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	<title>Mulheres Negras &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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	<title>Mulheres Negras &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Inca lança cartilha que alia saberes dos terreiros à prevenção do câncer em mulheres negras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 13:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a cartilha “Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer”, uma publicação que propõe unir conhecimento científico e saberes tradicionais dos terreiros para ampliar o acesso à informação e estimular o cuidado integral com a saúde de mulheres negras. Disponível gratuitamente na internet, o material aborda os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a cartilha “Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer”, uma publicação que propõe unir conhecimento científico e saberes tradicionais dos terreiros para ampliar o acesso à informação e estimular o cuidado integral com a saúde de mulheres negras. Disponível gratuitamente na internet, o material aborda os tipos de câncer mais frequentes nesse grupo, hábitos que podem reduzir ou aumentar riscos e a importância do diagnóstico precoce.</p>
<p>Escrita em tom de conversa e ilustrada com imagens de mulheres e famílias negras, a cartilha traz referências à mitologia iorubá e destaca práticas de autocuidado inspiradas nas yabás — as orixás femininas. Entre os temas tratados estão a relevância da amamentação na prevenção do câncer de mama, os sinais de alerta para o câncer colorretal e informações sobre a transmissão do câncer do colo do útero, associado à via sexual.</p>
<p>Além da orientação clínica, o material dedica espaço ao debate sobre como o racismo estrutural e o racismo religioso impactam diretamente o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. A publicação aponta que estigmas históricos, como o mito de que mulheres negras suportam mais a dor, contribuem para atrasos no atendimento e para a subnotificação de sintomas. Também aborda situações de discriminação vividas por praticantes de religiões de matriz africana nos serviços de saúde.</p>
<p>A cartilha foi desenvolvida para circular nos terreiros e é resultado da pesquisa “Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer em Mulheres Negras”, realizada entre 2023 e 2025 por pesquisadoras do Inca, em parceria com mulheres de casas de candomblé do estado do Rio de Janeiro. Participaram do processo o Ilê Axé Obá Labí, em Pedra de Guaratiba, na zona oeste carioca, e o Ilê Axé Egbé Iyalodê Oxum Karê Adê Omi Arô, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.</p>
<p>Para Iyá Katiusca de Yemanjá, liderança do terreiro Obá Labí e colaboradora da cartilha, a discriminação cotidiana ainda afasta mulheres negras dos serviços de saúde. Ela relata situações de constrangimento relacionadas ao uso do nome religioso e reforça que os terreiros historicamente desempenham papel fundamental na promoção da saúde comunitária. Segundo a sacerdotisa, práticas como banhos de ervas, chás e cuidados específicos com a saúde íntima fazem parte de uma visão integrada do corpo, especialmente importante para mulheres sobrecarregadas pela rotina de trabalho e responsabilidades familiares.</p>
<p>A publicação também chama atenção para episódios de intolerância relacionados à indumentária religiosa. Mãe Nilce de Iansã, coordenadora-geral da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), aponta que há casos de pacientes pressionadas a retirar fios de conta durante atendimentos médicos, mesmo quando não há necessidade clínica. Para ela, o racismo religioso é um determinante social de saúde que influencia diretamente a qualidade do cuidado recebido.</p>
<p>Ao aproximar os saberes ancestrais dos conhecimentos técnicos da medicina, a cartilha busca fortalecer vínculos, ampliar o acesso à informação e promover a prevenção. As autoras defendem que os terreiros são espaços de acolhimento, solidariedade e cuidado, e que o diálogo entre ciência e cultura é essencial para enfrentar desigualdades e reduzir o impacto do câncer na vida das mulheres negras.</p>
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		<title>Marcha das Mulheres Negras retorna a Brasília em 25 de novembro</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/marcha-das-mulheres-negras-retorna-a-brasilia-em-25-de-novembro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2025 11:40:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Igualdade Racial]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
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					<description><![CDATA[Dez anos após mobilizar mais de 100 mil mulheres na capital federal, a Marcha das Mulheres Negras volta a Brasília no próximo dia 25 de novembro, com o objetivo de reunir 1 milhão de participantes de todo o Brasil e da América Latina. A manifestação, que parte do Museu Nacional rumo ao Congresso Nacional, reafirma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dez anos após mobilizar mais de 100 mil mulheres na capital federal, a Marcha das Mulheres Negras volta a Brasília no próximo dia 25 de novembro, com o objetivo de reunir 1 milhão de participantes de todo o Brasil e da América Latina. A manifestação, que parte do Museu Nacional rumo ao Congresso Nacional, reafirma o compromisso com a luta por justiça racial, igualdade de gênero e políticas de reparação.</p>
