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	<title>Povos Originários &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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	<title>Povos Originários &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Ciência e Ecologia Indígena: Integração de Saberes é Essencial para o Futuro da Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Dec 2024 14:20:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[A colaboração entre o conhecimento científico ocidental e a sabedoria ancestral dos povos indígenas é essencial para enfrentar a crise ambiental e climática global. Esta é a principal mensagem de um artigo inédito publicado na revista Science, uma das mais prestigiadas do mundo, assinado por cientistas indígenas dos povos Tuyuka, Tukano, Bará, Baniwa e Sateré-Mawé, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A colaboração entre o conhecimento científico ocidental e a sabedoria ancestral dos povos indígenas é essencial para enfrentar a crise ambiental e climática global. Esta é a principal mensagem de um artigo inédito publicado na revista <em>Science</em>, uma das mais prestigiadas do mundo, assinado por cientistas indígenas dos povos Tuyuka, Tukano, Bará, Baniwa e Sateré-Mawé, em parceria com pesquisadores não indígenas ligados ao Brazil LAB da Universidade de Princeton e a instituições brasileiras, como a UFSC e a Ufam.</p>
<p>Os autores enfatizam a necessidade de uma ciência mais holística e integrativa, capaz de reconhecer a contribuição milenar dos povos indígenas na conservação dos ecossistemas. Justino Sarmento Rezende, cientista indígena da Ufam e um dos coautores do estudo, explica que a visão dos povos originários vai além da separação entre cultura e natureza: “Enquanto os humanos não entenderem que outros seres, como plantas, rios e animais, têm agência e importância, o desequilíbrio ambiental persistirá.”</p>
<h3>Ciência ancestral e sabedoria prática</h3>
<p>O artigo evidencia o conhecimento ecológico indígena, que há milhares de anos observa e experimenta o mundo natural. No Alto Rio Negro, região de grande diversidade étnica, o universo é dividido em três domínios – terrestre, aéreo e aquático –, todos habitados por humanos, plantas, animais e seres encantados. Para acessar recursos naturais, é necessário seguir rituais e negociar com esses outros seres, mantendo o equilíbrio da “rede cosmopolítica”.</p>
<p>Essa perspectiva, segundo o estudo, captura nuances das relações ecológicas muitas vezes ignoradas pela ciência tradicional. A pesquisadora Carolina Levis, da UFSC, defende que unir as ciências indígena e ocidental amplia o potencial de conservação: <em>“Não existe uma única saída. Precisamos de múltiplas ciências para enfrentar a emergência climática e a crise de biodiversidade que vivemos.”</em></p>
<h3>Conhecimento empírico e tomada de decisão</h3>
<p>O artigo também destaca práticas indígenas específicas que contribuem para a conservação, como a influência dos movimentos das constelações e dos ciclos naturais na produção de alimentos e rituais sazonais. “Os povos indígenas são astrônomos há milênios, entendendo como os movimentos celestes impactam a floração das árvores, o amadurecimento das frutas e os ciclos da Terra”, explica Rezende.</p>
<p>A inclusão respeitosa de líderes e especialistas indígenas nos processos científicos e nas decisões políticas é um dos principais caminhos apontados pelos pesquisadores. Para Levis, essa integração requer “reconhecer a forma como os indígenas produzem conhecimento e manejam, com sabedoria, a Terra há milhares de anos”.</p>
<p>O estudo, além de um marco para a presença indígena na ciência global, ressalta a importância do diálogo entre saberes como instrumento fundamental para a construção de um futuro sustentável para a Amazônia e para o planeta.</p>
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		<title>Turismo de base comunitária revoluciona Terras Indígenas na Amazônia</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/turismo-de-base-comunitaria-revoluciona-terras-indigenas-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ramon Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Dec 2024 15:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Acre]]></category>
