promovendo paz ou segurança no mundo. “O presidente Trump possui a influência e a autoridade necessárias para tornar isso [a paz] realidade, caso haja vontade política”, disse Naim. “Mas enquanto persistirem a guerra e o genocídio em Gaza, o mundo não será mais seguro.”
O grupo, considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia e Israel, defende que apenas o povo palestino tem o direito de escolher sua liderança e decidir seu destino. Naim ainda afirmou que o Hamas está disposto a transferir o controle administrativo de Gaza para qualquer órgão palestino acordado nacionalmente, caso sejam realizadas eleições livres e justas.
Raízes do conflito
O atual ciclo de violência foi deflagrado em 7 de outubro de 2023, quando combatentes do Hamas invadiram vilarejos israelenses, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando outras 220. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva de grandes proporções sobre a Faixa de Gaza, que já deixou mais de 54 mil palestinos mortos e causou o colapso da infraestrutura civil.
Desde março de 2025, Israel impõe um bloqueio total à ajuda humanitária. A fome e a destruição afetam milhões de civis. Para o Hamas, os ataques de outubro foram um ato de “autodefesa” contra mais de 76 anos de ocupação israelense e a falta de avanços políticos internacionais.
“Temos repetidamente exigido eleições democráticas. A história não começou em 7 de outubro”, destacou Naim.
Planos de anexação
Enquanto isso, o governo de Benjamin Netanyahu aprovou um plano para conquistar e manter Gaza sob controle militar. O primeiro-ministro israelense condiciona o fim da ofensiva à destruição total do Hamas e à libertação dos reféns ainda mantidos pelo grupo.







