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	<title>crise climática &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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	<description>Um Jornal que fala a língua do Brasil</description>
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	<title>crise climática &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Caravana da Resposta parte rumo à COP30 para denunciar megaprojetos do agronegócio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Eliane Gervasio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2025 17:01:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cop30]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
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		<category><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></category>
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					<description><![CDATA[Indígenas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil lançaram a Caravana da Resposta, uma mobilização que percorrerá mais de 3 mil quilômetros entre Mato Grosso e Belém (PA) até a COP30, conferência climática da ONU marcada para novembro de 2025. O objetivo é denunciar os impactos da monocultura e dos grandes projetos logísticos do agronegócio [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Indígenas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil lançaram a Caravana da Resposta, uma mobilização que percorrerá mais de 3 mil quilômetros entre Mato Grosso e Belém (PA) até a COP30, conferência climática da ONU marcada para novembro de 2025. O objetivo é denunciar os impactos da monocultura e dos grandes projetos logísticos do agronegócio sobre os povos tradicionais e os biomas da Amazônia e do Cerrado.</p>
<p>Mais de 300 participantes, entre representantes de comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e movimentos populares, seguirão pela chamada “rota da soja”, em um trajeto que combina estrada e rios. Durante o percurso, estão previstas manifestações culturais, atos públicos e rodas de diálogo com comunidades locais.</p>
<p>A etapa final será feita por barco, que funcionará como alojamento coletivo e cozinha solidária em Belém, garantindo a presença dos participantes durante a conferência climática. A ação busca contrapor o modelo de desenvolvimento baseado na exportação de commodities, que — segundo os organizadores — “concentra riqueza, destrói florestas e ameaça modos de vida”.</p>
<figure id="attachment_86495" aria-describedby="caption-attachment-86495" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-86495" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-Alessandra-Korap-Munduruku-lider-dos-povos-indigenas-Munduruku-da-Amazonia-brasileira-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Alessandra Korap Munduruku, Líder Dos Povos Indígenas Munduruku Da Amazônia Brasileira - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-Alessandra-Korap-Munduruku-lider-dos-povos-indigenas-Munduruku-da-Amazonia-brasileira-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-Alessandra-Korap-Munduruku-lider-dos-povos-indigenas-Munduruku-da-Amazonia-brasileira-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-Alessandra-Korap-Munduruku-lider-dos-povos-indigenas-Munduruku-da-Amazonia-brasileira-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/10/24-Alessandra-Korap-Munduruku-lider-dos-povos-indigenas-Munduruku-da-Amazonia-brasileira-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-86495" class="wp-caption-text">Alessandra Korap Munduruku, líder dos povos indígenas Munduruku da Amazônia brasileira, fala durante o TEDxAmazônia &#8211; Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h3>Corredores logísticos e resistência</h3>
<p>A mobilização é organizada pela Aliança Chega de Soja, criada em 2024 e formada por mais de 40 organizações socioambientais. Um dos principais focos da campanha é impedir a construção da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar Sinop (MT) a Itaituba (PA) e escoar a produção de grãos.</p>
<p>Estudos da Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio) indicam que o projeto pode causar até 49 mil km² de desmatamento, o equivalente a 30 vezes a área da cidade de São Paulo. Atualmente, a obra está suspensa por decisão liminar do STF, aguardando o retorno do julgamento após pedido de vista do ministro Flávio Dino.</p>
<p>Além da Ferrogrão, a caravana denuncia os projetos de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, apontados como ameaças aos ecossistemas e aos territórios tradicionais. Os participantes defendem a agroecologia, a pesca artesanal e uma infraestrutura voltada às pessoas — e não ao lucro.</p>
<blockquote><p>“Querem transformar nossos rios em hidrovias mortas e nossas casas em corredores logísticos. Mas nós vamos defender nossos territórios, porque disso depende o futuro de todo mundo”, afirma a liderança indígena Alessandra Munduruku.</p></blockquote>
<h3>Um outro caminho possível</h3>
<p>A Caravana da Resposta também pretende destacar alternativas sustentáveis, com foco em agroecologia, sociobiodiversidade e economia solidária. O percurso de 14 dias seguirá pela BR-163, a “rodovia da soja”, e pelos rios Tapajós e Amazonas, com paradas em Miritituba e Santarém para atividades conjuntas com comunidades locais.</p>
