A Football Supporters Europe (FSE), principal associação de torcedores do continente, acusa a Fifa de praticar preços “extorsivos” nos ingressos destinados às seleções nacionais para a Copa do Mundo de 2026. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (12), o grupo pediu a suspensão imediata das vendas, alegando que os valores inéditos podem excluir torcedores comuns — considerados essenciais para a atmosfera do evento.
Segundo a FSE, tabelas de preços distribuídas de forma discreta às associações nacionais mostram que acompanhar uma seleção desde a fase de grupos até a final pode custar ao menos US$ 6.900 (R$ 37 mil), quase cinco vezes mais que na Copa de 2022, no Catar. A entidade afirma ainda que os torcedores seriam obrigados a pagar o valor integral já no início de 2026 para manter o direito de comprar ingressos até a decisão.
A Fifa não comentou as críticas até o momento.
Categoria mais barata fora do alcance dos torcedores mais fiéis
A associação denuncia também que a Categoria 4, faixa de menor preço tradicionalmente reservada às torcidas organizadas das seleções, não será disponibilizada para venda via associações. A Fifa destinaria essa categoria apenas ao público geral, sujeita a preços dinâmicos — prática que, segundo a FSE, representa “uma traição monumental”.
“A sensação é de que algumas pessoas estão tentando maximizar lucros a qualquer custo”, afirmou à Reuters o diretor executivo da FSE, Ronan Evain. “Com ingressos chegando a US$ 4.000 na final, é impossível manter a essência da Copa — a diversidade, a cor e o calor das arquibancadas.”
Preços variáveis e falta de transparência
Outra mudança criticada é a introdução de uma tabela de preços variáveis para a fase de grupos, baseada em critérios pouco claros como a “atratividade” da partida. Isso significa que torcedores de países diferentes poderão pagar valores distintos pela mesma categoria de ingresso, mesmo em jogos equivalentes.
Para Evain, a nova estrutura coloca famílias em situação insustentável:
“Falamos de custos que podem ultrapassar US$ 30 mil (R$ 161 mil) para uma família de quatro pessoas. A maioria dos torcedores não consegue arcar com isso — nem mesmo na Europa.”
Pressão por mudanças
A FSE pede que a Fifa interrompa as vendas destinadas às Associações de Membros Participantes (PMAs) e abra uma rodada de consultas com torcedores e federações. A entidade cobra uma solução que respeite a tradição e o caráter universal do torneio.