<p>Com o tema “Reparação e Bem Viver”, o ato propõe um novo modelo de sociedade, baseado na dignidade, no acesso a direitos e na liberdade de meninas e mulheres negras — que historicamente enfrentam os maiores índices de desigualdade social no país.</p>
<blockquote><p>“Quando falamos de bem viver, falamos de vida com dignidade, de direitos para toda a sociedade. Isso envolve reparação, cuidado e compromisso com todos os seres viventes”, explica Iyálorisà Adriana t’Omolú, integrante do Comitê Impulsor Nacional da Marcha.</p></blockquote>
<figure id="attachment_86492" aria-describedby="caption-attachment-86492" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-86492" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-XI-Marcha-das-Mulheres-Negras-em-julho-de-2025-no-Rio-de-Janeiro-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="XI Marcha Das Mulheres Negras, Em Julho De 2025, No Rio De Janeiro - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-XI-Marcha-das-Mulheres-Negras-em-julho-de-2025-no-Rio-de-Janeiro-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-XI-Marcha-das-Mulheres-Negras-em-julho-de-2025-no-Rio-de-Janeiro-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-XI-Marcha-das-Mulheres-Negras-em-julho-de-2025-no-Rio-de-Janeiro-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-XI-Marcha-das-Mulheres-Negras-em-julho-de-2025-no-Rio-de-Janeiro-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86492" class="wp-caption-text">XI Marcha das Mulheres Negras, em julho de 2025, no Rio de Janeiro. &#8211; Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>O conceito de bem viver, segundo a organização, engloba educação, cultura, moradia, lazer, segurança, saúde, democracia e justiça climática — pilares que devem orientar as políticas públicas do país.</p>
<p>Entre os legados da marcha de 2015, estão o fortalecimento do debate sobre democracia participativa, a ampliação da presença de mulheres negras em espaços de decisão política e o combate a práticas antidemocráticas e fascistas.</p>
<h3>Caminhada e programação</h3>
<p>A concentração para a caminhada começa às 8h30, no Museu Nacional, seguindo até o Congresso Nacional. A organização orienta as participantes a se prepararem fisicamente e acompanharem as atividades das delegações locais.</p>
<p>Antes do grande ato, entre os dias 18 e 25 de novembro, Brasília sediará uma série de atividades culturais, rodas de conversa, oficinas e intervenções urbanas, além das comemorações do Dia da Consciência Negra (20/11).</p>
<p>O evento também contará com o Encontro Transnacional, de 21 a 24 de novembro, que reunirá lideranças negras, ativistas e artistas de diferentes partes do mundo — América Latina, Caribe, África, Europa e América do Norte. Nesse período, acontece ainda um encontro nacional de Casas Ballroom, inspirado na cultura LGBTQIA+ negra.</p>
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		<title>Ausência de mulheres negras na ciência ainda é um desafio</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/ausencia-de-mulheres-negras-na-ciencia-ainda-e-um-desafio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eliane Gervasio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 18:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ensino científico]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres cientístas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
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					<description><![CDATA[A presença de mulheres negras na ciência ainda é um grande desafio, especialmente nas áreas de exatas e biológicas. Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) defenda a igualdade de gênero como um fator essencial para o desenvolvimento sustentável, os dados mostram que essa inclusão ainda é limitada. No Brasil, a situação é ainda mais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A presença de mulheres negras na ciência ainda é um grande desafio, especialmente nas áreas de exatas e biológicas. Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) defenda a igualdade de gênero como um fator essencial para o desenvolvimento sustentável, os dados mostram que essa inclusão ainda é limitada. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante quando se cruza o recorte de gênero com o de raça.</p>
<p>De acordo com um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Gemaa/UERJ), em 2023, apenas 2,5% dos professores de pós-graduação em ciências exatas, da terra e biológicas eram mulheres negras, pardas ou indígenas. Já as mulheres brancas somavam 29,2%, enquanto os homens brancos dominavam o setor, com quase 61% dos cargos.</p>
<p>&#8220;A desigualdade de gênero já é evidente nessas áreas, mas a desigualdade racial torna o cenário ainda pior. Quando falamos da presença feminina nas ciências exatas, percebemos que a situação para mulheres negras é ainda mais grave&#8221;, avalia a pesquisadora Márcia Cândido, do Gemaa.</p>
<h3>Representatividade e desafios acadêmicos</h3>
<p>A professora Márcia Pereira, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), conhece essa realidade de perto. Ela é a única mulher negra no quadro de docentes do Centro Tecnológico da UFES, que conta com sete cursos de graduação e seis de pós-graduação em engenharia e informática. &#8220;Quando entrei na universidade, já era um ambiente predominantemente masculino e branco. Hoje, como docente, a situação ainda não mudou muito&#8221;, conta.</p>
<p>Para ela, a presença de mulheres negras na ciência é essencial para inspirar as novas gerações. &#8220;Eu sempre participei de palestras em escolas e atividades acadêmicas para mostrar às crianças que elas podem ocupar esse espaço. A representatividade é fundamental para romper barreiras.&#8221;</p>