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					<description><![CDATA[O turismo de base comunitária tem se destacado como uma solução inovadora para promover o desenvolvimento sustentável em terras indígenas da Amazônia. Além de preservar a floresta, esse modelo permite que comunidades indígenas compartilhem seus saberes ancestrais com visitantes, contribuindo para a valorização cultural e a geração de renda. A experiência dos Shanenawa no Acre [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O turismo de base comunitária tem se destacado como uma solução inovadora para promover o desenvolvimento sustentável em terras indígenas da Amazônia. Além de preservar a floresta, esse modelo permite que comunidades indígenas compartilhem seus saberes ancestrais com visitantes, contribuindo para a valorização cultural e a geração de renda.</p>
<figure id="attachment_80623" aria-describedby="caption-attachment-80623" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-80623" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-TO-cacique-Tekavainy-Shanenawa-diz-que-o-turismo-chegou-a-sua-aldeia-ha-tres-anos-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="O Cacique Tekavainy Shanenawa, Diz Que O Turismo Chegou A Sua Aldeia Há Três Anos - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-TO-cacique-Tekavainy-Shanenawa-diz-que-o-turismo-chegou-a-sua-aldeia-ha-tres-anos-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-TO-cacique-Tekavainy-Shanenawa-diz-que-o-turismo-chegou-a-sua-aldeia-ha-tres-anos-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-TO-cacique-Tekavainy-Shanenawa-diz-que-o-turismo-chegou-a-sua-aldeia-ha-tres-anos-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-TO-cacique-Tekavainy-Shanenawa-diz-que-o-turismo-chegou-a-sua-aldeia-ha-tres-anos-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-80623" class="wp-caption-text">O cacique Tekavainy Shanenawa, diz que o turismo chegou a sua aldeia há três anos &#8211; Alyton Sotero/Instituto Samaúma</figcaption></figure>
<h3><strong>A experiência dos Shanenawa no Acre</strong></h3>
<p>Na Aldeia Shanenawa, localizada no município de Feijó (AC), o turismo começou há três anos e transformou a dinâmica da comunidade. Antes voltados à agricultura de subsistência e ao artesanato, os Shanenawa agora recebem turistas em busca de imersões culturais e espirituais. Entre as principais atividades, destacam-se os rituais com a ayahuasca, uma medicina tradicional que voltou a ser praticada após décadas de proibição.</p>
<p>“Receber visitantes nos fortalece como povo e nos ajuda a transmitir nossa cultura para as próximas gerações,” afirma o cacique Tekavainy Shanenawa. Sua filha Maya, vice-cacique da aldeia, complementa: “Cada vez que compartilhamos nossa medicina, aprendemos mais sobre nós mesmos e fortalecemos nossa identidade.”</p>
<h3><strong>Cultura e tradição como alicerces</strong></h3>
<figure id="attachment_80621" aria-describedby="caption-attachment-80621" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-80621" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Maya-Shanenawa-vice-cacique-da-Aldeia-Shanenawa-fala-sobre-aprendizado-dos-turistas-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Maya Shanenawa, Vice Cacique Da Aldeia Shanenawa, Fala Sobre Aprendizado Dos Turistas - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Maya-Shanenawa-vice-cacique-da-Aldeia-Shanenawa-fala-sobre-aprendizado-dos-turistas-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Maya-Shanenawa-vice-cacique-da-Aldeia-Shanenawa-fala-sobre-aprendizado-dos-turistas-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Maya-Shanenawa-vice-cacique-da-Aldeia-Shanenawa-fala-sobre-aprendizado-dos-turistas-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Maya-Shanenawa-vice-cacique-da-Aldeia-Shanenawa-fala-sobre-aprendizado-dos-turistas-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-80621" class="wp-caption-text">Maya Shanenawa, vice-cacique da Aldeia Shanenawa, fala sobre aprendizado dos turistas &#8211; Alyton Sotero/ Instituto Samaúma</figcaption></figure>
<p>Para os Shanenawa, o turismo não apenas gera benefícios econômicos, mas também reforça laços culturais. Jovens da aldeia, como Maspã Shanenawa, estão assumindo papéis importantes nos rituais e no trabalho com visitantes, garantindo que a herança ancestral seja preservada.</p>
<p>“Antes, nossa história era contada por outros, muitas vezes de forma distorcida. Agora, podemos compartilhá-la diretamente com quem nos visita,” destaca o cacique Teka.</p>
<h3><strong>Parcerias e desafios</strong></h3>