<p>Em Belém, os participantes se juntarão à Cúpula dos Povos e à COP do Povo, eventos paralelos à conferência oficial da ONU, reforçando o protagonismo dos povos da floresta na construção de uma agenda climática justa, inclusiva e anticolonial.</p>
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		<title>Crise climática é amplificadora de outras crises, alerta pesquisadora</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/crise-climatica-e-amplificadora-de-outras-crises-alerta-pesquisadora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucio Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 00:28:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Aquecimento Global]]></category>
		<category><![CDATA[cop30]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Mercedes Bustamante]]></category>
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					<description><![CDATA[O ano de 2025 começou com chuvas intensas nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil e estiagem no Nordeste, evidenciando cada vez mais os efeitos das mudanças climáticas. Essa crise, além de gerar impactos ambientais, agrava desigualdades e impõe novos desafios globais. A urgência em enfrentar a crise climática e buscar soluções é tema central [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O ano de 2025 começou com chuvas intensas nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil e estiagem no Nordeste, evidenciando cada vez mais os efeitos das mudanças climáticas. Essa crise, além de gerar impactos ambientais, agrava desigualdades e impõe novos desafios globais.</p>
<p>A urgência em enfrentar a crise climática e buscar soluções é tema central da 30ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada no Brasil. Em entrevista exclusiva à <em>Agência Brasil</em>, Mercedes Bustamante, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) e colaboradora do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, reforça que a crise climática é uma amplificadora de outras crises.</p>
<p>“Ela contribui para o agravamento de problemas já existentes, como desigualdade, fome, escassez de recursos hídricos, migrações humanas e conflitos geopolíticos”, afirma a especialista. Bustamante também aponta que trabalhar nas causas do aquecimento global é a ação mais urgente.</p>
<figure id="attachment_81450" aria-describedby="caption-attachment-81450" style="width: 463px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-81450" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/01/21-Pesquisadora-da-Universidade-de-Brasilia-Mercedes-Bustamante-Expresso-Carioca.webp?resize=463%2C309&#038;ssl=1" alt="Pesquisadora Da Universidade De Brasília Mercedes Bustamante - Expresso Carioca" width="463" height="309" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/01/21-Pesquisadora-da-Universidade-de-Brasilia-Mercedes-Bustamante-Expresso-Carioca.webp?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/01/21-Pesquisadora-da-Universidade-de-Brasilia-Mercedes-Bustamante-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/01/21-Pesquisadora-da-Universidade-de-Brasilia-Mercedes-Bustamante-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /><figcaption id="caption-attachment-81450" class="wp-caption-text">Pesquisadora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h3>A importância de acordos climáticos globais</h3>
<p>Segundo Bustamante, acordos internacionais, como o Acordo de Paris – firmado na COP21 em 2015 – são essenciais para combater a crise climática. O principal objetivo do acordo é limitar o aquecimento global a menos de 2°C até o final do século, com esforços para restringi-lo a 1,5°C.</p>
<p>“Não adianta o Brasil reduzir suas emissões de gases do efeito estufa se outros países não fizerem o mesmo. É necessário um esforço coletivo”, explica. Para ela, o enfrentamento à crise também depende de transições energéticas rápidas e sérias, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e investindo em fontes de energia renováveis.</p>
<h3>Impactos sobre as cidades e soluções necessárias</h3>
<p>A urbanização desordenada torna as cidades brasileiras particularmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Mercedes destaca que é urgente priorizar a salvação de vidas e retirar populações de áreas de risco. “Eventos de chuvas extremas têm sido recorrentes desde 2011. A reconstrução das cidades afetadas precisa ser feita de forma planejada, talvez em novos locais”, afirma.</p>
<p>Além disso, ela enfatiza a importância de medidas voltadas à conservação ambiental. “O Brasil tem uma oportunidade única de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e promover a recuperação de áreas verdes. Isso não é apenas uma questão de adaptação, mas também uma solução para o sequestro de carbono”.</p>
<h3>Papel do setor financeiro e da política global</h3>
<p>Bustamante também ressalta o papel crucial do setor financeiro no enfrentamento à crise climática. “Com a concentração de recursos em poucas mãos, é fundamental que o setor privado apoie iniciativas de adaptação e mitigção. A atmosfera é um bem comum global, e todos dependem dela”.</p>
<p>Sobre a política climática internacional, ela comenta que decisões unilaterais, como a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris durante o governo Trump, impactam negativamente os esforços globais. No entanto, iniciativas privadas e avanços tecnológicos podem ajudar a manter o progresso.</p>
<h3>Senso de urgência</h3>