<h3>O papel das cotas na transformação do ensino</h3>
<p>A política de cotas tem sido apontada como uma das ferramentas essenciais para ampliar a diversidade no ensino superior. A estudante Daphny Santos, de 19 anos, é um exemplo desse avanço. Ela faz parte da primeira turma de bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação do ImpaTech, faculdade do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), e ingressou pelo sistema de cotas.</p>
<p>&#8220;A diversidade na sala de aula me fez sentir mais acolhida e motivada. Ter outras pessoas com histórias parecidas com a minha mostra que podemos chegar longe&#8221;, afirma Daphny.</p>
<p>O ImpaTech reserva 50% das vagas para alunos de escola pública, e dentro desse percentual, há cotas específicas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Além disso, há uma reserva de vagas para garantir que pelo menos 25% dos alunos sejam mulheres.</p>
<h3>Desafios na docência e na pesquisa</h3>
<p>Apesar do avanço das cotas no ingresso universitário, o acesso das mulheres negras a cargos de docência e pesquisa ainda enfrenta obstáculos. A médica e pesquisadora Monique França, doutoranda em Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ressalta que a diversidade na ciência não é apenas uma questão de inclusão, mas uma necessidade para ampliar a qualidade das pesquisas.</p>
<p>&#8220;Quando você tem diferentes vivências dentro da academia, as pesquisas se tornam mais ricas e abrangentes. Muitas questões antes ignoradas começam a ser discutidas, como o impacto do racismo na saúde da população negra&#8221;, afirma Monique.</p>
<p>Além disso, a maternidade ainda é vista como um entrave na carreira acadêmica das mulheres. &#8220;Quando engravidei no mestrado, me perguntaram como eu faria para continuar os estudos. Essa pergunta nunca seria feita para um homem que está prestes a ser pai&#8221;, critica Monique.</p>
<h3>Caminhos para ampliar a diversidade</h3>
<p>A aplicação das cotas em concursos para professores universitários ainda enfrenta desafios. Segundo um estudo da Universidade Federal do Vale do São Francisco e do Insper, cerca de 10 mil professores negros poderiam ter sido contratados entre 2014 e 2022 caso as vagas não fossem fracionadas por departamento, o que impede a aplicação da reserva de 20% das vagas para negros, prevista na lei de cotas do serviço público.</p>
<p>Em 2023, o Congresso Nacional aprovou um projeto para ampliar a reserva de vagas para 30% e incluir indígenas e quilombolas. A proposta ainda está em tramitação no Senado.</p>
<p>Enquanto isso, pesquisadores e docentes defendem soluções alternativas, como editais únicos para diferentes áreas do conhecimento e seleções direcionadas para garantir mais equidade. &#8220;A diversidade na ciência não beneficia apenas as minorias. Ela promove inovação e desenvolvimento para toda a sociedade&#8221;, conclui Márcia Cândido.</p>
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		<title>Violência contra mulheres negras começa cedo e persiste: mais da metade é agredida antes dos 25 anos</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/violencia-contra-mulheres-negras-comeca-cedo-e-persiste-mais-da-metade-e-agredida-antes-dos-25-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ramon Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Nov 2024 16:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Doméstica]]></category>
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					<description><![CDATA[A violência doméstica contra mulheres negras no Brasil atinge números preocupantes, especialmente entre as mais jovens. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, realizada pelo DataSenado e Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher Contra a Violência, 53% das vítimas sofreram sua primeira experiência de agressão antes dos 25 [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A violência doméstica contra mulheres negras no Brasil atinge números preocupantes, especialmente entre as mais jovens. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, realizada pelo DataSenado e Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher Contra a Violência, 53% das vítimas sofreram sua primeira experiência de agressão antes dos 25 anos.</p>
<h3><strong>Tipos de violência e impactos</strong></h3>
<p>A pesquisa revelou que 87% das mulheres negras relataram agressões psicológicas, enquanto 78% sofreram violência física. Outras formas incluem violência patrimonial (33%) e sexual (25%). Situações como gritos, insultos, humilhações e ameaças foram citadas por 16% a 18% das entrevistadas.</p>
<p>Entre os dados mais alarmantes estão os de violência sexual: das mulheres vítimas, 62% são negras, segundo o Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp). Já os números do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) indicam que, das 3.373 mulheres assassinadas em 2022, 67% eram negras.</p>
<h3><strong>A busca por acolhimento</strong></h3>
<p>Quando vítimas de agressões, as mulheres negras recorrem, em sua maioria, a redes sociais de apoio informal, como família (60%), igreja (45%) e amigos (41%). Apenas 32% procuram delegacias comuns e 23% vão à Delegacia da Mulher.</p>
<p>Apesar de 55% das mulheres negras vítimas de violência buscarem apoio policial, apenas 28% solicitam medidas protetivas. Dessas, quase metade (48%) relata o descumprimento das ordens judiciais por parte dos agressores.</p>
<h3><strong>Desafios e o ciclo de violência</strong></h3>
