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	<title>Escravidão &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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	<title>Escravidão &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Museu Histórico Nacional reabre com mostra sobre a herança da escravidão</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/museu-historico-nacional-reabre-com-mostra-sobre-a-heranca-da-escravidao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 13:51:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exposições]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
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					<description><![CDATA[O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, reabre parcialmente nesta quinta-feira (13) com a exposição “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”, uma mostra global que convida o público a refletir sobre como os ecos da escravidão ainda moldam o presente. A exposição, com curadoria compartilhada entre instituições do Brasil, Estados [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, reabre parcialmente nesta quinta-feira (13) com a exposição “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”, uma mostra global que convida o público a refletir sobre como os ecos da escravidão ainda moldam o presente.</p>
<p>A exposição, com curadoria compartilhada entre instituições do Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Senegal, Inglaterra e Bélgica, reúne cerca de 100 objetos, 250 imagens e dez filmes, divididos em seis seções. A visitação é gratuita e ficará aberta até 1º de março de 2026.</p>
<figure id="attachment_86680" aria-describedby="caption-attachment-86680" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-86680" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-contra-o-Apartheid-em-Soweto-Africa-do-Sul-1976-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C476&#038;ssl=1" alt="Protesto Contra O Apartheid Em Soweto África Do Sul (1976) - Expresso Carioca" width="754" height="476" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-contra-o-Apartheid-em-Soweto-Africa-do-Sul-1976-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-contra-o-Apartheid-em-Soweto-Africa-do-Sul-1976-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C189&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-contra-o-Apartheid-em-Soweto-Africa-do-Sul-1976-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C95&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-contra-o-Apartheid-em-Soweto-Africa-do-Sul-1976-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C473&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86680" class="wp-caption-text">Protesto contra o Apartheid em Soweto/África do Sul (1976). &#8211; Foto: Crédito/ Divulgação</figcaption></figure>
<p>Segundo a historiadora e curadora Keila Grinberg, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o objetivo é mostrar que a escravidão não foi apenas um fenômeno histórico, mas um sistema cujas consequências permanecem. “A exposição é dura, mas o visitante sai empoderado ao perceber as diversas formas de resistência e luta contra o racismo”, afirma.</p>
<p>Entre as peças expostas estão objetos religiosos, instrumentos musicais — como um atabaque do Haiti — e documentos que revelam as conexões entre as resistências negras ao longo da história. A mostra também aborda temas contemporâneos, como reparação, justiça ambiental e violência policial.</p>
<figure id="attachment_86681" aria-describedby="caption-attachment-86681" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-86681" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-do-movimento-Black-Lives-Matter-EUA-2021-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Protesto Do Movimento Black Lives Matter EUA 2021 - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-do-movimento-Black-Lives-Matter-EUA-2021-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-do-movimento-Black-Lives-Matter-EUA-2021-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-do-movimento-Black-Lives-Matter-EUA-2021-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Protesto-do-movimento-Black-Lives-Matter-EUA-2021-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86681" class="wp-caption-text">Protesto do movimento Black Lives Matter/EUA (2021). &#8211; Foto: Crédito/ Divulgação</figcaption></figure>
<p>Após a estreia em Washington (EUA), em 2024, o Brasil é o primeiro país a receber a mostra itinerante, que seguirá depois para Cidade do Cabo, Dacar e Liverpool. Para Keila, é simbólico que o Brasil seja o primeiro destino, já que o país recebeu cerca de 45% dos africanos escravizados no tráfico transatlântico.</p>
