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	<title>Cemitérios &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Cemitérios do país recebem visitas guiadas e viram museus a céu aberto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 May 2023 16:11:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De dia ou de noite, eles percorrem lugares que causam arrepios em muitas pessoas. Entre túmulos e epitáfios, encontram materiais de valor histórico, artístico e cultural. Convictos de que os cemitérios podem ser uma galeria a céu aberto, pesquisadores da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Abec) organizaram uma agenda de visitas gratuitas pelo país. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>De dia ou de noite, eles percorrem lugares que causam arrepios em muitas pessoas. Entre túmulos e epitáfios, encontram materiais de valor histórico, artístico e cultural. Convictos de que os cemitérios podem ser uma galeria a céu aberto, pesquisadores da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Abec) organizaram uma agenda de visitas gratuitas pelo país. A programação faz parte da 21ª Semana Nacional de Museus, que começou na segunda-feira (15).</p>
<p>Dois eventos já ocorreram na última sexta-feira (12) &#8211; os passeios guiados no Cemitério São Bonifácio, em Curuçá (PA), e no Cemitério do Araçá, na capital paulista. Estão previstos mais 13 eventos, entre os dias 18 e 28 de maio, em Belém, na capital paulista, em  Campinas, Guarulhos, Piracicaba e Jaú, em São Paulo, em Belo Horizonte (MG) e Torres (RS).</p>
<p>No Rio de Janeiro, a visita será no Cemitério São João Batista, no próximo sábado (20, mediada pelas historiadoras Maria de Fátima Fonseca e Marcia Costa Carneiro, ao lado da pedagoga Isabela Silveira. No cemitério, há um número grande de pessoas famosas sepultadas, como o ex-presidentes Floriano Peixoto, o compositor Tom Jobim e o escritor Carlos Drummond de Andrade. Mas a visita desta vez tem enfoque diferente. O tema é a memória do samba e do carnaval, pensada a partir das desigualdades sociais.</p>
<p>“A maior parte dos sambistas cariocas foi sepultada em cemitérios da zona norte, uma vez que o São João Batista é historicamente um local de elites. Ali, os poucos negros estão em áreas menos valorizadas. Na nossa visita, dois exemplos são os jazigos de Clementina de Jesus e Donga”, explica a historiadora Maria de Fátima. “A proposta é chamar a atenção para os cemitérios como locais de memória e história da cidade. As desigualdades sociais têm reflexos nos espaços cemiteriais, o que nos mostra que nem a morte é igual para todos”.</p>
<figure id="attachment_59704" aria-describedby="caption-attachment-59704" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-59704" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=754%2C566&#038;ssl=1" alt="Visitas Em Cemiterios Semana De Museus Cemitério Do Araçá, São Paulo - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="754" height="566" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=750%2C563&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-59704" class="wp-caption-text">Rio de Janeiro (RJ) &#8211; Visitas em cemiterios &#8211; Semana de Museus &#8211; Cemitério do Araçá, São Paulo. &#8211; Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>Maria de Fátima pesquisa no mestrado os funerais das artistas Carmen Miranda e Clara Nunes. O foco é entender mudanças na perspectiva sobre o luto no século 20 e o papel da mídia em estimular a comoção pública. O interesse pelo tema da morte surgiu durante o período mais crítico da pandemia de covid-19. Para ela, foi um jeito de lidar com o próprio medo de morrer.</p>
<p>“Estudar a morte foi a forma que encontrei não apenas para a temer menos, mas também para valorizar a vida. Quando estudamos a história da morte, percebemos o quanto o tema se tornou tabu na sociedade contemporânea. Foi desnaturalizada, quando na verdade é o reverso da vida. Isso interfere na nossa capacidade de elaborar o luto quando perdemos alguém querido. Sofremos mais e sozinhos”.</p>
<p>O estigma sobre a morte é uma das explicações para as visitações em cemitérios ainda serem vistas com desconfiança no Brasil, de acordo com o historiador Paulo Renato Tot Pinto. Ele é de Piracicaba, integra a diretoria da Abec e estuda o tema da morte na música sertaneja. Paulo entende que o país precisa valorizar mais os cemitérios como espaços museológicos, mesmo que fora dos padrões tradicionais. Ele cita exemplos bem-sucedidos de valorização patrimonial e turística, como o cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina, lugar que, paradoxalmente, recebe muitos brasileiros que visitam o país vizinho.</p>