<p>A analista Milene Tomoike, do Observatório da Mulher Contra a Violência, alerta que esses números refletem uma dinâmica de silenciamento das vítimas e a dificuldade de interromper o ciclo de violência.</p>
<p>“Os dados mostram a necessidade de iniciativas preventivas e políticas públicas mais robustas. É crucial garantir que as mulheres negras tenham acesso ampliado a serviços especializados e a uma rede de apoio efetiva, capaz de oferecer acolhimento, segurança e oportunidades reais para recomeçar”, explica Milene.</p>
<h3><strong>Caminhos para mudanças</strong></h3>
<p>O levantamento destaca a urgência de combater a violência estrutural contra mulheres negras, com ações que vão além do enfrentamento às agressões. Investir em educação, fortalecimento de redes de proteção e cumprimento rigoroso de medidas judiciais são passos essenciais para transformar essa realidade.</p>
<p>A pesquisa ouviu 13.977 mulheres negras em todas as regiões do país, com um nível de confiança de 95%, reforçando a abrangência e a seriedade dos resultados. Esses dados reiteram a necessidade de dar visibilidade ao tema e priorizar ações que promovam justiça e igualdade.</p>
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		<title>Homicídios crescem para mulheres negras e caem para não negras</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/homicidios-crescem-para-mulheres-negras-e-caem-para-nao-negras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 14:42:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Atlas da Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum Brasileiro de Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Ipea]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
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					<description><![CDATA[A nova edição do Atlas da Violência, publicação anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que a taxa de homicídios para mulheres negras cresceu no país 0,5% entre 2020 e 2021. No mesmo período, houve redução de 2,8% para as mulheres não negras, que incluem brancas, amarelas e indígenas. Em 2021, 2.601 mulheres [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
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<p>A nova edição do Atlas da Violência, publicação anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que a taxa de homicídios para mulheres negras cresceu no país 0,5% entre 2020 e 2021. No mesmo período, houve redução de 2,8% para as mulheres não negras, que incluem brancas, amarelas e indígenas.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Em 2021, 2.601 mulheres negras foram vítimas de homicídio no Brasil. Esse número representa 67,4% do total de mulheres assassinadas. Também corresponde a uma taxa de 4,3 vítimas para cada população de 100 mil. Trata-se de um índice 79% superior ao das mulheres não negras.</p>
<p>&#8220;Historicamente, pessoas negras são as maiores vítimas de violência no Brasil, aspecto que, infelizmente, se discute ano após ano nas edições do Atlas da Violência. Quando falamos de violência contra as mulheres, os dados não diferem: a violência letal é mais prevalente entre mulheres negras do que não negras&#8221;, conclui a publicação.</p>
<p>São indicadas algumas razões para esse cenário, entre eles, fatores econômicos. A discriminação racial e de gênero no mercado de trabalho e o consequente menor rendimento das mulheres negras na comparação com as mulheres não negras as tornam mais dependentes do cônjuge e mais passíveis de sofrerem violência de gênero.</p>
<p>O Atlas da Violência se baseia principalmente em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos sob gestão do Ministério da Saúde. Também são levados em conta os mapeamentos demográficos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A série histórica de homicídios foi atualizada incluindo informações de 2021.</p>
<h2>Mulheres assassinadas</h2>
<p>Conforme a publicação, entre 2020 e 2021, 14 unidades da federação apresentaram crescimento na taxa de mulheres assassinadas. Os menores índices são de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Distrito Federal.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Roraima está no topo dos estados com maiores taxas de homicídios de mulheres no ano de 2021: 7,4 mulheres mortas a cada 100 mil. Ele é seguido por Ceará e Acre. &#8220;Chama atenção que Roraima, mesmo apresentando uma redução de quase 41%, permanece como o estado com maior taxa de homicídios femininos no país&#8221;, informa o Ipea.</p>
<p>São listadas três causas para o aumento da violência de gênero contra as mulheres nos últimos anos. O primeiro é a redução significativa do orçamento público federal para as políticas de enfrentamento ao problema. Segundo o Atlas, a proposta orçamentária do governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, reduziu em 94% os recursos previstos. Outro fator seria o radicalismo político, que teria reforçado valores do patriarcado.</p>
<p>Por último, a pandemia de covid-19 teria produzido cinco efeitos: restrição do funcionamento dos serviços protetivos, menor controle social devido ao isolamento, aumento dos conflitos associado a uma maior convivência, alta dos divórcios e perda econômica relativa das mulheres na família.</p>
<h2>Violência de gênero</h2>
<p>Dados do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2022 &#8211; reunidos no Atlas da Violência &#8211; trazem informações que reforçam o panorama de aumento da violência de gênero.</p>
<p>&#8220;Quando a respondente foi perguntada se sofreu batida, empurrão ou chute nos últimos 12 meses, 11,6% das mulheres responderam positivamente, ante um índice de 6,3% na pesquisa de 2021&#8221;, informa a publicação.</p>
