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	<title>MPF &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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	<description>Um Jornal que fala a língua do Brasil</description>
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	<title>MPF &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>INSS inicia adesão para restituição de descontos ilegais em benefícios previdenciários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucio Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jul 2025 18:25:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[AGU]]></category>
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					<description><![CDATA[O INSS começou a receber, nesta sexta-feira (11), as adesões ao acordo de ressarcimento para aposentados e pensionistas vítimas de descontos ilegais de mensalidades associativas entre março de 2020 e março de 2025. Quem aderir vai receber os valores indevidos, em parcela única e corrigidos pelo IPCA, sem precisar recorrer à Justiça. A adesão está [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O INSS começou a receber, nesta sexta-feira (11), as adesões ao acordo de ressarcimento para aposentados e pensionistas vítimas de descontos ilegais de mensalidades associativas entre março de 2020 e março de 2025. Quem aderir vai receber os valores indevidos, em parcela única e corrigidos pelo IPCA, sem precisar recorrer à Justiça.</p>
<p>A adesão está disponível para beneficiários que já contestaram os descontos e não obtiveram resposta das entidades associativas. O pedido pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS, na aba <em>“Consultar Pedidos”</em> e <em>“Cumprir Exigência”</em>, ou presencialmente em agências dos Correios.</p>
<p><strong>Como funciona o pagamento?</strong></p>
<ul>
<li>Nenhum valor será cobrado do segurado.</li>
<li>O depósito será feito na conta em que o beneficiário já recebe o benefício.</li>
<li>Os primeiros pagamentos serão liberados em 24 de julho, seguindo ordem cronológica das adesões, com lotes diários de até 100 mil pessoas.</li>
</ul>
<p>Quem entrou com ação judicial também pode aderir, mas deve desistir do processo para evitar recebimento em duplicidade.</p>
<p>Além das adesões espontâneas, o INSS vai priorizar automaticamente pessoas em situação de vulnerabilidade, como idosos com mais de 80 anos em 2024, indígenas e quilombolas.</p>
<p>Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, já são mais de 1,86 milhão de pessoas aptas a aderir ao acordo. O governo federal prevê um gasto de cerca de R$ 3 bilhões para ressarcir até 4,1 milhões de vítimas, com crédito extraordinário previsto em Medida Provisória.</p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, em vídeo nas redes sociais, que todos os prejudicados receberão o dinheiro “integralmente e corrigido pela inflação” e que os responsáveis pelas fraudes serão punidos.</p>
<blockquote><p><em>“Aposentadoria é um direito sagrado”, afirmou Lula.</em></p></blockquote>
<p><strong>Prazo para novas contestações</strong></p>
<p>Quem ainda não contestou descontos pode fazê-lo pelo Meu INSS, pelo telefone 135 ou nos Correios. Por ora, o prazo vai até 14 de novembro de 2025, podendo ser prorrogado.</p>
<p>O governo garante ainda que as entidades responsáveis pelos descontos serão cobradas judicialmente para ressarcir os cofres públicos.</p>
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		<title>STF forma maioria para manter símbolos religiosos em repartições públicas</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/stf-forma-maioria-para-manter-simbolos-religiosos-em-reparticoes-publicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eliane Gervasio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Nov 2024 22:28:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[MPF]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Símbolos Religiosos]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[O Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou, nesta segunda-feira (25), maioria de votos favorável à manutenção de símbolos religiosos em órgãos públicos em todo o Brasil. Até o momento, seis dos 11 ministros da Corte rejeitaram o recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), que defendia a proibição de crucifixos, imagens de santos e outros itens [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou, nesta segunda-feira (25), maioria de votos favorável à manutenção de símbolos religiosos em órgãos públicos em todo o Brasil. Até o momento, seis dos 11 ministros da Corte rejeitaram o recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), que defendia a proibição de crucifixos, imagens de santos e outros itens religiosos em prédios públicos.</p>
<p>O MPF argumentou que a exibição desses símbolos contraria os princípios constitucionais da liberdade religiosa e da laicidade do Estado. No entanto, prevaleceu o entendimento do relator, ministro Cristiano Zanin, de que esses elementos representam aspectos culturais e históricos da sociedade brasileira, e sua presença não viola a Constituição.</p>
<p>&#8220;A exibição de símbolos religiosos em órgãos públicos, quando reflete a tradição cultural da sociedade brasileira, não contraria os princípios da laicidade estatal, da impessoalidade ou da não discriminação&#8221;, afirmou Zanin em seu voto. O ministro também destacou que a influência do cristianismo se manifesta em feriados, topônimos e outros elementos culturais do país.</p>
<p>Além de Zanin, os ministros Flávio Dino, André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Edson Fachin acompanharam o voto do relator.</p>
<p>O julgamento, realizado em plenário virtual, deve ser concluído nesta terça-feira (26). A decisão reforça o entendimento de que a laicidade do Estado brasileiro não impede manifestações culturais vinculadas à religião nos espaços públicos.</p>
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		<title>PF Conclui Iiquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips e indicia nove suspeitos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucio Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 15:13:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Philips]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[relatório final]]></category>
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					<description><![CDATA[Após dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu na última sexta-feira (1º) o inquérito sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em junho de 2022 em Atalaia do Norte, Amazonas. De acordo com o relatório final, foram confirmadas nove pessoas indiciadas, incluindo Ruben Dario [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu na última sexta-feira (1º) o inquérito sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em junho de 2022 em Atalaia do Norte, Amazonas. De acordo com o relatório final, foram confirmadas nove pessoas indiciadas, incluindo Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime, e outros suspeitos acusados de participar diretamente das execuções e da ocultação dos corpos.</p>
<p>O relatório da PF reitera que o crime foi motivado pelas atividades de fiscalização promovidas por Pereira na região, destinadas à preservação ambiental e à proteção dos direitos indígenas, o que gerou conflitos com grupos locais. “A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, afirma a PF em nota oficial.</p>
