A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para os EUA pode afetar duramente o agronegócio nacional. Segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), os maiores riscos recaem sobre as cadeias do suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas.
O suco de laranja é considerado o mais vulnerável, pois já paga hoje uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada para entrar no mercado americano. Como o Brasil responde por cerca de 80% do suco consumido nos EUA, uma sobretaxa ameaça a competitividade do produto e pode gerar excesso de estoques internos, mesmo diante da boa safra prevista para 2025/26, de 314,6 milhões de caixas, segundo a pesquisadora Margarete Boteon.
O café, do qual os Estados Unidos são os maiores compradores, também preocupa. “A exclusão do café do pacote tarifário é estratégica para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, ressalta Renato Ribeiro, pesquisador do Cepea. Diante da incerteza, produtores brasileiros vêm adiando negociações e vendendo apenas o necessário para manter o caixa.
A carne bovina, cuja exportação para os EUA corresponde a 12% do total embarcado pelo Brasil, também corre risco. Grandes volumes exportados nos últimos meses podem ter sido uma estratégia americana para formar estoques, já prevendo o tarifaço. Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo lideram as vendas de carne bovina para os Estados Unidos.
Já no setor de frutas frescas, o impacto imediato deve atingir a manga, que entra em sua principal janela de exportação aos EUA em agosto. A uva brasileira, cuja safra relevante para os americanos começa em setembro, também está sob risco. O receio é que o redirecionamento das frutas para a União Europeia ou o mercado interno pressione os preços pagos ao produtor.
O Cepea considera urgente uma ação diplomática para tentar reverter ou ao menos amenizar os impactos das novas tarifas sobre os produtos agroalimentares brasileiros. “Essa medida é estratégica não apenas para o Brasil, mas também para os EUA, cuja segurança alimentar depende do fornecimento brasileiro”, conclui a nota.