<p>Segundo o Atlas da Violência, os números representam apenas a ponta do iceberg. &#8220;Nunca houve interesse dos governos em produzir, no plano nacional, uma pesquisa domiciliar com metodologia robusta, com amostragem aleatória e os necessários requisitos metodológicos para que as entrevistadas pudessem reportar verdadeiramente os fatos sobre esse tema tão delicado&#8221;, revela a publicação.</p>
<p>Além disso, é lembrado que o crime de feminicídio foi tipificado em 2015, o que ainda é muito recente. Dessa forma, os órgãos de segurança ainda estão em um processo de aprendizado na correta classificação. O crime de feminicídio é caracterizado como o assassinato que envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Sendo assim, nem todo homicídio que tem uma mulher como vítima se enquadra como feminicídio.</p>
<p>A maior parte das mulheres assassinadas no Brasil é morta fora de suas casas. Mas chama atenção nos dados que, enquanto o homicídio de mulheres caiu a partir de 2018 acompanhando a tendência de homicídios em geral, o assassinato de mulheres dentro das residências mantém estabilidade. No recorte por idade, no entanto, notam-se mudanças.</p>
<p>&#8220;É interessante observar que, ao longo do tempo, há proporcionalmente menos homicídios de mulheres dentro das residências para as faixas etárias abaixo de 24 anos; ao mesmo tempo, observa-se relativa estabilidade nessa proporção para jovens adultas entre 25 a 29 anos, e aumento proporcional na letalidade de mulheres acima de 30 anos de idade&#8221;, informa a publicação.</p>
<p>Esse movimento é explicado por dois fatores: a redução das populações de jovens em decorrência do envelhecimento populacional e uma maior propensão das gerações mais novas em refutar valores do patriarcado.</p>
<h2>População negra</h2>
<p>Mesmo quando os dados envolvem a população negra, incluindo homens e mulheres, o cenário é similar. Em 2021, 79% de todas as vítimas de homicídio eram negros. A publicação aponta que condições socioeconômicas fazem desta população um grupo mais vulnerável, mas indica que é preciso considerar também um outro fator.</p>
<p>&#8220;Duas pessoas com as mesmas características (escolaridade, sexo, idade, estado civil), que moram no mesmo bairro, sendo uma negra e uma branca, a primeira tem 23% a mais de chances de ser assassinada em relação à segunda. Ou seja, além dos canais indiretos, por meio dos quais o racismo estrutural opera para legar uma maior taxa de letalidade para a população negra, há o racismo que mata, operando diretamente na letalidade contra negros, por meio de um processo atávico de desumanização, que imprime uma imagem estereotipada do negro como perigoso, como pobre e bandido&#8221;, observa a publicação.</p>
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		<title>Consciência Negra: coletivo destaca trajetórias de servidoras pretas</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/consciencia-negra-coletivo-destaca-trajetorias-de-servidoras-pretas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Nov 2023 13:35:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Dia da Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
		<category><![CDATA[Serviço Público]]></category>
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					<description><![CDATA[Mulheres pretas que tiveram carreira de destaque no serviço público são o foco de um perfil de rede social que busca combater a invisibilidade dessas personalidades e servir de inspiração para outras negras. A iniciativa é do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, que criou a página @servidorasnegras no Instagram. [&#8230;]]]></description>
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<p>Mulheres pretas que tiveram carreira de destaque no serviço público são o foco de um perfil de rede social que busca combater a invisibilidade dessas personalidades e servir de inspiração para outras negras. A iniciativa é do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, que criou a página @servidorasnegras no Instagram.  <img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Em cada uma das cinco semanas deste mês da Consciência Negra, o coletivo publica uma minibiografia das servidoras que abriram caminhos no serviço público.</p>
<p>A primeira a ser homenageada pela página reúne ainda o elemento curiosidade. Uma mulher que ficou conhecida como Primeira-Dama do Samba, mas que marcou o nome também na reforma psiquiátrica no Brasil. Yvonne Lara da Costa era servidora do Ministério da Saúde e, no mundo da música, ficou conhecida como Dona Ivone Lara.</p>
<p>Não bastasse a relevância que teve no ambiente do samba, Dona Ivone teve uma carreira de destaque como servidora pública voltada para a saúde mental. Foram 37 anos de atuação. Formada em enfermagem e assistência social, a cantora e compositora teve papel de vanguarda ao levar para pacientes o mesmo que oferecia aos admiradores de sua produção artística, a música.</p>
<p>Yvonne Lara da Costa era especializada em terapia ocupacional. O interesse de usar a música nos tratamentos levou à união com outro grande nome do cuidado psiquiátrico no país, Nise da Silveira. As duas trabalham juntas no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nise revolucionou o tratamento psiquiátrico no país com ações humanizadas, em contraste aos procedimentos agressivos como eletrochoques e lobotomia. Yvonne sugeriu a Nise que criasse uma sala com <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/ivone-lara-100-anos-como-enfermeira-influenciou-sambista" target="_blank" rel="noopener">instrumentos musicais</a> dentro do hospital em que trabalhavam, isso na década de 40.</p>