<h3>Atividades paralelas</h3>
<p>Em parceria com o Arquivo Nacional, será realizado o seminário “Para além da escravidão: memória, justiça e reparação”, nos dias 13 e 14 de dezembro, na Praça da República.</p>
<p>O Arquivo também abriga a mostra “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão”, com documentos de dez mulheres escravizadas que acionaram a Justiça no século XIX em busca da liberdade. A visitação vai até 30 de abril de 2026, com entrada gratuita.</p>
<figure id="attachment_86677" aria-describedby="caption-attachment-86677" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-86677" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Cartaz-da-Conferencia-Pan-Africana-1900-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C580&#038;ssl=1" alt="Cartaz Da Conferência Pan Africana 1900 - Expresso Carioca" width="754" height="580" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Cartaz-da-Conferencia-Pan-Africana-1900-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Cartaz-da-Conferencia-Pan-Africana-1900-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C231&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Cartaz-da-Conferencia-Pan-Africana-1900-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C115&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Cartaz-da-Conferencia-Pan-Africana-1900-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C577&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86677" class="wp-caption-text">Cartaz da Conferência Pan-Africana (1900) ) &#8211; Foto: Crédito/ Divulgação</figcaption></figure>
<p>O Instituto Pretos Novos, por sua vez, apresenta “Conversas inacabadas”, parte da pesquisa da exposição principal, que reúne entrevistas sobre racismo e consciência racial. A visita será aberta entre 14 e 15 de dezembro.</p>
<p>Keila resume o propósito da mostra com uma reflexão: “Não dá para entender o Brasil sem entender a escravidão — e, tão importante quanto isso, é entender que ela acabou. Só assim o racismo também poderá acabar”.</p>
<figure id="attachment_86678" aria-describedby="caption-attachment-86678" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-86678" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Irmandade-da-Boa-Morte-Brasil-1983-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Irmandade Da Boa Morte Brasil 1983 - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Irmandade-da-Boa-Morte-Brasil-1983-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Irmandade-da-Boa-Morte-Brasil-1983-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Irmandade-da-Boa-Morte-Brasil-1983-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/11/11-Irmandade-da-Boa-Morte-Brasil-1983-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86678" class="wp-caption-text">Irmandade da Boa Morte/Brasil (1983). &#8211; Foto: Crédito/ Divulgação</figcaption></figure>
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		<title>Exposição em São Paulo exibe peças originais da escravidão e propõe reflexão histórica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 May 2025 13:11:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB SP) realiza até sábado (24) a primeira edição da Semana de Memória e Resistência Negra. O destaque da programação é a exposição Ecos do Silêncio, que apresenta ao público documentos e objetos originais do período da escravidão no Brasil, reunidos ao longo de 15 anos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB SP) realiza até sábado (24) a primeira edição da <em>Semana de Memória e Resistência Negra</em>. O destaque da programação é a exposição Ecos do Silêncio, que apresenta ao público documentos e objetos originais do período da escravidão no Brasil, reunidos ao longo de 15 anos pela advogada, cineasta e pesquisadora Mabel de Souza.</p>
<p>A coleção nasceu após Mabel visitar o Museu de Criminologia em Rothenburg Ob Der Tauber, na Alemanha, onde percebeu como os europeus expõem suas memórias históricas sem subterfúgios. Inspirada por essa abordagem, ela passou a adquirir instrumentos de tortura e documentos históricos por conta própria em diversos estados brasileiros. Alguns itens foram pagos em até 60 parcelas.</p>
<p>Entre os objetos expostos estão a canga, o viramundo e os colares de ferro com sinos, que restringiam movimentos e denunciavam tentativas de fuga de pessoas escravizadas. “Essas peças falam por si só. Todas são originais. Corpos estiveram ali. Gritos. Elas ecoam mesmo”, afirmou Mabel, emocionada.</p>
<p>A exposição também marca o lançamento do livro <em>Engenhosidade Perversa</em>, obra na qual a autora aprofunda sua pesquisa sobre os instrumentos de suplício e o sistema escravocrata.</p>