<p>Mercedes Bustamante conclui destacando que o tempo é um fator crítico. “Se tínhamos começado a agir há 30 anos, estaríamos em outro patamar. As forças negacionistas atrasaram o enfrentamento à crise, mas é fundamental que agora haja um senso de urgência para que as medidas sejam implementadas de forma imediata”.</p>
<p>A crise climática é um desafio global que requer colaboração, planejamento e ações concretas para garantir um futuro mais seguro para as próximas gerações.</p>
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		<title>Adaptação das cidades à crise climática exige mudança de paradigma</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/adaptacao-das-cidades-a-crise-climatica-exige-mudanca-de-paradigma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 May 2024 16:14:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
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					<description><![CDATA[A reconstrução das cidades gaúchas e a adaptação dos territórios urbanos à crise climática exigem uma mudança de paradigma, com estratégias de mitigação de impactos climáticos em confluência com a preservação dos recursos naturais e modelos baseados em soluções da natureza. A avaliação é de especialistas ouvidos. O coordenador de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A reconstrução das cidades gaúchas e a adaptação dos territórios urbanos à crise climática exigem uma mudança de paradigma, com estratégias de mitigação de impactos climáticos em confluência com a preservação dos recursos naturais e modelos baseados em soluções da natureza. A avaliação é de especialistas ouvidos.</p>
<figure id="attachment_76933" aria-describedby="caption-attachment-76933" style="width: 463px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-76933" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Coordenador-de-Justica-Climatica-do-Greenpeace-Brasil-Igor-Travassos-Expresso-Carioca.webp?resize=463%2C314&#038;ssl=1" alt="Coordenador De Justiça Climática Do Greenpeace Brasil, Igor Travassos - Expresso Carioca" width="463" height="314" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Coordenador-de-Justica-Climatica-do-Greenpeace-Brasil-Igor-Travassos-Expresso-Carioca.webp?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Coordenador-de-Justica-Climatica-do-Greenpeace-Brasil-Igor-Travassos-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C203&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Coordenador-de-Justica-Climatica-do-Greenpeace-Brasil-Igor-Travassos-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C102&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /><figcaption id="caption-attachment-76933" class="wp-caption-text">Coordenador de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Igor Travassos &#8211; Fael Miranda/ASCOM Talíria Petrone</figcaption></figure>
<p>O coordenador de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Igor Travassos, reforça que é preciso se adaptar a essa realidade de ocorrência de eventos climáticos extremos. “Não adianta a gente simplesmente reconstruir as coisas do mesmo jeito, a gente já entendeu que as estruturas vão ser impactadas, onde chega o nível do rio”, diz. Ele defende um processo participativo de reconstrução das cidades afetadas pelas enchentes no Sul do país, junto à população dos territórios mais impactados e a pesquisadores.</p>
<p>Além disso, Travassos avalia que a prevenção e a resposta a esses eventos têm que ser política prioritária em todas as esferas de governo. “Porque se adaptar a essa realidade é garantir, sobretudo, o direito constitucional à vida das pessoas. Tem pessoas morrendo diante de eventos climáticos extremos, a gente precisa garantir políticas públicas que assegurem o direito à vida dessas pessoas”, diz.</p>
<p>Entre as ações, estão o incentivo à cultura de prevenção e planos de adaptação às mudanças climáticas e de gestão de risco e desastre. No entanto, ele enfatiza que os planos precisam sair do papel.</p>
<blockquote><p>“O que a gente precisa é que exista a vontade política e o orçamento público destinado para a efetivação desse plano. Antes de tudo, é colocar como prioridade. Prevenção e adaptação às mudanças climáticas e resposta a eventos climáticos extremos têm que ser política prioritária, tanto em orçamento, como prioridade de ações e medidas do poder público, seja ele municipal, estadual ou federal”, destaca o coordenador do Greenpeace Brasil.</p></blockquote>
<p>“A gente vem num contexto, nas últimas décadas, de intensificação desses eventos climáticos extremos. No ano passado, por exemplo, no Rio Grande do Sul, as comportas do Guaíba foram acionadas mais de uma vez, a gente lidou com eventos de grande proporção que ocasionaram mortes. Já tinha sinais de que precisava de um investimento pesado e de que isso fosse colocado como prioridade”, aponta.</p>
<p>Com base nos dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano, o Greenpeace Brasil identificou que somente R$ 7,6 milhões da LOA do Rio Grande do Sul, de um total de mais de R$ 80 bilhões foram destinados para ações da Defesa Civil. O montante equivale a apenas 0,009% da receita total do estado, o que é “escandaloso”, na avaliação de Travassos. Considerando apenas as ações da Defesa Civil relacionadas à prevenção, resposta, emergência e reconstrução, o valor é ainda menor, cerca de R$ 5 milhões.</p>
<h2>Ações locais</h2>