<p>“O trabalho de Dona Ivone Lara como servidora foi fundamental para a reforma psiquiátrica no Brasil”, afirma o perfil, que traz uma foto da então enfermeira no hospital em que trabalhava. Dona Ivone morreu em 2018, aos 96 ano.</p>
<h2>Surgimento</h2>
<p>O coletivo de servidoras negras tem cerca de 170 participantes. O grupo foi criado no começo do ano, depois de uma declaração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, sobre dificuldade de conseguir mulheres pretas para compor a equipe.</p>
<p>“Quero não só ter mulheres, mas mulheres pretas. E a gente sabe, lamentavelmente, que mulheres pretas normalmente são arrimo de família. Trazer de fora de Brasília é muito difícil”, disse Tebet, um dia antes de tomar posse em 4 de janeiro.</p>
<p>“Algumas mulheres negras se sentiram particularmente atingidas por essa fala, que não condiz com a realidade. A gente tem um grupo significativo de mulheres com qualificações até mais altas que a de algumas pessoas que estão em determinados cargos do governo. Então, essas mulheres começaram a se organizar”, explicou Barbara Rosa, uma das organizadoras do coletivo.</p>
<p>Barbara é servidora do Ministério da Educação (MEC) e está cedida ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), onde atua como coordenadora de planejamento de contratações.</p>
<p>À época da posse, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, se comprometeu a ajudar Tebet com uma lista de currículos de mulheres pretas. No dia da posse, Tebet comentou sobre a ajuda. “Foi bom que agora está vindo um monte de currículo. Estou achando ótimo”.</p>
<h2>Diplomata</h2>
<p>O Itamaraty foi a casa de outra homenageada pelo perfil @servidorasnegras. Trata-se de Mônica de Menezes Campos. Em 1978, aos 22 anos, Mônica foi a primeira mulher preta a ingressar no Instituto Rio Branco, órgão do governo para formação de diplomatas. Em 1980, se tornou a primeira negra diplomata.</p>
<p>“Sua admissão à carreira diplomática foi um marco. A trajetória de Mônica de Menezes Campos é um referencial para mulheres negras do serviço exterior brasileiro e para candidatas às carreiras de diplomata e de oficial de chancelaria”, publicou o coletivo no Instagram. Mônica morreu em 1985, aos 27 anos, vítima de um aneurisma cerebral.</p>
<p>No último dia 9 de novembro, o Itamaraty realizou o seminário Relações Internacionais, Política Externa e Igualdade Racial: Reflexões em Homenagem a Mônica de Menezes Campos. O encontro abordou o programa de ação afirmativa do MRE, igualdade racial como objetivo transversal da política externa, impacto de acadêmicas negras na teoria das relações internacionais e igualdade racial no serviço exterior.</p>
<h2>Primeira engenheira negra</h2>
<p>Outra servidora lembrada é Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil. Filha de um lavrador e de uma empregada doméstica, a curitibana se formou em engenharia civil em 1945, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Precisou trabalhar como doméstica para ajudar a pagar os estudos. Foi a primeira mulher a atingir a formação em engenharia no estado.</p>
<p>“Ao longo da graduação, Enedina teve embates com colegas, professores e com a própria instituição de ensino, por ser mulher, negra e pobre em um curso reservado aos homens brancos e ricos”, diz a publicação no Instagram.</p>
<p>Funcionária do Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná, Enedina foi uma das responsáveis pela construção da Usina Capivari-Cachoeira (atual Parigot de Souza), inaugurada em 1971 no município de Antonina, litoral do Paraná.</p>
<p>“Enedina abriu espaços para a presença de pessoas negras e de mulheres na engenharia, sendo ainda hoje inspiração para mulheres negras que buscam espaço nas áreas de ciência e tecnologia”, escreveu o coletivo.</p>
<p>Em janeiro deste ano, quando completou 110 anos de nascimento, a engenheira preta recebeu uma homenagem na página de busca principal do Google.</p>
<p>A biografia de Enedina, que em 1940 buscou inserir-se em uma área profissional ocupada majoritariamente por homens, foi tema do trabalho de conclusão do curso de história na UFPR.</p>
<p>Enedina morreu em 20 de agosto de 1981, aos 61 anos.</p>
<h2>Pioneira na medicina</h2>
<p>A baiana Maria Odília Teixeira é mais uma das homenageadas pelo perfil. Filha de um médico branco de origem pobre e neta &#8211; por parte de mãe – de uma ex-escravizada, Maria Odília se tornou a primeira negra formada em medicina no país, em 1909.</p>
<p>Ainda na graduação, trabalhou para desmistificar teorias embasadas no racismo científico. Apresentou tese sobre a cirrose, desvinculando-a da população preta.</p>
<p>“A médica optou por não discutir os aspectos sociais da doença, nem atribuiu fatores genéticos e raciais às pessoas que desenvolviam a cirrose alcoólica. Diferentemente de muitos contemporâneos, Odília não recorreu a nenhum pressuposto das teorias racialistas”, escreveu em dissertação acadêmica Mayara Santos, mestre em história social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>
<p>Em 1914, Maria Odília atingiu mais um pioneirismo ao ser a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou. A primeira médica negra do Brasil morreu em 1970, aos 86 anos.</p>
<h2>Música e ativismo</h2>
<p>Aos 85 anos, uma homenageada que une ativismo pelo movimento negro e pioneirismo na educação é Lydia Garcia, primeira professora de música da rede pública do Distrito Federal. A carioca, formada em piano clássico, é filha de uma costureira e de um funcionário público. Ela foi para a capital federal na década de 60, onde vive atualmente.</p>