<figure id="attachment_80622" aria-describedby="caption-attachment-80622" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-80622" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Pedro-Gayotto-cofundador-da-empresa-de-turismo-social-Vivala-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Pedro Gayotto, Cofundador Da Empresa De Turismo Social Vivalá - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Pedro-Gayotto-cofundador-da-empresa-de-turismo-social-Vivala-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Pedro-Gayotto-cofundador-da-empresa-de-turismo-social-Vivala-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Pedro-Gayotto-cofundador-da-empresa-de-turismo-social-Vivala-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Pedro-Gayotto-cofundador-da-empresa-de-turismo-social-Vivala-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-80622" class="wp-caption-text">Pedro Gayotto, cofundador da empresa de turismo social Vivalá &#8211; Alyton Sotero/Instituto Samaúma</figcaption></figure>
<p>Embora o turismo de base comunitária seja uma ferramenta poderosa, ele traz desafios. A busca por parcerias justas e a gestão de resíduos gerados pelos visitantes são questões centrais. Tuwe Shanenawa, um dos guias da aldeia, ressalta a importância de um manejo sustentável: “Queremos soluções que respeitem nossa terra e cultura. O lixo, por exemplo, é um problema que ainda estamos aprendendo a lidar.”</p>
<p>Além disso, o acesso às terras indígenas é limitado pela falta de divulgação e estrutura. Segundo Pedro Gayotto, cofundador de uma empresa parceira, muitos turistas interessados não sabem como chegar às aldeias.</p>
<h3><strong>Avanços na regulamentação</strong></h3>
<figure id="attachment_80620" aria-describedby="caption-attachment-80620" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-80620" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Carolina-Favero-do-Ministerio-do-Turismo-aponta-necessidade-de-cursos-e-capacitacoes-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Carolina Fávero, Do Ministério Do Turismo, Aponta Necessidade De Cursos E Capacitações - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Carolina-Favero-do-Ministerio-do-Turismo-aponta-necessidade-de-cursos-e-capacitacoes-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Carolina-Favero-do-Ministerio-do-Turismo-aponta-necessidade-de-cursos-e-capacitacoes-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Carolina-Favero-do-Ministerio-do-Turismo-aponta-necessidade-de-cursos-e-capacitacoes-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/08-Carolina-Favero-do-Ministerio-do-Turismo-aponta-necessidade-de-cursos-e-capacitacoes-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-80620" class="wp-caption-text">Carolina Fávero, do Ministério do Turismo, aponta necessidade de cursos e capacitações &#8211; Alyton Sotero/Instituto Samaúma</figcaption></figure>
<p>Reconhecendo a importância do turismo indígena, o Ministério do Turismo, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desenvolve o programa Brasil Turismo Responsável. A iniciativa busca capacitar comunidades, mapear atividades turísticas e elaborar planos de visitação para aldeias interessadas.</p>
<p>Atualmente, apenas 39 roteiros turísticos em terras indígenas são regularizados no Brasil. Contudo, mais de 150 aldeias já se cadastraram para integrar o projeto. “Estamos trabalhando para apoiar o desenvolvimento sustentável e ampliar as oportunidades de turismo responsável em terras indígenas,” explica Carolina Fávero, do Ministério do Turismo.</p>
<h3><strong>Um modelo que une preservação e inclusão</strong></h3>
<p>O turismo de base comunitária nos territórios indígenas, como o da Aldeia Shanenawa, mostra que é possível alinhar preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico. Para os povos originários, essa prática é mais do que uma fonte de renda; é uma forma de reafirmar sua identidade e transmitir suas histórias de geração em geração.</p>
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		<title>Museu da Vida fomenta debate de propostas para universidade indígena</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/museu-da-vida-fomenta-debate-de-propostas-para-universidade-indigena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 18:42:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[O Museu de Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) oferece uma ampla variedade de atividades que permitem ao público mergulhar na visão e conhecimento dos indígenas da Aldeia Maracanã. Situada no bairro do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, essa aldeia urbana reúne pessoas de diversas etnias. A programação é diversificada, incluindo oficinas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Museu de Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) oferece uma ampla variedade de atividades que permitem ao público mergulhar na visão e conhecimento dos indígenas da Aldeia Maracanã. Situada no bairro do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, essa aldeia urbana reúne pessoas de diversas etnias. A programação é diversificada, incluindo oficinas de grafismo corporal e tupi-guarani, contação de histórias, feira de artesanato e medicina da floresta, além de apresentações de cânticos.</p>