<h4><strong>Detalhes da Investigação</strong></h4>
<p>Segundo o inquérito, o jornalista Dom Phillips, de 57 anos, viajou ao local para realizar entrevistas com líderes indígenas e comunidades ribeirinhas para um livro sobre a Amazônia. Phillips, colaborador de publicações internacionais como *The Guardian* e *The New York Times*, era fluente em português e já conhecia a região, mas foi acompanhado por Pereira, um indigenista de 41 anos, que atuava na ONG União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) após se licenciar da Funai.</p>
<p>A PF esclareceu que, mesmo afastado da Funai, Pereira continuava defendendo os interesses das comunidades locais, o que o levou a contrariar grupos que promovem atividades ilegais na região. “Ele auxiliava na implementação de projetos para proteger os territórios e os recursos naturais das comunidades tradicionais,” diz o relatório.</p>
<h4><strong>Desdobramentos e Procedimentos Futuros</strong></h4>
<p>O Ministério Público Federal (MPF) agora avaliará o inquérito, podendo arquivá-lo ou apresentar uma denúncia formal à Justiça Federal, convertendo os investigados em réus. Se confirmada, a acusação oficial transformará o caso em processo judicial. Em paralelo, a PF continua monitorando ameaças aos indígenas da região e investigando possíveis riscos à segurança de outras lideranças locais.</p>
<p>O caso segue como um dos exemplos mais emblemáticos de ameaças a defensores ambientais e indígenas na Amazônia, ressaltando a complexidade das tensões na região.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80236" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?resize=575%2C2560&#038;ssl=1" alt="Bruno E Dom Linha Do Tempo - Expresso Carioca" width="575" height="2560" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?w=575&amp;ssl=1 575w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?resize=345%2C1536&amp;ssl=1 345w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?resize=460%2C2048&amp;ssl=1 460w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?resize=150%2C668&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/11/04-Bruno-e-dom-linha-do-tempo-Expresso-Carioca-scaled.webp?resize=750%2C3340&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 575px) 100vw, 575px" /></p>
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		<title>MPF pede condenação de 37 ex-agentes da ditadura por execução de Carlos Marighella</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2024 22:04:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Marighella]]></category>
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					<description><![CDATA[O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma nova ação civil pública, buscando responsabilizar 37 ex-agentes da ditadura militar pela execução de Carlos Marighella, em 1969. A ação, além de pedir a perda de aposentadorias e a restituição de valores pagos pelo Estado às famílias da vítima, busca indenização por danos morais coletivos causados à sociedade. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma nova ação civil pública, buscando responsabilizar 37 ex-agentes da ditadura militar pela execução de Carlos Marighella, em 1969. A ação, além de pedir a perda de aposentadorias e a restituição de valores pagos pelo Estado às famílias da vítima, busca indenização por danos morais coletivos causados à sociedade. Caso os réus já estejam falecidos, os herdeiros serão responsáveis por arcar com as reparações.</p>
<p>Carlos Marighella, ex-deputado e líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), foi emboscado e morto pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em São Paulo. Embora pudesse ser preso, ele foi executado desarmado. Entre os réus estão o ex-delegado Sérgio Fleury, que liderou a operação, e outros agentes envolvidos na repressão da época.</p>
<p>O MPF também solicita que a União e o estado de São Paulo realizem um ato público de desagravo à memória de Marighella e que o caso seja incluído em espaços de memória dedicados ao período da ditadura. Além disso, o ex-médico legista Abeylard de Queiroz Orsini é citado por omitir detalhes cruciais no laudo necroscópico que encobriram a execução.</p>
<p>A procuradora Ana Letícia Absy, autora da ação, reforça que a Lei da Anistia, frequentemente utilizada para impedir punições aos agentes da ditadura, foi criada para proteger os responsáveis pelos crimes do regime, destacando que seu contexto de aprovação invalida seu valor jurídico. O MPF já havia ajuizado outras ações envolvendo tortura e desaparecimento de militantes políticos.</p>
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		<title>Justiça determina remoção de conteúdos policiais que propagam ódio no YouTube</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/justica-determina-remocao-de-conteudos-policiais-que-propagam-odio-no-youtube/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2024 14:25:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[canais policiais no YouTube]]></category>
		<category><![CDATA[discurso de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[DPU]]></category>
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					<description><![CDATA[A Justiça Federal ordenou a suspensão de postagens no YouTube feitas por policiais que disseminam discursos de ódio, atendendo parcialmente a uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU). A decisão liminar abrange conteúdos específicos dos canais Copcast, Fala Glauber, Café com a Polícia e Danilsosnider. Liberdade de Expressão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça Federal ordenou a suspensão de postagens no YouTube feitas por policiais que disseminam discursos de ódio, atendendo parcialmente a uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU). A decisão liminar abrange conteúdos específicos dos canais Copcast, Fala Glauber, Café com a Polícia e Danilsosnider.</p>
<h4><strong>Liberdade de Expressão e Direitos Humanos</strong></h4>
<p>Segundo a ação, as postagens não só disseminam ódio, mas também abusam do direito à liberdade de expressão. A Justiça optou por suspender os conteúdos, em vez de excluí-los definitivamente, visando proteger os direitos humanos sem comprometer a liberdade de expressão e a atividade econômica dos envolvidos, mantendo a possibilidade de reverter a decisão até o julgamento final.</p>
<h4><strong>Combate ao Discurso de Ódio</strong></h4>
<p>O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto do MPF no Rio de Janeiro, Julio Araujo, destacou a importância da medida para combater esse tipo de conteúdo. &#8220;Os vídeos que incentivam a violência policial estigmatizam a população negra, pobre e periférica, necessitando de uma resposta do Estado e da empresa que hospeda os canais&#8221;, afirmou.</p>
<h4><strong>Notificações e Procedimentos</strong></h4>
<p>A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foi notificada para informar sobre os procedimentos adotados conforme a Instrução Normativa nº 0234/2023, que regula postagens em redes sociais. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro tem 15 dias para manifestar interesse em participar da ação civil pública.</p>