<p>Lydia se utilizava de atividades como ciranda, coral, cantigas, entre outras, para iniciar crianças no mundo musical. Além do ensino de alunos, atuou também na formação de professores.</p>
<p>Ela criou, há mais de 30 anos, o Bazafro, ateliê cultural de moda e arte étnica que valoriza a autoestima e historicidade do povo negro. Além disso, é matriarca do Coletivo de Mulheres Negras Baobá.</p>
<p>A pianista, professora e ativista é vencedora do 1º Prêmio Cultura Afro-Brasileira, promovido pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, e do 3º Prêmio Marielle de Direitos Humanos, oferecido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.</p>
<h2>Inspiração</h2>
<p>A servidora do MEC Barbara Rosa contou que os nomes foram escolhidos em reuniões do coletivo, e a divulgação dos perfis tem dois objetivos principais.</p>
<p>“O primeiro é proporcionar reflexão sobre a carreira, sobre as possibilidades que a gente tem. O segundo é reconhecer e valorizar o legado dessas mulheres, seja em vida ou pós-morte. Trazer à luz essas trajetórias.”</p>
<p>Além de combater o que classifica como invisibilidade de servidoras públicas pretas, o coletivo acredita que a iniciativa é um incentivo para que mais negras queiram fazer carreira no setor.</p>
<p>“Nosso perfil atinge não só mulheres que já são servidoras. Queremos inspirar nessas trajetórias históricas e consolidadas, porém não tão visíveis, outras mulheres que almejam destaque no serviço público”.</p>
<h2>Representatividade</h2>
<p>Reportagem publicada pela Agência Brasil no mês passado mostrou que pessoas negras, apesar de figurarem como maioria da população brasileira (56%), são apenas 35% no serviço público federal, além de receber menores salários.</p>
<p>O coletivo de mulheres negras reconhece a baixa representatividade. Esse é um dos motivos para a realização de seminários preparatórios para concursos públicos. De agosto a outubro, 250 pessoas participaram dos encontros.</p>
<p>Barbara acredita que a valorização de mulheres negras no setor público se dá por meio de mais presença e igualdade.</p>
<p>“Essa valorização se dá tanto por valorizar as carreiras onde estamos, na redução das desigualdades salarias entre carreiras, na garantia de oportunidades de ascensão e exercício de liderança, e na ampliação da participação nas carreiras onde somos minoria”, disse.</p>
<p>“Para fazer isso é necessário reformular a forma de ingresso a fim de garantir diversidade e, ao mesmo tempo, propiciar que pessoas que já são servidoras tenham oportunidades de terem carreiras que garantam qualidade de vida e dignidade”, conclui.</p>
<h2>Lei de Cotas</h2>
<p>A disparidade entre negros e brancos poderia ser pior não fosse a Lei de Cotas (Lei 12.990, de 9 de junho de 2014), que reserva 20% das vagas em concursos públicos da União para pretos e pardos. No ano 2000, para cada 100 novos servidores do Executivo federal, 17 eram negros. Em 2020, essa relação saltou para 43 em 100 novos aprovados.</p>
<p>A lei tem vigência de dez anos a contar de 2014, mas há iniciativas para que seja prorrogada. Uma delas é o Projeto de Lei 1.958, de 2021, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), que tramita no Senado e mantém a reserva de 20% por mais dez anos.</p>
<p>Dentro do governo, além de interesse na prorrogação da lei, há um movimento para aumentar a faixa de reserva de 20% para 30%. A proposta foi construída pelos ministérios da Igualdade Racial, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e da Justiça e Segurança Pública.</p>
<h2>Comissionados</h2>
<p>Outra medida para diminuir a desigualdade dentro do serviço público é o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março deste ano, que reserva 30% dos cargos de confiança na administração direta, autarquias e fundações para pessoas negras.</p>
<p>As cotas são para os cargos comissionados executivos (CCE), de livre nomeação, e as funções comissionadas executivas (FCE), também de livre nomeação, mas exclusivas para servidores concursados. A norma determina a observação da paridade de gênero na ocupação desses cargos.</p>
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		<title>Anielle Franco anuncia programas de educação e intercâmbio</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/anielle-franco-anuncia-programas-de-educacao-e-intercambio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Jul 2023 21:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[bolsas de doutorado]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Programa Atlânticas]]></category>
		<category><![CDATA[programas de educação e intercâmbio]]></category>
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					<description><![CDATA[O Ministério da Igualdade Racial (MIR) anunciou, nesta quinta-feira (13), a oferta de bolsas de doutorado e pós-doutorado sanduíche no exterior para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas, pelo Programa Atlânticas &#8211; Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência. A iniciativa homenageia a pesquisadora negra sergipana Beatriz Nascimento. A ativista do movimento negro criticava a postura [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério da Igualdade Racial (MIR) anunciou, nesta quinta-feira (13), a oferta de bolsas de doutorado e pós-doutorado sanduíche no exterior para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas, pelo Programa Atlânticas &#8211; Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência. A iniciativa homenageia a pesquisadora negra sergipana Beatriz Nascimento. A ativista do movimento negro criticava a postura considerada por ela como despreocupada e negligente tanto da academia, quanto das pesquisas por não haver aprofundamento sobre a história do povo negro no Brasil, bem como de suas origens africanas.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Ao todo, o governo federal vai investir aproximadamente R$ 7 milhões, resultado da parceria entre os ministérios da Igualdade Racial; da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI); das Mulheres; dos Povos Indígenas; e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao MCTI.</p>