<p>Para a presidente da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra da OAB SP, Cristiane Natachi, a proximidade com os objetos históricos provoca um impacto impossível de ignorar. “Saber é diferente de ver. Sentir o arrepio na espinha muda a forma como entendemos nosso papel na sociedade e no Direito”, diz.</p>
<p>A exposição e a semana temática buscam, além da memória, promover o reconhecimento da resistência negra e propor um diálogo necessário sobre os reflexos da escravidão na estrutura social e jurídica do país até hoje.</p>
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		<title>Candinho, único filho vivo de João Cândido, luta por reparação</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/candinho-unico-filho-vivo-de-joao-candido-luta-por-reparacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2023 14:45:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
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		<category><![CDATA[Reparação]]></category>
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					<description><![CDATA[Em novembro de 1910, cerca de dois mil marinheiros tomam o controle de embarcações da Marinha na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Eles pedem o fim de castigos corporais, as chibatadas, e são liderados pelo marinheiro João Cândido Felisberto, ou simplesmente João Cândido. Os canhões dos navios são apontados para aquela que era [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em novembro de 1910, cerca de dois mil marinheiros tomam o controle de embarcações da Marinha na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Eles pedem o fim de castigos corporais, as chibatadas, e são liderados pelo marinheiro João Cândido Felisberto, ou simplesmente João Cândido.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Os canhões dos navios são apontados para aquela que era a capital do Brasil na época, não com a intenção de bombardear, mas para chamar a atenção a práticas que ainda remetiam à recém-extinta escravidão. O estopim para a revolta foi a punição do marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes com 250 chibatadas.</p>
<p>O motim tomou grandes proporções e João Cândido foi alçado a herói e celebridade. Mas, assim como cresceu, a revolta foi abafada a ponto da sua importância ter sido invisibilizada por muitos anos.</p>
<p>Os marinheiros que sobreviveram tiveram a anistia negociada na época. João Cândido, no entanto, apesar de ter sido também anistiado, foi duramente perseguido, até ser expulso da Marinha, em 1912. Ele morreu aos 89 anos, em 1969, na pobreza.</p>
<p>Hoje, a história é contada e recontada por Adalberto Cândido, o seu Candinho, único filho vivo de João Cândido. “É uma história muito bonita, é uma história de um herói popular. Um país que não tem história não é um país, e meu pai deixou uma parte da história do Brasil”, diz.</p>
<figure id="attachment_70810" aria-describedby="caption-attachment-70810" style="width: 1170px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-70810" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=1170%2C700&#038;ssl=1" alt="MPF Pede Manifestação Do Estado Sobre Memória De João Cândido - Expresso Carioca" width="1170" height="700" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?w=1170&amp;ssl=1 1170w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C179&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=1142%2C683&amp;ssl=1 1142w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=768%2C459&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C449&amp;ssl=1 750w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-MPF-pede-manifestacao-do-Estado-sobre-memoria-de-Joao-Candido-Expresso-Carioca.webp?resize=1140%2C682&amp;ssl=1 1140w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-70810" class="wp-caption-text">João Cândido Felisberto foi o principal líder da Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910, que acabou com os castigos corporais na Marinha de Guerra &#8211; Prefeitura de São João de Meriti/Reprodução</figcaption></figure>
<h2>Casa da Memória</h2>
<p>No dia que se encontrou com a equipe da Agência Brasil, Candinho participaria, em seguida, de reunião para a construção da Casa de Memória Marinheiro João Cândido. A casa será construída pela Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), em parceria com a prefeitura de São João de Meriti, onde Candinho nasceu e onde o pai viveu grande parte da vida.  “Agora já tem peça de teatro, tem doutorado, tudo que você imaginar. Tudo que possa ter ele, tem”, diz. Se antes apenas citar o nome de João Cândido já trazia consequências para quem o fazia na Marinha, hoje batem continência para mim”, revela. João Cândido &#8211; também chamado de Almirante Negro &#8211; patente eternizada na canção Mestre Sala dos Mares, de João Bosco.</p>
