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	<title>Justiça Climática &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>COP30 expõe urgência da justiça climática em Belém</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Eliane Gervasio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 13:21:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A poucos quilômetros do centro revitalizado de Belém — palco de investimentos e vitrine internacional durante a COP30 — a Vila da Barca desafia o discurso oficial de sustentabilidade ao evidenciar, diariamente, como a crise climática se materializa na vida de quem vive à margem. No centenário bairro de palafitas, às margens da baía do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A poucos quilômetros do centro revitalizado de Belém — palco de investimentos e vitrine internacional durante a COP30 — a Vila da Barca desafia o discurso oficial de sustentabilidade ao evidenciar, diariamente, como a crise climática se materializa na vida de quem vive à margem. No centenário bairro de palafitas, às margens da baía do Guajará, cerca de mil famílias enfrentam há décadas a combinação explosiva entre vulnerabilidade socioambiental, racismo estrutural e ausência de políticas públicas efetivas.</p>
<p>A aposentada Cleonice Vera Cruz, de 77 anos, é testemunha viva dessa história. Moradora há quase 60 anos, ela descreve uma rotina marcada por medo e improvisos. As casas de madeira, erguidas sobre estacas para acompanhar a oscilação das marés, balançam ao vento e deixam entrar água por fendas abertas pelo tempo. “Quando dá um vento, a casa sacode. Ontem choveu forte e molhou tudo aqui dentro”, conta.</p>
<figure id="attachment_86871" aria-describedby="caption-attachment-86871" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-86871" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Cleonice-da-Silva-Vera-Cruz-aposentada-de-77-anos-moradora-da-comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Cleonice Da Silva Vera Cruz, Aposentada De 77 Anos, Moradora Da Comunidade Da Vila Da Barca - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Cleonice-da-Silva-Vera-Cruz-aposentada-de-77-anos-moradora-da-comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Cleonice-da-Silva-Vera-Cruz-aposentada-de-77-anos-moradora-da-comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Cleonice-da-Silva-Vera-Cruz-aposentada-de-77-anos-moradora-da-comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Cleonice-da-Silva-Vera-Cruz-aposentada-de-77-anos-moradora-da-comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86871" class="wp-caption-text">Cleonice da Silva Vera Cruz, aposentada de 77 anos, moradora da comunidade da Vila da Barca, em palafitas na baía do Rio Guajará &#8211; Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Na última sexta-feira (14), o risco estrutural virou tragédia: uma casa desabou no meio da madrugada. Quatro moradores — entre eles uma criança e uma pessoa com deficiência — só escaparam porque ouviram os estalos da madeira minutos antes do colapso. Outras famílias das redondezas tiveram as moradias comprometidas e precisaram ser acolhidas por vizinhos.</p>
<p>Enquanto isso, na COP30, líderes mundiais discutiam formas de mitigar a emergência climática. Para quem vive na Vila da Barca, porém, a crise ambiental não é conceito — é cotidiano. “Falam de transição energética, mas pouco de quem mora debaixo da copa das árvores”, afirma Gerson Siqueira, presidente da associação de moradores. “Financiamento climático também deveria incluir moradia digna.”</p>
<figure id="attachment_86874" aria-describedby="caption-attachment-86874" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-86874" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Gerson-Siqueira-presidente-da-Associacao-de-Moradores-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Gerson Siqueira, Presidente Da Associação De Moradores Da Vila Da Barca - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Gerson-Siqueira-presidente-da-Associacao-de-Moradores-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Gerson-Siqueira-presidente-da-Associacao-de-Moradores-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Gerson-Siqueira-presidente-da-Associacao-de-Moradores-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Gerson-Siqueira-presidente-da-Associacao-de-Moradores-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86874" class="wp-caption-text">Gerson Siqueira, presidente da Associação de Moradores da Vila da Barca, erguida com construções de palafitas na baía do Rio Guajará &#8211; Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h3><strong>Racismo ambiental escancarado</strong></h3>
