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	<title>Candomblé &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Tradição e fé impulsionam busca por banhos e ervas no fim de ano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 16:36:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Aroma e conhecimento popular se mesclam em banquinhas de ervas espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro, em feiras livres ou nas esquinas, da zona norte à zona sul. Nesses pontos de venda, saberes passados de geração em geração receitam chás, xaropes, escalda pés, banhos e outras preparações. Mesmo sem comprovação medicinal para curar doenças, as preparações promovem o bem-estar e, por isso, no fim de ano, cresce a procura por folhas para banhos energéticos e rituais.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Em um ponto da Rua da Carioca, no Centro, o erveiro José Adaílton de Souza Ferreira borrifa suas plantas, de tempos em tempos, para protegê-las do calor. Empilhadas em um carrinho de mão estilo “burro sem rabo”, estão ramos de macassá, levante, manjericão, arruda, alfazema, alecrim e sálvia, “as mais procuradas para banhos energizantes ou de ‘descarrego’, contra inveja e olho grande”, prescreve.</p>
<p>“Tem tanta gente que chega carregado aqui, toma um banho de abre-caminho, desata nó, vence demanda, e a pessoa melhora muito”, conta o erveiro, que dá instruções simples: “Cozinhar ou esfregar, um dos dois, e depois jogar da cabeça aos pés”.</p>
<figure id="attachment_87681" aria-describedby="caption-attachment-87681" style="width: 754px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-87681" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-O-erveiro-Jose-Adailton-de-Souza-Ferreira-mostra-as-ervas-para-banho-energetico-e-espiritual-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Erveiro José Adaílton De Souza Ferreira Mostra As Ervas Para Banho Energético E Espiritual - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-O-erveiro-Jose-Adailton-de-Souza-Ferreira-mostra-as-ervas-para-banho-energetico-e-espiritual-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-O-erveiro-Jose-Adailton-de-Souza-Ferreira-mostra-as-ervas-para-banho-energetico-e-espiritual-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-O-erveiro-Jose-Adailton-de-Souza-Ferreira-mostra-as-ervas-para-banho-energetico-e-espiritual-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-O-erveiro-Jose-Adailton-de-Souza-Ferreira-mostra-as-ervas-para-banho-energetico-e-espiritual-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-87681" class="wp-caption-text">O erveiro José Adaílton de Souza Ferreira mostra as ervas para banho energético e espiritual que vende em um ponto na Rua da Carioca, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>As folhas ainda são procuradas para cuidados de saúde, caso do saião, guaco e assa-peixe, usadas para incrementar xaropes caseiros, mas a maior demanda dos erveiros é para o uso em banhos energéticos ou rituais.</p>
<p>As religiões indígenas e de matriz africana utilizam as plantas nas celebrações. No candomblé, por exemplo, as folhas, chamadas ewés, carregam o axé, a força vital que conecta o mundo espiritual ao mundo real, sendo cada espécie usada para uma finalidade, como oferendas, banhos e curas. Nesta religião, as ervas purificam, equilibram e reenergizam.</p>
<p>A Mãe Nilce de Iansã, referência do terreiro Ilê Omolu Oxum, na Baixada Fluminense explica: “Kò si ewé, kò si Orixá [ditado iorubá], ou seja, sem folha não tem orixá, porque o orixá é a natureza”.</p>
<p>Em um terreiro, ela relata que as folhas são para uso religioso, terapêutico e alimentar. “Muitas pessoas chegam até nós sem saber o que fazer, tomam um banho de nossas ervas, bebem um chá e se sentem aliviadas”.</p>
<p>Coordenadora da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras, ela lembra que uma das bandeiras da entidade é o reconhecimento das ações terapêuticas nos terreiros como práticas de saúde. “Não estou falando de cura, mas de cuidado”, frisou.</p>
<h2>Conhecimento</h2>
<p>No caso dos banhos, Mãe Nilce avisa que a prescrição varia de acordo com cada pessoa e a intenção de cada tratamento. Para dar conta dessas especificidades, &#8220;ialorixás [sacerdotes mulheres] e babalorixás [homens] estudam, se preparam e são guardiões de conhecimento ancestral”, explica.</p>
<p>Por isso, ela diz que não há uma receita universal, que sirva para qualquer pessoa. Mesmo assim, Nilce dá uma dica alternativa que pode fazer bem a qualquer um no fim de ano:</p>
<p>“Tome um banho de mar. Que delícia! Tome banho de rio e de cachoeira. É energia pura”.</p>