<h4><strong>Investigação e Ação Civil Pública</strong></h4>
<p>O caso foi investigado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF no Rio de Janeiro após reportagens do site de jornalismo independente Ponte Jornalismo, que destacou o conteúdo violento postado por policiais em canais do YouTube. Na ação civil pública ajuizada em maio, o MPF e a DPU solicitaram a exclusão imediata dos vídeos mencionados, além de medidas proativas do Google para prevenir futuros casos.</p>
<h4><strong>Medidas Solicitadas</strong></h4>
<p>Além da remoção dos conteúdos, a ação requer que o Google implemente um sistema de fiscalização contínua para rápida exclusão de material discriminatório. Também foi solicitado que o Estado regulamente o discurso de ódio por policiais, incluindo medidas disciplinares conforme a Instrução Normativa nº 0234/2023. O MPF e a DPU pedem ainda indenizações de R$ 1 milhão do Google e R$ 200 mil dos policiais por danos morais coletivos.</p>
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		<title>MPF pede manifestação do Estado sobre memória de João Cândido</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/mpf-pede-manifestacao-do-estado-sobre-memoria-de-joao-candido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2023 14:21:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
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		<category><![CDATA[João Cândido]]></category>
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		<category><![CDATA[Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania]]></category>
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		<category><![CDATA[negros]]></category>
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		<category><![CDATA[Revolta da Chibata]]></category>
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					<description><![CDATA[O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro solicitou uma manifestação da Comissão de Anistia e da Coordenação-Geral de Memória e Verdade sobre Escravidão e o Tráfico Transatlântico, ambas vinculadas ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, em relação à reparação financeira aos familiares do líder da Revolta da Chibata, João Cândido, e também em relação à inclusão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
<div class="post-item-wrap">
<p>O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro solicitou uma manifestação da Comissão de Anistia e da Coordenação-Geral de Memória e Verdade sobre Escravidão e o Tráfico Transatlântico, ambas vinculadas ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, em relação à reparação financeira aos familiares do líder da Revolta da Chibata, João Cândido, e também em relação à inclusão do nome dele no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Ambas terão 30 dias para se manifestar.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Conhecido como almirante negro, o marinheiro João Cândido Felisberto liderou, na Marinha, uma revolta para acabar com as práticas violentas contra os marinheiros. A Revolta da Chibata ocorreu em 1910, quando o grupo liderado por Cândido tomou o controle de embarcações na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Eles exigiam melhores condições e o fim dos castigos físicos e ameaçaram bombardear a capital. O estopim foi quando o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes foi punido com 250 chibatadas.</p>
<p>Mesmo sendo anistiado duas vezes, nem João Cândido nem a família receberam nenhum tipo de reparação financeira. O MPF abriu, então, um inquérito civil para acompanhar as medidas de valorização à memória do almirante negro.</p>
<blockquote><p>“O debate insere-se no contexto de busca pela valorização de figuras negras históricas importantes, de modo a promover a reparação pela escravidão – e de seu legado no pós-abolição – e o enfrentamento do racismo institucional ainda tão presente na sociedade brasileira”, destaca o documento do MPF, assinado pelo procurador Julio José Araujo Junior.</p></blockquote>
<p>O Ministério Público Federal cita o direito à memória e à dignidade humana, garantidos na Constituição Federal, assim como o Estatuto da Igualdade Racial. O MPF também menciona tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, como instrumentos que exigiriam uma resposta do Estado brasileiro tanto em relação à reparação financeira quanto ao reconhecimento do papel de João Cândido como herói brasileiro.</p>
<p>O texto argumenta também que, mesmo anistiado – tanto em 1910, quanto após a sua morte, em 2008 –, João Cândido foi perseguido e expulso da Marinha, o que acarretou uma série de consequências financeiras para ele e para a família. A reparação econômica está, por lei, entre as garantias aos anistiados políticos no Brasil.</p>
<blockquote><p>“A declaração de anistia foi um importante passo, mas veio desacompanhada de compensações à família de João Cândido, que tanto sofreu os efeitos da injusta postura do Estado brasileiro. Na prática, a justiça foi feita, porém de forma parcial”, diz o texto.</p></blockquote>
<p>Por fim, o MPF defende a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Criado em 1992, o também chamado Livro de Aço, abrigado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, registra os nomes das pessoas que tiveram uma trajetória importante na formação da história do país. Entre essas pessoas estão, por exemplo, Tiradentes, Chico Mendes e Machado de Assis.</p>
<p>O Projeto de Lei (PL) 4.046/2021, que trata da inclusão de João Cândido no livro, tramita na Câmara dos Deputados. “Mais do que uma reparação simbólica, o reconhecimento do Estado brasileiro em favor de João Cândido é uma sinalização de que nunca mais tais violações se repetirão. Constitui também um olhar para o futuro, de compromisso firme com o enfrentamento do racismo e da discriminação”, defende o MPF.</p>
<p>Além de ter sido enviado ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, o documento foi encaminhado, apenas para conhecimento, à presidência da Câmara dos Deputados e à presidência e aos parlamentares integrantes da Comissão de Cultura da Câmara, onde tramita o projeto de lei.</p>
</div>
</div>
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		<item>
		<title>MPF pede desmonte de acampamento no Comando Militar do Leste, no Rio</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/mpf-pede-desmonte-de-acampamento-no-comando-militar-do-leste-no-rio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 15:07:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Acampamento]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaristas]]></category>
		<category><![CDATA[Comando militar do leste]]></category>
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		<category><![CDATA[Palácio Duque de Caxias]]></category>
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					<description><![CDATA[O procurador Júlio José Araújo Junior, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, solicitou que o Comando Militar do Leste (CML) tome “providências urgentes para desmantelar e desocupar acampamento instalado na frente das instalações do Palácio Duque de Caxias”, sede do CML no Rio. O Palácio fica na Avenida Presidente Vargas, no centro da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