<p>Um estudo da Habitat para a Humanidade Brasil, apresentado na conferência, reforça o alerta: 66,58% dos moradores de áreas de risco no país são negros. São mais de 2,1 milhões de casas danificadas por desastres climáticos entre 2013 e 2022, e 107 mil completamente destruídas. Nessas regiões, a renda das famílias — majoritariamente chefiadas por mulheres — chega a ser metade da média local.</p>
<p>A diarista Maria Isabel Cunha, a Bebel, sintetiza esse retrato. Mãe solo de dois meninos, um deles com deficiência, vive de trabalhos eventuais que rendem até R$ 50 por faxina. Depende da pensão do filho e luta para garantir o básico, enquanto observa a região turística vizinha ganhar obras de revitalização no contexto da COP30. “Ficou bonito lá”, comenta, sem esconder a distância entre o brilho da cidade e a realidade da comunidade.</p>
<figure id="attachment_86875" aria-describedby="caption-attachment-86875" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-86875" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Maria-Isabel-conhecida-como-Bebel-moradora-da-Comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Maria Isabel, conhecida como Bebel, moradora da Comunidade da Vila da Barca, em Belém - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Maria-Isabel-conhecida-como-Bebel-moradora-da-Comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Maria-Isabel-conhecida-como-Bebel-moradora-da-Comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Maria-Isabel-conhecida-como-Bebel-moradora-da-Comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Maria-Isabel-conhecida-como-Bebel-moradora-da-Comunidade-da-Vila-da-Barca-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86875" class="wp-caption-text">Maria Isabel, conhecida como Bebel, moradora da Comunidade da Vila da Barca, em Belém &#8211; Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h3><strong>Obras avançam, mas futuro ainda é incerto</strong></h3>
<p>A Vila da Barca reúne cerca de 600 palafitas. No fim de julho, Águas do Pará iniciou a instalação de sistemas de abastecimento de água e esgoto, num investimento de R$ 15 milhões. A fase inicial foi concluída, e cada casa agora tem hidrômetro. A taxa social prevista é de R$ 66,42 — ainda não cobrada. A rede de esgoto deve ficar pronta em abril do próximo ano.</p>
<figure id="attachment_86872" aria-describedby="caption-attachment-86872" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-86872" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Comunidade-da-Vila-da-Barca-em-Belem-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Comunidade Da Vila Da Barca, Em Belém - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Comunidade-da-Vila-da-Barca-em-Belem-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Comunidade-da-Vila-da-Barca-em-Belem-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Comunidade-da-Vila-da-Barca-em-Belem-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/18-Comunidade-da-Vila-da-Barca-em-Belem-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86872" class="wp-caption-text">Comunidade da Vila da Barca, em Belém &#8211; Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Para líderes comunitários, porém, saneamento é apenas parte da solução. “Até quando essas famílias continuarão morando em palafitas?”, questiona Siqueira. “Precisamos garantir permanência com dignidade — com infraestrutura e segurança.”</p>
<h3><strong>Cultura resistente em meio ao abandono</strong></h3>
<p>Apesar da precariedade, a vida cultural da Vila da Barca pulsa forte. Festas juninas, blocos carnavalescos e a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré durante o Círio mantêm o sentimento de pertencimento e resistência, simbolizando a força de uma comunidade profundamente enraizada.</p>
<h3><strong>Habitação: a pauta ausente da agenda global</strong></h3>
<p>Segundo a Habitat Brasil, apenas 8% das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) apresentadas pelos países tratam de questões urbanas e comunidades vulneráveis — justamente onde a crise climática causa mais danos. Para a organização, fortalecer essas populações deve ser prioridade, não justificativa para remoções em massa.</p>
<p>“Defendemos a permanência com adaptação e segurança. Soluções climáticas não podem ser desculpa para expulsar comunidades inteiras”, afirma Raquel Ludermir, gerente de incidência política da ONG.</p>
<p>A Vila da Barca, tão próxima dos debates da COP30 e tão distante de seus efeitos concretos, evidencia a contradição central do encontro: combater a crise climática exige enfrentar, de forma direta, as desigualdades históricas que moldam o território brasileiro. Enquanto isso não acontece, o clima segue mudando — e as vidas mais vulneráveis continuam sendo as primeiras a ruir.</p>
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