<p>Apesar das dúvidas sobre a eficácia da fitoterapia na cura de doenças, a ciência já atestou que práticas religiosas/rituais podem ser benéficas para a saúde, é o que lembra Aline Saavedra, doutora em biologia vegetal e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).</p>
<p>“Não existe uma pesquisa para saber se, de fato, aquele banho vai te dar mais energia ou te trazer, proteção”, diz. “Porém, em relação ao bem estar, o fato de as pessoas se sentirem mais protegidas, obviamente, muda a química do nosso cérebro positivamente, e isso traz benefícios”, afirma.</p>
<figure id="attachment_87682" aria-describedby="caption-attachment-87682" style="width: 754px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-87682" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Comercio-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-no-Mercadao-de-Madureira-Expresso-Carioca-1.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Comércio De Ervas Para Banhos Energéticos E Espirituais No Mercadão De Madureira - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Comercio-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-no-Mercadao-de-Madureira-Expresso-Carioca-1.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Comercio-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-no-Mercadao-de-Madureira-Expresso-Carioca-1.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Comercio-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-no-Mercadao-de-Madureira-Expresso-Carioca-1.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Comercio-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-no-Mercadao-de-Madureira-Expresso-Carioca-1.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-87682" class="wp-caption-text">Comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h2>Precaução</h2>
<p>No caso de ingestão, Aline recomenda cuidado.<strong> </strong>“Já sabemos que, certos chás podem trazer toxicidade, por exemplo, se utilizados por um período prolongado”, alertou.</p>
<p>Ela também chamou atenção para similaridades entre plantas, que podem passar despercebidas. “É preciso que o erveiro demonstre conhecimento com a procedência das plantas. Folha seca moída é difícil diferenciar”.</p>
<p>Um uso seguro das folhas, segundo Aline, é de plantas já conhecidas da culinária. “Todos os temperos têm propriedade medicinais. Manjericão, orégano, sálvia, alecrim. Só dosar e não exagerar na quantidade”, recomenda.</p>
<p>Quem tiver dúvidas, pode consultar o <a href="https://hortodidatico.ufsc.br/" target="_blank" rel="noopener">Horto Virtual da Universidade Federal de Santa Catarina</a>. O site permite identificar uma planta pelo nome popular e científico, fornecendo informações sobre origem, modo de usar e efeitos adversos.</p>
<figure id="attachment_87684" aria-describedby="caption-attachment-87684" style="width: 754px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-87684" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Ponto-de-venda-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-numa-rua-do-Bairro-de-Fatima-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Ponto De Venda De Ervas Para Banhos Energéticos E Espirituais Numa Rua Do Bairro De Fátima - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Ponto-de-venda-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-numa-rua-do-Bairro-de-Fatima-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Ponto-de-venda-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-numa-rua-do-Bairro-de-Fatima-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Ponto-de-venda-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-numa-rua-do-Bairro-de-Fatima-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Ponto-de-venda-de-ervas-para-banhos-energeticos-e-espirituais-numa-rua-do-Bairro-de-Fatima-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-87684" class="wp-caption-text">Ponto de venda de ervas para banhos energéticos e espirituais numa rua do Bairro de Fátima. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
<h2>Identidade</h2>
<p>Atento aos riscos, João*, erveiro do Bairro de Fátima, na região central do Rio, não faz prescrições.</p>
<p>“Eu só vendo ervas para a pessoa que sabe o que quer. Meu negócio é espiritual, nada de chá”.</p>
<p>Ele conhece bem as plantas, cultivadas por ele mesmo sem agrotóxicos, em um terreno em Irajá, na zona norte, mas prefere não misturar as funções.</p>
<p>João diz que “poderia estar fazendo outra coisa”, mas que gosta do trabalho de erveiro. Orgulhoso, ele exibe as mãos cheias de sinais do cuidado com a terra.</p>
<p>“As ervas de banho, de tempero, tem tudo a ver comigo, com a minha religião, com o que me identifica como pessoa, e com a minha origem racial”.</p>