<p>“Quando você mostra que não é apenas um lugar para sepultar pessoas, mas que lá existem esculturas que foram construídas, entre outras coisas, relações sociais de afeto, elas conseguem entender melhor a cidade dos mortos. Que nada mais é do que um reflexo da cidade dos vivos. Lá você tem ruas, divisões entre o centro e a periferia, a ostentação de materiais. Principalmente quando você analisa sepulturas do século 19 e do início do 20, e vê que as pessoas tentavam se diferenciar socialmente até depois da morte”.</p>
<p>Paulo defende que os cemitérios guardam múltiplas riquezas. Não à toa, a Abec reúne pesquisadores de diversas áreas do conhecimento: história, antropologia, sociologia, pedagogia, arquitetura, geografia e até medicina. Ela foi fundada em 2004, a partir de um encontro que ocorreu na Universidade de São Paulo (USP). Há associados em quase todos os estados do país, em Portugal e nos Estados Unidos. A cada dois anos, eles se encontram para debater sobre esculturas, elementos arquitetônicos, costumes, relações sociais, configuração espacial e outros temas cemiteriais.</p>
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<figure id="attachment_59703" aria-describedby="caption-attachment-59703" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo.-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-59703" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo.-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=754%2C566&#038;ssl=1" alt="Visitas Em Cemiterios Semana De Museus Cemitério Do Araçá, São Paulo. - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="754" height="566" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo.-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo.-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/05/17-Visitas-em-cemiterios-Semana-de-Museus-Cemiterio-do-Araca-Sao-Paulo.-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpeg?resize=750%2C563&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-59703" class="wp-caption-text">Rio de Janeiro (RJ) &#8211; Visitas em cemiterios &#8211; Semana de Museus &#8211; Cemitério do Araçá, São Paulo. &#8211; Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>Fomentar uma agenda de estudos e de visitas guiadas ajuda, assim, a manter a vida nos cemitérios. Mais do que a morte física, o que preocupa os pesquisadores é a morte pelo apagamento da memória.</p>
<p>“Você morre quando é esquecido. Quando você utiliza o cemitério para visitas e passeios, está rememorando e trazendo à vida aquelas pessoas que estão sepultadas ali. Se elas são esquecidas, realmente morrem e somem da história”, analisa Paulo Renato Tot. “Você vê nos cemitérios do país muita degradação, muito roubo. Quando você ocupa o espaço, ele entra no olhar do Poder Público de forma diferente. E as pessoas entendem que os roubos que acontecem ali não são dos materiais em si, como o bronze. Mas que foram roubados o patrimônio, a história e uma parte da cidade”.</p>
<h2>Programação de visitas aos cemitérios</h2>
<p>18/05 &#8211; Cemitério Santa Izabel &#8211; Belém/PA</p>
<p>19/05 &#8211; Cemitério da Saudade &#8211; Campinas/SP</p>
<p>20/05 &#8211; Cemitério São João Batista &#8211; Rio de Janeiro/RJ</p>
<p>20/05 &#8211; Cemitério São João Batista &#8211; Guarulhos/SP</p>
<p>20/05 &#8211; Necrópole de São Paulo &#8211; São Paulo/SP</p>
<p>20/05 &#8211; Cemitério da Saudade &#8211; Campinas/SP</p>
<p>21/05 &#8211; Cemitério São Judas Tadeu &#8211; Guarulhos/SP</p>
<p>21/05 &#8211; Cemitério da Saudade &#8211; Campinas/SP</p>
<p>21/05 &#8211; Cemitério Municipal Campo Bonito &#8211; Torres/RS</p>
<p>21/05 &#8211; Cemitério da Saudade &#8211; Piracicaba/SP</p>
<p>21/05 &#8211; Cemitério da Consolação &#8211; São Paulo/SP</p>
<p>26/05 &#8211; Cemitério Ana Rosa de Paulo &#8211; Jahu/SP</p>
<p>28/05 &#8211; Cemitério do Bonfim &#8211; Belo Horizonte/MG</p>
<p>Para inscrições e mais informações, acesse a <a href="http://estudoscemiteriais/" target="_blank" rel="noopener">conta oficial da Abec no Instagram</a>.</p>
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