<figure id="attachment_60803" aria-describedby="caption-attachment-60803" style="width: 463px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/07/13-Governo-vai-investir-R-7-milhoes-no-programa-Atlanticas-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-60803" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/07/13-Governo-vai-investir-R-7-milhoes-no-programa-Atlanticas-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=463%2C309&#038;ssl=1" alt="Governo Vai Investir R$ 7 Milhões No Programa Atlânticas - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="463" height="309" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/07/13-Governo-vai-investir-R-7-milhoes-no-programa-Atlanticas-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/07/13-Governo-vai-investir-R-7-milhoes-no-programa-Atlanticas-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /></a><figcaption id="caption-attachment-60803" class="wp-caption-text">Governo vai investir R$ 7 milhões no programa Atlânticas, diz Anielle &#8211; Fabio Rodrigues &#8211; Pozzebom/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>O anúncio foi feito pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante um café da manhã com parlamentares, nesta quinta-feira, na sede da pasta, em Brasília. Participaram do encontro as deputadas Talíria Petrone (PSOL-RJ), Reginete Bispo (PT-RS), Dandara Tonantzin (PT-MG), Carol Dartora (PT-PR) e Gisela Simona (União-MT), além do ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Alexandre Padilha, e outras mulheres negras convidadas.</p>
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<h2>Como concorrer</h2>
<p>O Programa Atlânticas &#8211; Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência 2023 será anunciado em 20 de julho, em Belém (Pará). Mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas &#8212; regularmente matriculadas em curso de Doutorado reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ou que tenham concluído programa de pós graduação igualmente reconhecido pela CAPES em qualquer área de conhecimento – poderão concorrer a, pelo menos, 45 bolsas de doutorado sanduíche e de pós-doutorado oferecidas no exterior.</p>
<h2>Mestrandos quilombolas</h2>
<p>Ainda na área de educação, o MIR assinará um protocolo de intenções com a Universidade de Brasília (UnB), para oferecer bolsas de mestrado para sete estudantes no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais da UnB. A secretária-executiva Roberta Eugênio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) destacou o pioneirismo da iniciativa. “É o primeiro programa de pós-graduação voltado para populações quilombolas”.</p>
<h2>Caminhos Amefricanos</h2>
<p>No próximo dia 31, no Maranhão, será lançado o Caminhos Amefricanos &#8211; Programa de Intercâmbio Sul-Sul, que pretende estimular a socialização de conhecimentos, experiências e políticas públicas que contribuam para o combate e superação do racismo no Brasil. O programa, voltado a estudantes de licenciatura, homenageia a filósofa e antropóloga brasileira Lélia Gonzales. O objetivo do Caminhos Amefricanos é permitir experiências de curta duração no exterior em países africanos, latino-americanos e caribenhos.​</p>
<p>O programa é resultado da parceria entre os ministérios MIR, da Educação, das Relações Exteriores e, também, da Capes.</p>
<p>A assessora especial de Assuntos Estratégicos do MIR, Marcelle Decothé, adiantou que neste mês, o Julho das Pretas, será assinado um memorando de entendimento com a Colômbia, com eixos de cooperação na área de educação, fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e a proteção de populações quilombolas.</p>
<p>O Julho das Pretas é um movimento para abrir um espaço de luta por direitos e debate para as mulheres pretas na sociedade brasileira e tem seu ápice no dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.</p>
<p>Marcelle Decothé fala sobre os primeiros passos do Caminhos Amefricanos “A gente pretende mobilizar no seu primeiro eixo, os professores, estudantes de licenciatura. Vamos fazer essa articulação junto com a Colômbia em um memorando de entendimento, um acordo com operação para um intercâmbio de professores quilombolas, aqui no Brasil.</p>
<p>De acordo com a assessora especial de Assuntos Estratégicos do MIR, o programa tem o objetivo de fortalecer a Lei 10.639 de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, como forma de ressaltar a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira, desde a diáspora negra, com o deslocamento forçado de africanos ao Brasil.</p>
<p>Por isso, Marcelle Decothé revelou que este programa de intercâmbio Sul-Sul vai cruzar o Atlântico. “Nosso próximo passo é promover esse intercâmbio em outros países da África: em Moçambique, Cabo Verde e na África do Sul, com outras universidades do Brasil”.</p>
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