<p>O reconhecimento, no entanto, é recente, e ainda tem um longo caminho. A família luta por reparação financeira do Estado e pela inclusão do nome de João Cândido no livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.</p>
<p>Criado em 1992, o livro de aço &#8211; abrigado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, &#8211; registra os nomes das pessoas que tiveram uma trajetória importante na formação da história do país. Entre elas, estão, por exemplo, Tiradentes, Chico Mendes e Machado de Assis.</p>
<p>João Cândido nasceu em 1880 e era filho de escravizados. Entrou para a Marinha em uma época que a corporação reunia jovens excluídos socialmente. A maior parte dos marinheiros era negra.</p>
<p>João Cândido tinha muito talento. Segundo o filho, chegou a dar aulas para os oficiais e operava navios de alta tecnologia para a época, como o Minas Geraes, usado na Revolta da Chibata. Ele tinha um senso de coletividade e lutava por justiça.</p>
<p>“Ele nunca levou um castigo, mas não aceitava que os companheiros dele [passassem por isso], entende?”, diz. “Ele tinha convivência com oficiais e tudo, mas tinha aquele ideal, não era porque tinha convivência com oficial da Marinha que aceitava aquilo”.</p>
<p>Tudo que sabe sobre o pai, Candinho aprendeu depois da morte dele. Era a irmã, Zeelândia Cândido de Andrade, quem cuidava da história e legado do pai. “Meu pai era muito fechado. Gaúcho. Ele não contava nada. Eu só vim entrar depois do falecimento dele e da minha irmã, que minha irmã era mais atuante. Eu também, trabalhando, não tinha tempo. Agora, só tem eu para advogar”, explica.</p>
<p>João Cândido nasceu em Encruzilhada (RS) e, ao longo da vida, teve pelo menos sete filhos. “Meu pai era marinheiro, né”, brinca, Candinho. Depois de ser expulso da Marinha, ele teve muita dificuldade para conseguir emprego. Viveu da pesca, segundo o filho, “até a estrutura dele não dar mais”. E viveu sempre próximo ao mar. “Ele dizia que o mar era família dele, que era amigo”, conta o filho.</p>
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<figure id="attachment_70818" aria-describedby="caption-attachment-70818" style="width: 1170px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-70818 size-full" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=1170%2C700&#038;ssl=1" alt="Candinho, único Filho Vivo De João Cândido, Luta Por Reparação - Expresso Carioca" width="1170" height="700" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?w=1170&amp;ssl=1 1170w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C179&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=1142%2C683&amp;ssl=1 1142w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=768%2C459&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C449&amp;ssl=1 750w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/11/10-Candinho-unico-filho-vivo-de-Joao-Candido-luta-por-reparacao-Expresso-Carioca.webp?resize=1140%2C682&amp;ssl=1 1140w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-70818" class="wp-caption-text">Adalberto Cândido, filho de João Cândido &#8211; Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h2>Busca por direitos</h2>
<p>Esta semana, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro enviou documento ao Executivo e à Câmara dos Deputados defendendo a reparação &#8211; inclusive financeira &#8211; à família de João Cândido. O MPF pediu a manifestação da Comissão de Anistia e da Coordenação-Geral para Memória e Verdade sobre Escravidão e o Tráfico Transatlântico, ambas vinculadas ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, no prazo de um mês.</p>
<p>O MPF argumenta que &#8211; embora anistiado duas vezes – em 2008 ele recebeu uma anistia depois de morrer no governo de Luiz Inácio Lula da Silva – o marinheiro não chegou a receber nenhuma compensação. Pela carreira na Marinha, da qual ele foi privado, teria uma série de benefícios, não apenas para ele como para a família. Um arcabouço de leis, citado pelo MPF &#8211; corrobora o direito a esse tipo de compensação.</p>
<p>“Minha família vive toda com dificuldade. São trabalhadores. Então, se houver essa reparação para eles&#8230; Porque para mim, eu já estou mais para lá, com 85 anos, mas eles não”, afirma Candinho.</p>
<p>“Os marinheiros foram anistiados, uns chegaram a capitão de corveta, capitão de fragata, meu pai, não. Ele foi absorvido, mas não teve mais espaço na Marinha, nem indenização, nem nada”, reclama.</p>