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<p>O procurador Júlio José Araújo Junior, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, solicitou que o Comando Militar do Leste (CML) tome “providências urgentes para desmantelar e desocupar acampamento instalado na frente das instalações do Palácio Duque de Caxias”, sede do CML no Rio.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>O Palácio fica na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade, ao lado do terminal férreo Central do Brasil, por onde passam milhares de pessoas todos os dias.</p>
<p>Os acampamentos em frente aos quarteis de diversas cidades do país foram montados após a derrota de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, no dia 30 de outubro, por apoiadores do ex-presidente que não aceitaram o resultado do pleito.</p>
<h2>Ofício</h2>
<p>O ofício foi enviado na noite de ontem (8) ao general de Exército André Luis Novaes de Miranda, comandante Militar do Leste, após atos de vandalismo de radicais de extrema direita, que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília, durante a tarde.</p>
<p>No documento, o procurador argumenta que o país assistiu “atos golpistas, com métodos terroristas”, com a depredação das sedes dos três poderes. “Os criminosos atentaram contra o Estado Democrático de Direito e manifestaram total desprezo pelas instituições da República”, afirmou Araújo.</p>
<blockquote><p>“Tais fatos violentos puseram em risco a vida de numerosas pessoas (entre agentes públicos e particulares), causaram danos ao patrimônio público e, sobretudo, causaram medo e insegurança à população em geral. Além disso, geram a apreensão de que novas mobilizações golpistas ocorrerão, não só em Brasília, mas em todo o país”, diz o ofício.</p></blockquote>
<p>O ofício foi assinado eletronicamente à 20h25 e dá prazo de 12 horas para as providências serem tomada. Passado o prazo, o acampamento permanecia no local por volta das 10h de hoje, sem movimentação de polícia ou exército na praça. Muitos carros da Polícia Militar podiam ser vistos parados em outras ruas no centro da cidade.</p>
<p>A reportagem procurou o CML e aguarda retorno.</p>
<h2>Prefeito</h2>
<p>Pelo Twitter, o prefeito Eduardo Paes anunciou que se reuniu no início da manhã com o secretário Municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale Nessimian, e com o comandante da Guarda Municipal, inspetor José Ricardo Soares da Silva, “para garantir o respeito ao estado democrático de direito na cidade do Rio”.</p>
<blockquote><p>“Até a noite de hoje a prefeitura do Rio irá, em colaboração com o Exército e com a Polícia Militar, promover a retirada de todos os objetos e barracas que ocupam o espaço público tomado por manifestantes que atentam contra a democracia na praça Duque de Caxias”, disse o prefeito.</p></blockquote>
<p>O Diário Oficial da cidade também trouxe publicado hoje o Decreto nº 51.923, que possibilita exceções à escala de trabalho da Guarda Municipal e suspende férias e licenças dos agentes, devido à “necessidade temporária de excepcional interesse público” por causa dos “graves acontecimentos ocorridos em Brasília, que deram azo a decretação de intervenção federal no Distrito Federal, com o objetivo de pôr termo ao grave comprometimento da ordem pública naquela unidade federativa, marcado por atos de violência e invasão de prédios públicos”.</p>
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		<title>Pacientes protestam no CFM contra resolução que limita canabidiol</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/pacientes-protestam-no-cfm-contra-resolucao-que-limita-canabidiol/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 19:41:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[ANVISA]]></category>
		<category><![CDATA[Canabidiol]]></category>
		<category><![CDATA[Cannabis]]></category>
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		<category><![CDATA[epilepsia]]></category>
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		<category><![CDATA[MPF]]></category>
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					<description><![CDATA[Representantes de entidades e pacientes que fazem uso medicinal de produtos derivados da Cannabis protestaram hoje (21), em frente à sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), contra a resolução da entidade que limita a prescrição do canabidiol (CBD) a dois tipos de epilepsia e esclerose tuberosa. Durante o ato, eles entregaram um manifesto com artigos e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
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<p>Representantes de entidades e pacientes que fazem uso medicinal de produtos derivados da <em>Cannabis</em> protestaram hoje (21), em frente à sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), contra a resolução da entidade que limita a prescrição do canabidiol (CBD) a dois tipos de epilepsia e esclerose tuberosa.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Durante o ato, eles entregaram um manifesto com artigos e estudos já publicados em revistas científicas sobre o uso da <em>Cannabis</em> medicinal e se reuniram com o presidente em exercício do conselho, Jeancarlo Cavalcante.</p>
<p>Thais Saraiva, uma das organizadoras do ato, destacou que a reunião foi um espaço para apresentar ao CFM os resultados positivos do uso da Cannabis. “Esperamos que essa resolução seja revogada”, disse, destacando que ocorreram manifestações semelhantes em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.</p>
<p>Para os manifestantes, além de tentar inibir a autonomia médica, o CFM se restringe a estudos ultrapassados para a edição da nova norma e ignora mais de 10 mil pesquisas científicas produzidas sobre a <em>Cannabis</em> para fins médicos entre 2018 e 2022.</p>
<p>Segundo eles, a medida também coloca em risco o tratamento de mais de 100 mil pacientes que têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o remédio ou comprar as formulações já disponíveis nas farmácias, também aprovadas pela Anvisa.</p>
<p>No último dia 14, o CFM publicou uma nova norma com regras para a prescrição de medicamentos à base do canabidiol. Segundo a <a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cfm-n-2.324-de-11-de-outubro-de-2022-435843700" target="_blank" rel="noopener">Resolução CFM 2.324/2022</a>, o medicamento pode ser prescrito apenas para o tratamento de epilepsia refratária em crianças e adolescentes com síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut ou complexo de esclerose tuberosa. Para os demais tipos de epilepsia, a substância não poderá mais ser prescrita.</p>
<p>Dessa forma, pessoas adultas e a possibilidade de tratamento para outras doenças, como depressão, ansiedade, dores crônicas, Alzheimer e Parkinson, não estão cobertos pela resolução, bem como o uso do tetrahidrocanabinol (THC), outro derivado da planta. A medida também proíbe médicos de ministrarem palestras e cursos sobre uso do canabidiol ou produtos derivados de <em>Cannabis</em> fora do ambiente científico, bem como fazer sua divulgação publicitária.</p>
<h2>Legalidade da norma</h2>