<p>Apesar da necessidade de um plano nacional de adaptação às mudanças climáticas, o especialista ressalta que é “importante entender que adaptação não é receita de bolo” e que cada território vai lidar de uma forma diferente com a questão. Isso porque cada região tem diferenças geológicas, hidrológicas e sociais. Ele aponta a necessidade de análise e mapeamento de risco dos territórios para que, a partir daí, seja feita uma adaptação.</p>
<p>Em relação à cultura de prevenção, ele ressalta que deve haver um planejamento de evacuação, as pessoas precisam saber em que local se abrigar e o que fazer com animais de estimação, por exemplo, diante de tais eventos. “Não adianta a gente instalar sirene se a gente não souber o que fazer quando ela disparar.” Sobre estruturas nas cidades, ele cita obras de contenção de encostas onde há risco de deslizamento e soluções baseadas na natureza.</p>
<p>“Por muito tempo, a gente fez uma cultura de impermeabilizar tudo, de uma estrutura cinza na cidade. A gente precisa urgentemente criar outras formas de escoamento e de absorção da água pelo solo. Inclusive, a própria restauração das áreas degradadas é também para isso, para estimular que o solo e a natureza cumpram seu papel de absorção da água”, diz.</p>
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<h2>Estratégias de drenagem</h2>
<figure id="attachment_76934" aria-describedby="caption-attachment-76934" style="width: 463px" class="wp-caption alignright"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-76934" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Paulo-Pellegrino-professor-da-Faculdade-de-Arquitetura-e-Urbanismo-da-USP-Expresso-Carioca.webp?resize=463%2C316&#038;ssl=1" alt="Paulo Pellegrino, Professor Da Faculdade De Arquitetura E Urbanismo Da USP - Expresso Carioca" width="463" height="316" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Paulo-Pellegrino-professor-da-Faculdade-de-Arquitetura-e-Urbanismo-da-USP-Expresso-Carioca.webp?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Paulo-Pellegrino-professor-da-Faculdade-de-Arquitetura-e-Urbanismo-da-USP-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C205&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/05/19-Paulo-Pellegrino-professor-da-Faculdade-de-Arquitetura-e-Urbanismo-da-USP-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C102&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /><figcaption id="caption-attachment-76934" class="wp-caption-text">Paulo Pellegrino, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP &#8211; Leonor Calasans/IEA-USP</figcaption></figure>
<p>O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Paulo Pellegrino lembra que o modelo atual de drenagem nas cidades tende a se livrar das águas. “Tem uma sequência de superfícies impermeáveis que vai levando a água cada vez mais rapidamente, em maior volume, ladeira abaixo. Quer dizer, rumo ao rio, rumo aos principais canais, às planícies de alagamento, nos pontos onde as águas se acumulam lá embaixo”, explica. No contexto da crise climática, ele avalia que tais modelos têm que ser revistos.</p>
<blockquote><p>“Se nós continuarmos usando as mesmas ideias antigas de condução das águas, de tentar conter as águas e fazer estruturas de cimento, concreto e alvenaria para se proteger das águas, vai ser uma perda de tempo. Vai ser muito dinheiro jogado fora se tentarmos reconstruir a mesma infraestrutura que estava antes lá”, diz o professor sobre a reconstrução no Sul.</p></blockquote>
<p>Para o urbanista, as cidades precisam abrir espaços para as águas. “Nós estamos presenciando fenômenos extremos, de muita água caindo em pouco tempo, em uma frequência muito maior do que era previsto. Quando chega a esse ponto, você vai ter que forçosamente mudar o seu paradigma”, diz. Para mitigação dos impactos de chuvas intensas, são necessárias estratégias para reter a água e reduzir a velocidade desse fluxo, evitando que seja direcionada uma grande quantidade de água para um mesmo lugar.</p>
<p>“Tem que desenhar, por exemplo, nessas áreas que são factíveis de se receber água, áreas para plantio de culturas que recebam inundações periódicas, parques alagáveis, áreas de recuperação ambiental, ou outras estruturas de usos que podem ser amigáveis com as águas, receber e devolver as águas, e até tratá-las nesse caminho”, aponta o urbanista, que também defende a eficácia de modelos baseados nas soluções da natureza.</p>
<p>Pellegrino cita exemplos de outros países, como cidades na China que estão tornando seus solos mais permeáveis, numa solução que ficou conhecida como cidades-esponja. &#8220;São grandes espaços que estão sendo abertos, para que recebam e absorvam as águas.”</p>
<p>Ele acrescenta que a cidade de Bangkok, capital da Tailândia, também está sofrendo muito com o aumento do nível das águas. Diante dessa realidade, em espaços que eram totalmente impermeáveis, estão sendo criados grandes parques alagáveis, relata o professor.</p>
<p>Além de garantirem espaços permeáveis para as águas, as superfícies de água, as áreas úmidas e com vegetação podem ser utilizadas para lazer quando as águas baixam. Elas se configuram ainda como ilhas de frescor na paisagem urbana, um sistema de condicionamento climático. “O sistema tradicional que eliminava a água, que enterrava em galerias subterrâneas e canalizava córregos em concreto, aumenta a temperatura, deixando a cidade mais suscetível a ondas de calor”, diz.</p>
</div>
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