<p>Além disso, o MPF e a família defendem que ele seja oficialmente considerado herói, que tenha o nome inscrito no livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A inclusão está tramitando no Congresso Nacional e ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados antes de ir para a sanção presidencial. Atualmente, o Projeto de Lei (PL) 4046/2021, já aprovado pelo Senado Federal, está na Comissão de Cultura da Câmara.</p>
<h2>Samba-enredo</h2>
<p>Candinho e a família preparam-se para levar a história de João Cândido para o carnaval de 2024 do Rio de Janeiro. A escola de samba Paraíso do Tuiuti irá homenagear o líder da Revolta da Chibata com o samba-enredo Glória ao Almirante Negro. “Recebi com muita gratidão essa notícia”, opina Candinho. Ele irá desfilar em um dos carros alegóricos com outros familiares. “Querem até que eu faça ginástica, exercício físico”, sorri.</p>
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		<title>MPF pede manifestação do Estado sobre memória de João Cândido</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/mpf-pede-manifestacao-do-estado-sobre-memoria-de-joao-candido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2023 14:21:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[João Cândido]]></category>
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		<category><![CDATA[Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[MPF]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro solicitou uma manifestação da Comissão de Anistia e da Coordenação-Geral de Memória e Verdade sobre Escravidão e o Tráfico Transatlântico, ambas vinculadas ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, em relação à reparação financeira aos familiares do líder da Revolta da Chibata, João Cândido, e também em relação à inclusão [&#8230;]]]></description>
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<p>O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro solicitou uma manifestação da Comissão de Anistia e da Coordenação-Geral de Memória e Verdade sobre Escravidão e o Tráfico Transatlântico, ambas vinculadas ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, em relação à reparação financeira aos familiares do líder da Revolta da Chibata, João Cândido, e também em relação à inclusão do nome dele no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Ambas terão 30 dias para se manifestar.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Conhecido como almirante negro, o marinheiro João Cândido Felisberto liderou, na Marinha, uma revolta para acabar com as práticas violentas contra os marinheiros. A Revolta da Chibata ocorreu em 1910, quando o grupo liderado por Cândido tomou o controle de embarcações na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Eles exigiam melhores condições e o fim dos castigos físicos e ameaçaram bombardear a capital. O estopim foi quando o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes foi punido com 250 chibatadas.</p>
<p>Mesmo sendo anistiado duas vezes, nem João Cândido nem a família receberam nenhum tipo de reparação financeira. O MPF abriu, então, um inquérito civil para acompanhar as medidas de valorização à memória do almirante negro.</p>
<blockquote><p>“O debate insere-se no contexto de busca pela valorização de figuras negras históricas importantes, de modo a promover a reparação pela escravidão – e de seu legado no pós-abolição – e o enfrentamento do racismo institucional ainda tão presente na sociedade brasileira”, destaca o documento do MPF, assinado pelo procurador Julio José Araujo Junior.</p></blockquote>
<p>O Ministério Público Federal cita o direito à memória e à dignidade humana, garantidos na Constituição Federal, assim como o Estatuto da Igualdade Racial. O MPF também menciona tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, como instrumentos que exigiriam uma resposta do Estado brasileiro tanto em relação à reparação financeira quanto ao reconhecimento do papel de João Cândido como herói brasileiro.</p>
<p>O texto argumenta também que, mesmo anistiado – tanto em 1910, quanto após a sua morte, em 2008 –, João Cândido foi perseguido e expulso da Marinha, o que acarretou uma série de consequências financeiras para ele e para a família. A reparação econômica está, por lei, entre as garantias aos anistiados políticos no Brasil.</p>
<blockquote><p>“A declaração de anistia foi um importante passo, mas veio desacompanhada de compensações à família de João Cândido, que tanto sofreu os efeitos da injusta postura do Estado brasileiro. Na prática, a justiça foi feita, porém de forma parcial”, diz o texto.</p></blockquote>
<p>Por fim, o MPF defende a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Criado em 1992, o também chamado Livro de Aço, abrigado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, registra os nomes das pessoas que tiveram uma trajetória importante na formação da história do país. Entre essas pessoas estão, por exemplo, Tiradentes, Chico Mendes e Machado de Assis.</p>