<p>Na segunda-feira (17), o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento preparatório para apurar a legalidade da resolução do CFM e se há compatibilidade com o direito social à saúde, nos termos da Constituição Federal, e outros regulamentos oficiais, como os da própria Anvisa que, em 2019, autorizou a fabricação e a importação de produtos com <em>Cannabis</em> para fins medicinais.</p>
<p>Em meio às reações, a entidade médica decidiu ontem (20) abrir consulta pública à população sobre o assunto, o que ocorrerá de 24 de outubro a 23 de dezembro deste ano.</p>
<p>Em nota, o CFM defendeu o conteúdo da resolução e destacou que é prudente aguardar o avanço de estudos em andamento sobre o uso da <em>Cannabis</em> medicinal, “cujos resultados vão ampliar – ou não – a percepção de eficácia e segurança do canabidiol, evitando expor a população a situações de risco”.</p>
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		<title>RJ: prédio histórico da estação Leopoldina terá reforma parcial</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/rj-predio-historico-da-estacao-leopoldina-tera-reforma-parcial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 20:09:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Barão de Mauá]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Leopoldina]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[MPF]]></category>
		<category><![CDATA[Obra]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma]]></category>
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					<description><![CDATA[O histórico prédio da Estação Barão de Mauá, conhecido como Estação Leopoldina, na área central do Rio de Janeiro, vai passar por uma reforma parcial. O acordo judicial entre o Ministério Público Federal (MPF) e a concessionária SuperVia, que opera as linhas de trem urbano, foi assinado na semana passada. O prédio pertence à União [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O histórico prédio da Estação Barão de Mauá, conhecido como Estação Leopoldina, na área central do Rio de Janeiro, vai passar por uma reforma parcial. O acordo judicial entre o Ministério Público Federal (MPF) e a concessionária SuperVia, que opera as linhas de trem urbano, foi assinado na semana passada.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>O prédio pertence à União e ao estado do Rio de Janeiro e, pelos termos do contrato de concessão, a SuperVia é responsável pela gare, que corresponde à área de embarque da estação, e pelo pátio com quatro plataformas de embarque. O acordo prevê a reforma da gare e das plataformas da estação, inaugurada em 1926.</p>
<p>Segundo o MPF, em março a Secretaria de Patrimônio da União contratou empresa para elaborar o projeto básico de reforma e restauro do prédio principal, que já foi apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que o prédio foi tombado em 2008.</p>
<p>O procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pela ação civil pública, ressaltou que, com o acordo, será possível devolver a estação para uso da comunidade.</p>
<p>“O acordo garante não apenas a reforma da gare e das plataformas da Estação Leopoldina, mas também, e principalmente, a transformação do espaço em um centro cultural, contemplando a história do sistema ferroviário. A transformação de antigas estações de trem em espaços culturais e de lazer é uma tendência em todo o mundo. Esperamos que, em alguns meses, o triste cenário atual de degradação de um imóvel histórico tão relevante para a história da cidade e do país seja substituído por outro no qual a população possa dispor de mais um equipamento cultural na cidade”.</p>
<h2>Obras</h2>
<p>A SuperVia informou que as obras começam após a aprovação do projeto pelo Iphan e a previsão é que o trabalho dure 12 meses. O diretor-presidente da SuperVia, Antonio Carlos Sanches, destacou a importância histórica do local.</p>
<blockquote><p>“A estação Leopoldina faz parte de um dos melhores capítulos da história do Rio de Janeiro e do país. Esperamos que o nosso projeto ajude a resgatar a memória desse período em que o país depositou grande expectativa no seu futuro com o início do processo de industrialização”.</p></blockquote>
<p>De acordo com a SuperVia, os pisos e revestimentos centenários das plataformas serão recuperados e as estruturas em concreto armado, pilares e laje de cobertura passarão por reparos e impermeabilização. Também serão instaladas novas redes de iluminação na gare e nas plataformas e de tratamento das águas pluviais.</p>
<p>A gare terá o piso, as fachadas internas e as esquadrias revitalizadas. As telhas e o forro interno da cobertura serão substituídos e a estrutura recuperada. Os dois banheiros públicos serão readequados e colocados em operação. Também será instalado um sistema de proteção de descargas atmosféricas e adequação das instalações de combate a incêndio.</p>
<p>De acordo com o Iphan, existem atualmente dois projetos para a recuperação da Estação Leopoldina. O primeiro, um projeto emergencial de intervenções, foi aprovado pelo Iphan e contemplado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). O segundo foi protocolado pela SuperVia este ano e está sendo analisado “com prioridade” pelo Instituto.</p>
<p>“Cabe esclarecer que parte da edificação está sob concessão da Supervia. A estação está sob responsabilidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Economia. O Iphan vem acompanhando de perto a situação deste bem cultural e destaca a importância do monumento não apenas para o Rio de Janeiro, mas também para o Patrimônio Cultural Brasileiro”, informou o órgão.</p>
<h2>Estação</h2>
<p>O projeto da estação Barão de Mauá é do arquiteto inglês Robert Prentice, inspirada na Estação Victoria, de Londres. Inaugurada em 1926, a gare oferecia serviços como cafeteria, barbeiro, engraxate, charutaria e agência bancária.</p>
<p>Os passageiros embarcavam para locais como Vila Inhomirim, Guapimirim, Petrópolis, Friburgo e Campos, no estado do Rio de Janeiro, e também para fora do estado, como Vitória e Zona da Mata de Minas Gerais.</p>
<p>Entre 1994 e 1998, a estação operou o famoso Trem de Prata, que fazia o trajeto Rio – São Paulo. A SuperVia deixou de operar trens na estação Barão de Mauá em 2001, mas até 2015 o local chegou a ser utilizado para eventos culturais.</p>
<p>Desde então, o espaço está fechado ao público, com a fachada deteriorada e tomada por pichações.</p>
<p>A Estação Barão de Mauá-Leopoldina foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1991 e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2008, incluída na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário.</p>
<p>FOTO</p>
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<h2>Processo</h2>
<p>O MPF alertou, em 2018, que a estação corria o risco de pegar fogo, caso não passasse por obras emergenciais, e propôs na justiça uma ação civil pública, ainda em 2013, para que o patrimônio histórico fosse restaurado.</p>
<p>Em setembro do ano passado, o juiz federal Paulo André Espírito Santo Bonfadini decidiu procedente o pedido do MPF e condenou os proprietários do imóvel a executar “as providências necessárias à restauração e reparo dos danos ao prédio principal e anexo, fachadas, marquises e telhados da Estação”. À SuperVia coube, de acordo com a sentença, reformar a gare e as plataformas de embarque, bem como a manutenção e limpeza do terreno.</p>