<p>Essas atividades fazem parte das celebrações dos 123 anos da Fiocruz e dos 24 anos do Museu da Vida, sendo todas elas organizadas em parceria com a Aldeia Maracanã.</p>
<p>“Pensar e planejar o evento com o museu tem sido uma troca de emoções, memórias e afetos. A todo instante, sentimos muito respeito à cultura e à espiritualidade dos povos originários”, diz Mônica Lima Tripuira Kuarahy Manaú Arawak, professora da Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Maracanã, doutora em biologia e servidora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Secretaria de Estado de Educação.</p>
<p>Na quinta-feira (25), um encontro com professores foi realizado para apresentar as propostas educativas do Museu da Vida e compartilhar o trabalho colaborativo realizado com as escolas. Um dos destaques desse encontro foi a participação de Mônica e Amanda Goytacá, educadora popular e terapeuta natural da Aldeia Maracanã, no painel intitulado &#8220;Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Maracanã na Perspectiva do Bem-Viver: Medicina da Floresta&#8221;. O evento abordou temas relacionados à presença de povos indígenas em contextos urbanos e à construção coletiva de uma universidade indígena.</p>
<p>A universidade, localizada dentro da Aldeia Maracanã, foi concebida pelos indígenas como um espaço dedicado à preservação, estudo, pesquisa, ensino e difusão das culturas originárias do Brasil e de outras regiões da América. &#8220;Existe para cultivar e promover o compartilhamento de conhecimentos tradicionais, além de desenvolver a consciência sobre a nossa cultura e valorizá-la, ajudando a criar um sentimento de pertencimento”, explicou Mônica, em entrevista.</p>
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<p>Segundo a professora, o sucesso individual é supervalorizado na sociedade atual, reduzindo a força do coletivo no dia a dia. Ela disse que, com isso, o desequilíbrio entre &#8220;o eu e o nós&#8221;, tem como sintomas as dificuldades de comunicação, competição a todo momento, desigualdade social, depressão, violência, emergência climática, entre outros.</p>
<p>A professora ressaltou ainda que, nas comunidades indígenas, onde grande parte das atividades é compartilhada, aprendem-se valores para uma melhor convivência comunitária. “Valorizamos a identidade cultural. Ter consciência sobre a própria cultura e valorizá-la ajuda a criar um sentimento de pertencimento. Sabemos viver em comunidade porque sabemos que somos indígenas”. Para a educadora, os não indígenas, ao negligenciar sua origem, perdem-se e trilham um caminho competitivo, no qual tentam ser melhores do que os outros.</p>
<p>De acordo com Mônica, o evento possibilita a abordagem de aspectos da medicina da floresta e da cosmovisão indígena. “Penso que as pessoas do museu estão se aprofundando neste resgate ancestral a cada contato conosco”, ressaltou. A professora ressaltou que os visitantes podem, inclusive, vivenciar a espiritualidade dos povos da floresta, pois é na floresta que reside toda ciência e vida.</p>
<p>“Saúde tem a ver com o nosso bem viver,. Então, combinar os dois saberes, a ciência acadêmica e a ciência ancestral dos povos originários é uma combinação que vai nos levar a cura – essa conexão nos faz retornar a uma saúde que é a essência, uma saúde preventiva&#8221;, afirmou.</p>
<p>Mônica destacou a expectativa de que o encontro traga desdobramentos futuros, divulgando aos visitantes as mais urgentes pautas indígenas e ajudando na formação de parcerias dentro e fora da Fiocruz em questões como o combate às violações e violências contra os povos originários. A professora ressaltou ainda questões como a demarcação da Aldeia Maracanã e da Universidade Pluriétnica Indígena e a necessidade de mais atenção à Casa do Índio, localizada na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro.</p>
<h2>Museu da Vida</h2>
<p>Criado em 1999, o Museu da Vida fica no <em>campus</em> da Fiocruz em Manguinhos, zona norte do Rio. Trata-se de um centro dedicado à preservação da memória da Fiocruz e às atividades de divulgação científica, pesquisa, ensino e documentação da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil.</p>
<p>O evento que celebra o aniversário do museu termina neste sábado (27). Toda a programação, das 9h às 16h, tem entrada gratuita, mas é necessária inscrição prévia para as atividades, com exceção de amanhã, quando o museu está aberto ao público em esquema de visitação livre.</p>
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