<p>O Projeto de Lei (PL) 4.046/2021, que trata da inclusão de João Cândido no livro, tramita na Câmara dos Deputados. “Mais do que uma reparação simbólica, o reconhecimento do Estado brasileiro em favor de João Cândido é uma sinalização de que nunca mais tais violações se repetirão. Constitui também um olhar para o futuro, de compromisso firme com o enfrentamento do racismo e da discriminação”, defende o MPF.</p>
<p>Além de ter sido enviado ao Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, o documento foi encaminhado, apenas para conhecimento, à presidência da Câmara dos Deputados e à presidência e aos parlamentares integrantes da Comissão de Cultura da Câmara, onde tramita o projeto de lei.</p>
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		<title>Terreiros de Santo Amaro se unem para combater o racismo na religião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 15:43:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo religioso]]></category>
		<category><![CDATA[Terreiros de Santo Amaro]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 1889, no ano seguinte à promulgação da Lei Áurea, que oficialmente acabou com a escravidão no Brasil, João de Obá organizou uma celebração em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, chamada Bembé do Mercado. A festa reuniu pescadores e comunidades de terreiros de candomblé para denunciar as condições em que a chamada abolição [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1889, no ano seguinte à promulgação da Lei Áurea, que oficialmente acabou com a escravidão no Brasil, João de Obá organizou uma celebração em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, chamada Bembé do Mercado. A festa reuniu pescadores e comunidades de terreiros de candomblé para denunciar as condições em que a chamada abolição deixou a população negra, sem nenhuma reparação pelos anos de trabalhos forçados e pelo sequestro das populações africanas.</p>
<figure id="attachment_58210" aria-describedby="caption-attachment-58210" style="width: 463px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-1-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-58210" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-1-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=463%2C309&#038;ssl=1" alt="Terreiros De Santo Amaro Se Unem Para Combater O Racismo Na Religião - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="463" height="309" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-1-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-1-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /></a><figcaption id="caption-attachment-58210" class="wp-caption-text">Joédson Alves/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>“Não é a comemoração do 13 de Maio, da suposta abolição da Princesa Isabel. O Bembé do Mercado é a afirmação da resistência do nosso povo. Quando houve a suposta abolição no 13 de Maio de 1888, eles [negros] não tinham terra. Ficaram todos à deriva. E muitos se submeteram a continuar com a vida de escravo porque não tinha terra, não tinha como comer”, explica Babá Sérgio, do Ilê Oman, que é diretor de comunicação da associação que reúne 60 terreiros do município para cuidar da organização do Bembé do Mercado.</p>
<p>De acordo com Sérgio, os pescadores que lideraram essa manifestação eram aqueles que buscavam meios de sobrevivência sem ter acesso à terra.  “Eles tiraram [o sustento] do mar, porque o mar não tem dono”, conta.</p>
<h2>Patrimônio cultural</h2>
<figure id="attachment_58211" aria-describedby="caption-attachment-58211" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-2-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-58211" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-2-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Terreiros De Santo Amaro Se Unem Para Combater O Racismo Na Religião - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-2-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-2-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-2-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-58211" class="wp-caption-text">Māe Lidu (c), posa para foto com suas filhas de santo no terreiro Ilê Axé Igbalé. Joédson Alves/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>O Bembé foi reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, em 2012, e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2019. A celebração envolve a realização de obrigações religiosas, com dedicações a Exu, Iemanjá e Oxum, e também manifestações culturais afro-brasileiras, como a capoeira e o samba de roda. As festas ocorrem em pontos centrais da cidade de Santo Amaro, município fundado no século XVI em um local que era habitado originalmente por povos indígenas.</p>