<p>O acordo com o MPF prevê também a instalação de um Centro Cultural que contemple a “história do sistema ferroviário como fonte principal de conhecimento, com exposição fixa de conteúdos históricos e de dados atuais da ferrovia”. Além de salas de aulas para atividades de música, dança, teatro e artesanato, um local para apresentação e um ambiente para exposição temporária.</p>
<p>O centro deverá ser instalado em até um ano após o término da reforma e deverá contar com um investimento mínimo de R$ 500 mil. A SuperVia também demonstrou interesse em instalar no local uma Universidade Corporativa, para cursos de capacitação dos funcionários com treinamentos, palestras e cursos como auxiliar de maquinista, maquinista e controlador.</p>
<p>O acordo reconheceu que os trens, vagões e demais bens móveis que se encontram na estação não são responsabilidade da SuperVia.</p>
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		<title>Licença ambiental: consulta a povos tradicionais gera embate em Minas</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/licenca-ambiental-consulta-a-povos-tradicionais-gera-embate-em-minas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2022 14:53:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[DPU]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Licença Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
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					<description><![CDATA[A regulamentação da consulta obrigatória aos povos tradicionais em processos de licenciamento ambiental se tornou o centro de um embate em Minas Gerais. Enquanto o governo estadual anuncia ter dado um passo pioneiro no país, diferentes comunidades indígenas, quilombolas, geraizeiras e veredeiras acusam a medida de limitar a autonomia sobre seus territórios. As divergências também [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A regulamentação da consulta obrigatória aos povos tradicionais em processos de licenciamento ambiental se tornou o centro de um embate em Minas Gerais. Enquanto o governo estadual anuncia ter dado um passo pioneiro no país, diferentes comunidades indígenas, quilombolas, geraizeiras e veredeiras acusam a medida de limitar a autonomia sobre seus territórios. As divergências também envolvem expectativas e preocupações em torno do Projeto Bloco 8, empreendimento minerário no norte de estado cujo processo de licenciamento recebeu questionamentos em ações judiciais movidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública da União (DPU).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>A consulta obrigatória aos povos tradicionais sobre medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los está prevista na Convenção 169, elaborada no âmbito da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um dos braços da Organização das Nações Unidas (ONU). Em vigor no mundo há 30 anos, ela foi aprovada no Congresso brasileiro em 2002, por meio do Decreto Legislativo 143, e promulgado em 2004, por meio do Decreto Presidencial 5.051.</p>
<p>Tratados internacionais ratificados no Brasil são incorporados à legislação do país. Dessa forma, as comunidades devem ser ouvidas sobre licenciamento de empreendimentos, implementação de políticas públicas de educação e de saúde, atividades que envolvam a salvaguarda de seus costumes da sua cultura, entre outras medidas que afetem seus territórios. Conforme fixado pela OIT, a consulta precisa ser prévia, livre e informada, isto é, deve ocorrer antes de qualquer decisão, deve ser realizada sem pressões e violências e deve ser marcada pela transparência e pela acessibilidade a todos os dados pertinentes.</p>
<p>A regulamentação desse processo em Minas Gerais se deu no dia 5 de abril <a href="https://www.jornalminasgerais.mg.gov.br/?dataJornal=2022-04-05" target="_blank" rel="noopener">por meio da publicação da resolução conjunta 1/2022 </a>da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Os órgãos estaduais fixaram que a consulta deve ocorrer antes da formalização do pedido de licenciamento e um relatório constando informações sobre as reuniões e deliberações dos povos e comunidades ouvidos passa a ser requisito para o prosseguimento da análise.</p>
<p>Caso não sejam consultadas, as comunidades interessadas poderão apresentar uma petição aos órgãos ambientais, que irão verificar se o empreendimento afeta seu território. De acordo com o governo mineiro, nenhum outro estado possui uma regulamentação tão aprofundada. &#8220;Demonstra nosso compromisso para o cumprimento das normas e princípios do Direito Internacional dos Direitos Humanos, sendo esta uma demanda antiga da comunidade”, disse subsecretário de direitos humanos da Sedese, Duílio Campos, em declaração ao site do próprio órgão.</p>
<h2>Manifesto público</h2>
<p>Depois de três dias, mais de 100 entidades que representam ou apoiam as diferentes populações tradicionais pediram a revogação da medida. Elas assinaram um <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScI3_cZf8O1f0oBT4cCqqWb4jIyV9IlnBYYn020orLGrgzAPg/viewform" target="_blank" rel="noopener">manifesto público</a> disponibilizado pelo portal eletrônico do Coletivo Margarida Alves, que desde 2012 oferece assessoria jurídica popular a diferentes comunidades. Segundo o texto, a resolução dá apenas uma aparência de diálogo, mas fere a Convenção 169 porque não assegura que a consulta ocorra livre de pressões e violências, não reconhece as formas de representação e deliberação de cada comunidade e não garante a autonomia sobre o território.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-48579 alignright" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-mcajr_abr_0704222371_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=463%2C309&#038;ssl=1" alt="Licença ambiental: consulta a povos tradicionais gera embate em Minas - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="463" height="309" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-mcajr_abr_0704222371_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-mcajr_abr_0704222371_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" />&#8220;Tudo foi feito sem participação popular&#8221;, diz a advogada Larissa Vieira, integrante do Coletivo Margarida Alves. Para ela, há uma contradição em regulamentar o direito de consulta sem ter sido realizada nenhuma consulta, o que já estaria em desacordo com o tratado internacional. Uma das principais contestações envolve o papel dado à empresa interessada no licenciamento. De acordo com o artigo 3º, a responsabilidade de realizar a consulta será do empreendedor nos casos em que os possíveis impactos são provenientes de projetos desenvolvidos pela iniciativa privada.</p>
<p>&#8220;Segundo a Convenção 169, o Estado é o responsável pelo processo de consulta, mediante os procedimentos apropriados que respeitem a autonomia dos povos. Essa responsabilidade não pode ser delegada a uma empresa privada. O empreendedor tem interesses e deixá-lo conduzir esse processo é uma forma de agressão aos direitos dos povos, pois ele terá permissão para estar ali no território cotidianamente pressionando. A consulta deixa de ser livre&#8221;, sustenta Larissa Vieira.</p>
<p>O manifesto também traz críticas ao parágrafo 8º do artigo 1º, segundo o qual caberá aos órgãos estaduais decidir sobre os casos onde o consenso não seja alcançado. O receio é de que seja concedido aval mesmo para empreendimentos desaprovados pelas comunidades consultadas.</p>
<p>Em nota, o governo mineiro afirma que a resolução não retira dos povos a decisão final sobre o uso de seu território. &#8220;Pelo contrário, assegura justamente que as comunidades sejam consultadas e digam como querem ser ouvidas antes do processo de licenciamento, garantindo a elas todas as informações necessárias sobre os eventuais impactos&#8221;, diz o texto assinado conjuntamente pela Sedese e pela Semad.</p>
<p>Os dois órgãos estaduais sustentam que a regulamentação é fruto de um diálogo que vem sendo feito com a sociedade há anos. Alegam ainda que não há permissão para que as empresas adentrem os territórios sem o consentimento da população local e acrescentam que a consulta realizada pelo empreendedor deverá se dar por uma consultoria especializada contratada, sob supervisão da Sedese e acompanhamento de outras instituições como o Ministério Público e a Defensoria Pública.</p>
<p>A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), no entanto, informou que estuda medidas para proteger os direitos coletivos das comunidades tradicionais afetados pela resolução e afirmou que os &#8220;vícios são inúmeros&#8221;. Um procedimento administrativo já foi aberto para analisar as possibilidades de questionamento.</p>
<h2>Autodeterminação</h2>
<p>As entidades que assinaram o manifesto também acusam a resolução de violar o princípio de autodeterminação dos povos. Isso porque o artigo 1º considera que as comunidades quilombolas devem ser certificadas pela Fundação Palmares, as indígenas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e as demais pela Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais em Minas Gerais (CEPCT/MG).</p>
<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-48580 alignleft" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-povos_tradicionais._quilombolas_de_goias_go11092000299_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=463%2C298&#038;ssl=1" alt="Licença ambiental: consulta a povos tradicionais gera embate em Minas - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="463" height="298" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-povos_tradicionais._quilombolas_de_goias_go11092000299_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-povos_tradicionais._quilombolas_de_goias_go11092000299_0-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C193&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" />&#8220;Os povos existem independente do reconhecimento do Estado. O artigo 1º da resolução fixa que a consulta só se aplica aquelas comunidades que pedissem reconhecimento formal do Estado. Isso fere de morte a Convenção 169, que estabelece o princípio da autodeterminação dos povos. É uma violação inclusive de entendimentos jurisprudenciais já muito superados&#8221;, afirma Larissa Vieira. Ele lembra, por exemplo, que o <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/justica/audio/2022-02/stf-barroso-suspende-validade-de-dois-atos-administrativos-da-funai" target="_blank" rel="noopener">Supremo Tribunal Federal</a> (STF) decidiu em fevereiro desse ano que a Funai não pode negar proteção a terras indígenas ainda não homologadas.</p>
<p>De acordo com a Sedese e a Semad, não há violação do direito à autoatribuição já que a resolução observaria dispositivos constitucionais. Os órgãos entendem que o Brasil possui procedimento próprio para dar reconhecimento público à autodeterminação, por meio da certificação dos povos e comunidades tradicionais pelos órgãos com competência legal.</p>
<p>Nos círculos acadêmicos, uma <a href="http://obind.eco.br/2022/04/12/aba-nota-tecnica-sobre-a-resolucao-conjunta-sedese-semad-no-01-de-04-de-abril-de-2022/" target="_blank" rel="noopener">nota técnica</a> apontou que a resolução &#8220;não somente fere os direitos constituídos pela Convenção 169 da OIT, segundo a qual a identificação enquanto povo e comunidade tradicional é autoatributiva e independe do reconhecimento por parte do Estado, mas também exclui uma quantidade expressiva de povos e comunidades tradicionais que ainda lutam pelo seu reconhecimento&#8221;. A análise é assinada pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e por grupos de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).</p>
<p>Os pesquisadores observam que a resolução faz menções a legislações que garantem o autorreconhecimento ao mesmo tempo em que restringe o reconhecimento. &#8220;O texto da resolução é ambíguo, afirmando direitos que no momento seguinte são flexibilizados&#8221;, diz um trecho da nota.</p>
<p>No Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), criado em 2004 e atualmente vinculado ao Ministério da Cidadania, há representação de 28 grupos étnicos: indígenas, quilombolas, povos de terreiro, pantaneiros, extrativistas, ribeirinhos, pomeranos, caiçaras, geraizeiros, ciganos, entre outros. Nem todas as comunidades dessas populações gozam de reconhecimento formal. No caso dos quilombolas, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou em 2020 existirem no país 5.972 comunidades em 1.674 municípios, mas a Fundação Palmares certifica atualmente apenas 3.495 quilombos.</p>
<h2>Protocolos de consulta</h2>
<p>Para lutar pelos seus direitos, muitas comunidades têm criado, nos últimos anos, seus protocolos de consulta prévia, livre e informada. Trata-se de um documento formal que estabelece as normas para ouvir estas populações, fixando seus próprios ritos. &#8220;O direito à consulta não necessita de regulamentação do Estado para ser aplicado. Os protocolos de consulta construídos pelas comunidades são capazes de regulamentar o processo&#8221;, afirma Larissa.</p>
<p>Segundo ela, ainda que reconheça o direito de cada comunidade elaborar as suas próprias regras, a resolução impõe prazos pré-definidos que ignora as peculiaridades de cada povo. De acordo com o artigo 13º, comunidades que ainda não tivessem seu protocolo de consulta e quisessem elaborá-lo, deveriam conclui-lo em 45 dias. Já a resposta à consulta deve ser apresentada em até 120 dias.</p>
<p>Embora já existam diferentes decisões favoráveis aos povos tradicionais que levam em conta os protocolos de consulta, muitas vezes eles são ignorados tanto pelos órgãos públicos como pelos tribunais. No ano passado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) organizou um seminário <em>online</em> sobre o tema para debater o cenário atual. Há uma incompreensão da comunidade jurídica na visão de Carlos Marés, ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Segundo ele, os povos têm direito de veto às medidas que afetam seu território.</p>
<p>&#8220;A consulta não é exatamente um direito. É uma decorrência do direito de existência e de ter uma organização social própria como diz a Constituição Federal é essencial. A Convenção 169 ratifica esse direito. Se fosse apenas para dar consentimento, não seria uma consulta livre. Claro que os Estados podem mudar seus projetos e os povos podem pedir mudanças e estabelecer condições. Mas também há questões como destruição e diminuição do território que são inegociáveis para os povos. E os protocolos também servem para estabelecer os limites do consentimento&#8221;, afirmou.</p>