<p>Mais do que uma festa histórica, o Bembé é uma organização dos terreiros de Santo Amaro para preservar a cultura local e fazer resistência contra a violência do racismo que afeta as religiões de matriz africana. Um processo que, segundo Babá Sérgio, se aprofundou no último governo, do ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>“A gente lutou, pediu a Deus e aos orixás, aos voduns e aos encantados. No último governo, houve muitos ataques aos nossos terreiros. A gente quase foi banido pela forma de sacralização dos animais por uma perseguição à nossa religiosidade. Os frigoríficos, os abatedouros, [matam] milhares de aves. Mas o problema é porque é o candomblé, porque é de negro”, critica o responsável pelo terreiro fundado em 1933.</p>
<p>O Ilê Oman está atualmente fechado, em luto de um ano pela morte da matriarca mãe Lydia, em dezembro de 2022. Lydia ficou 48 anos à frente da casa e dedicou 70 dos 86 anos que viveu ao candomblé.</p>
<p>Babá Sérgio reconhece a delicadeza de lideranças religiosas se posicionarem politicamente. No entanto, ele enxerga que certos momentos exigem atuação. “A gente não pode colocar a religiosidade em política de homem, em política partidária. Mas, de uma forma ou de outra, a gente tem que falar, porque é a política que nos move”, enfatiza.</p>
<p>Por isso, ele espera que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva traga um respiro para o povo de santo. “A nossa esperança era viver com menos perseguição. Isso nós vamos conseguir, eu tenho certeza”, diz.</p>
<h2>“Botar pé firme e lutar”</h2>
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<figure id="attachment_58212" aria-describedby="caption-attachment-58212" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-3-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-58212" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-3-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Terreiros De Santo Amaro Se Unem Para Combater O Racismo Na Religião - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-3-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-3-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/03/06-Terreiros-de-Santo-Amaro-se-unem-para-combater-o-racismo-na-religiao-3-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-58212" class="wp-caption-text">Māe Williana de Odé, em eu terreiro Ilê axé Ojú Igbô Odé &#8211; Joédson Alves/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>A iaquequerê (mãe pequena) do Ilê Axe Igbalê, mãe Lyndu se assusta com a proporção da perseguição aos terreiros e seguidores do candomblé nos últimos anos.</p>
<p>“Muito preconceito religioso. A gente se veste com a roupa do santo para poder fazer as coisas que tem que fazer. E muita gente desfaz da gente, da nossa religião, da nossa matriz africana. A gente faz as caminhadas aqui para ver se acaba com isso”, diz em referência às manifestações contra o preconceito organizadas pelos terreiros na cidade.</p>
<p>Os fiéis, segundo a mãe de santo, se esforçam para conciliar as práticas ancestrais com o respeito à comunidade e ao meio ambiente. “A gente não mexe com ninguém. Cumpre as obrigações. A gente não polui o rio. Quando a gente leva um presente para a praia, a gente não joga frasco de perfume. A gente não joga saco plástico. Nada disso nós fazemos, temos todos os cuidados”, explicou.</p>
<p>Apesar da discriminação, mãe Lyndu defende que os costumes têm que ser mantidos. “A resistência da gente é botar pé firme, chamar por deus e lutar”, resume. “O povo fale ou não fale, critique ou não critique, nós temos que continuar. Não podemos parar com nossa cultura, com nosso axé, com nossas raízes. Temos que continuar lutando”, acrescenta sobre a disposição em manter viva a religião.</p>
<p>“Sofremos muitos ataques, discriminação. As pessoas não nos respeitam. E, depois do governo passado, ficou pior a situação”, avalia Williana de Odé do terreiro Ilê Axé Oju Igbo Odé e que também faz parte da diretoria da associação do Bembé do Mercado. Mas a mãe de santo também não se intimida com a hostilidade racista. “Eu visto minha roupa, boto minhas contas e saio pela rua. Mas tem muitas pessoas que nem falam que são do candomblé”, diz.</p>
<p>Para enfrentar essa situação, Williana tem confiança na união dos praticantes da religião. “Estamos nos unindo cada vez mais. E temos sempre reuniões, através do pai Pote [presidente da associação] e do Bembé do Mercado. Estamos sempre nessa questão de nos unir para estarmos nos setores, fazendo os trabalhos, para viajar, [e para a] caminhada contra a intolerância religiosa”, ressalta.</p>
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