<p>Para a pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Peru e do Instituto Internacional de Direito e Sociedade (IIDS), Raquel Yrigoen Fajardo, a consulta não pode ser vista como mera formalidade que o Estado deve cumprir para fazer o que quiser. &#8220;Essa consulta deve ser antes da aprovação da medida. Isso é muito importante porque temos visto concessões a mineradoras, madeireiras, petroleiras, além de ações em educação e saúde, sem consulta prévia. E muitas vezes as cortes dizem: &#8216;Não há problema. Pare a concessão, façam a consulta e depois continuem&#8217;. Isso não é possível. Se não houve consentimento prévio, todo o ato legislativo ou administrativo é nulo&#8221;, observa Raquel.</p>
<h2>Mineração</h2>
<p>As divergências em torno da resolução alcançaram as discussões acerca do megaempreendimento minerário da empresa de capital chinês Sul Americana de Metais (SAM), subsidiária da Honbridge Holdings. Segundo o Coletivo Margarida Alves, foi em meio ao turbulento processo de licenciamento desse projeto que a Semad e a Sedese anunciaram a regulamentação da consulta aos povos tradicionais.  No manifesto, as organizações que representam os povos tradicionais consideram que as novas regras contribuem para acelerar a implementação de grandes projetos de exploração mineral.</p>
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<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-48578 alignright" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-brazil-vale-sa-disaster-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=463%2C285&#038;ssl=1" alt="Licença ambiental: consulta a povos tradicionais gera embate em Minas - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="463" height="285" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-brazil-vale-sa-disaster-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/04/29-brazil-vale-sa-disaster-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C185&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" />Uma semana antes da publicação da resolução, foram suspensas audiências públicas agendadas para as cidades de Grão Mogol e Fruta de Leite, ambas localizadas na região visada pela SAM. O cancelamento se deu após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recomendar que elas não ocorressem até que as comunidades tradicionais fossem previamente consultadas conforme determina a Convenção 169.</p>
<p>Originalmente chamado Projeto Salinas, depois Projeto Vale do Rio Pardo e atualmente de Projeto Bloco 8, o empreendimento envolve a instalação de um complexo para explorar jazidas nos municípios mineiros de Grão Mogol e Padre Carvalho. Inicialmente, foi prevista a construção de barragens de rejeitos, uma usina de beneficiamento de minério e um mineroduto de 480 quilômetros que atravessaria 21 cidades e chegaria até Ilhéus, no litoral baiano.</p>
<p>Em janeiro de 2020, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) obtiveram uma decisão judicial suspendendo o processo de licenciamento. Ambos apontaram um fracionamento indevido na análise e manifestaram preocupação com as dimensões do empreendimento. Os reservatórios previstos no projeto são bem maiores do que as barragens da Samarco em Mariana (MG) e da Vale em Brumadinho (MG), envolvidas nas tragédias que ocorreram em Minas Gerais nos últimos anos. Além disso, o empreendimento já havia sido considerado inviável pelo Ibama em 2016.</p>
<p>Segundo o MPMG e o MPF, o projeto foi reapresentado sem o mineroduto que chegaria até a Bahia. A medida buscaria afastar o órgão federal da análise. Dessa forma, prevendo intervenções apenas em Minas Gerais, foi possível submetê-lo à Semad com o nome de Bloco 8. O MPF e o MPMG, no entanto, constataram que o mineroduto continuava nos planos e seria construído por outra empresa, da qual a própria SAM figura como acionista.</p>
<p>No ano passado, novas tratativas abriram espaço para um possível entendimento. A mineradora concordou em contratar equipes técnicas indicadas pelo MPMG para analisar aspectos ambientais, sociais e de engenharia do empreendimento. Uma mesa de negociação também foi aberta entre a SAM e o MPF. Dessa forma, a tentativa de conciliação paralisou o processo judicial. Mas um novo despacho do juiz responsável pelo caso registrou, em fevereiro desse ano, que tanto a mineradora quanto o MPF informaram não ter havido avanço para uma solução conciliatória.</p>
<p>Uma outra ação, movida pela pela DPU em conjunto com a DPMG no ano passado, também está em tramitação. Os defensores públicos contestam a abertura do processo de licenciamento sem que tenha sido realizada a consulta prévia às comunidades geraizeiras do Vale das Cancelas, no município de Grão Mogol. A questão ainda não foi analisada. Já as audiências públicas canceladas no mês passado nas cidades de Grão Mogol e Fruta do Leite foram remarcadas pela Semad para os dias 10 e 11 de maio, sob respaldo de uma decisão da Justiça Federal proferida no dia 28 de março.</p>
<h2>Projeto prioritário</h2>
<p>No governo de Minas, o empreendimento passou a ser tratado formalmente como prioritário em 2017. No ano passado, o governo federal adotou medida similar, qualificando-o no âmbito da Política Pró-Minerais Estratégicos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A decisão coube a um comitê interministerial criado pelo Decreto 10.657/2021 para definir projetos que receberiam apoio ao licenciamento ambiental.</p>
<p>Por meio de nota, a Semad negou que a resolução conjunta 1/2022 ajuda a acelerar o processo de licenciamento ambiental do empreendimento da SAM. Segundo o órgão ambiental, por se tratar de um projeto considerado prioritário, ele encontra-se em análise na Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri), a qual se encarregará de avaliar sua viabilidade técnica da mesma forma como ocorre com todas as iniciativas da mesma natureza.</p>
<p>Procurada pela Agência Brasil, a SAM disse que aguardava desde 2019 um procedimento que pudesse disciplinar uma forma de consulta às comunidades tradicionais. &#8220;A resolução cumpre este papel, por isso a entendemos como um avanço em relação ao cenário anterior&#8221;, registra nota encaminhada pela mineradora. Ainda segundo o texto, os novos procedimentos afetam vários projetos públicos e privados, além de medidas legislativas e administrativas. &#8220;Querer vinculá-la ao projeto da SAM é um erro. Entendemos, todavia, que é uma evolução em relação a alguns que pretendiam procrastinar o debate de forma a se valerem disso em seus discursos&#8221;, acrescenta a mineradora.</p>
<p>Ela sustenta também que o empreendimento, além de envolver altos investimentos e gerar empregos, inclui contrapartidas econômicas e sociais. &#8220;A construção da barragem de água do Rio Vacarias permitirá a disponibilização de água às comunidades locais. Haverá uma quantidade de água disponível equivalente ao abastecimento de mais de 640 mil pessoas por dia, superior à população de Montes Claros. A SAM vai também realizar, em parceria com o governo do estado, um projeto de irrigação para apoio à agricultura familiar local. Além disso, a empresa pretende fomentar o potencial energético da região. A partir do 5º ano de operação vai utilizar 100% de energia renovável, o que poderá gerar novos negócios&#8221;, finaliza a nota.</p>
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