<figure id="attachment_87683" aria-describedby="caption-attachment-87683" style="width: 754px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-87683" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Detalhes-das-marcas-nas-maos-de-um-erveiro-que-vende-ervas-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Detalhes Das Marcas Nas Mãos De Um Erveiro Que Vende Ervas - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Detalhes-das-marcas-nas-maos-de-um-erveiro-que-vende-ervas-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Detalhes-das-marcas-nas-maos-de-um-erveiro-que-vende-ervas-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Detalhes-das-marcas-nas-maos-de-um-erveiro-que-vende-ervas-Expresso-Carioca.webp?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31-Detalhes-das-marcas-nas-maos-de-um-erveiro-que-vende-ervas-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /><figcaption id="caption-attachment-87683" class="wp-caption-text">Detalhes das marcas nas mãos de um erveiro que vende ervas para banhos energéticos e espirituais numa rua do Bairro de Fátima. &#8211; Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure>
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		<title>Ampliação do acervo de objetos de religiões afro-brasileiras é prevista em acordo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 00:41:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
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		<category><![CDATA[intolerância religiosa]]></category>
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					<description><![CDATA[Nesta segunda-feira (20), o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, firmou um convênio de pesquisa com o objetivo de investigar e ampliar o acervo de objetos sagrados de religiões de matriz africana. O acervo atualmente possui 519 objetos, incluindo roupas, chapéus e atabaques, que foram apreendidos pela polícia estadual entre 1890 e 1946. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira (20), o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, firmou um convênio de pesquisa com o objetivo de investigar e ampliar o acervo de objetos sagrados de religiões de matriz africana. O acervo atualmente possui 519 objetos, incluindo roupas, chapéus e atabaques, que foram apreendidos pela polícia estadual entre 1890 e 1946. O convênio prevê uma cooperação técnico-científica entre a Defensoria Pública da União e o Museu da República, que irão analisar mais de 300 inquéritos policiais do período para identificar outros artefatos a serem adicionados à coleção.</p>
<p>“As batidas policiais aconteciam frequentemente durante as cerimônias religiosas. Mesmo depois dos sacerdotes e sacerdotisas soltos, os objetos sagrados permaneciam presos como prova documental de um crime. Que crime o povo de axé cometeu? É crime cultuar os orixás? Claro que não, mas por cultuar o sagrado, o povo de santo foi perseguido&#8221;, disse o diretor do Museu da República, Mário Chagas.</p>
<p>“Os objetos sagrados que foram guardados como prova de um crime que não existiu, hoje testemunham o crime, esse sim concreto, cometido pelo Estado contra as religiões de matriz afro-brasileira”, acrescentou.</p>
<p>Segundo o ministro Silvio Almeida, o convênio firmado representa um importante passo no aprofundamento do processo de reparação histórica aos candomblecistas e umbandistas. A iniciativa visa não somente a ampliação do acervo, mas também a valorização e resgate da história e cultura dessas religiões que tanto contribuíram para a formação da identidade brasileira. Ele destacou a importância de reconhecer o valor desses objetos sagrados e o papel fundamental que desempenham nas práticas religiosas afro-brasileiras.</p>
<p>&#8220;Falar de perseguição às religiões de matriz africana, na verdade, é a gente falar de racismo. Naquilo que se classifica de racismo religioso. Essa discriminação sistemática contra pessoas que são de religiões africanas é porque estão relacionadas ao que representa ser negro no Brasil. É uma perseguição articulada pelas instituições jurídicas e políticas&#8221;, afirmou o ministro. &#8220;É muito importante nós conhecermos essa dimensão da memória, da verdade e da justiça como ponto de partida para que a gente mude a sociedade brasileira&#8221;, destacou.</p>
<h2>Acervo</h2>
<p>Em 1938, parte do acervo de objetos sagrados de religiões de matriz africana, conhecido como “Coleção Museu de Magia Negra”, foi tombado pelo então Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN) e ficou sob responsabilidade do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro. No entanto, a comunidade religiosa que se utiliza desses objetos passou décadas solicitando a transferência das peças para outro espaço que não fosse ligado à lógica de criminalização.</p>
<p>Em 2017, a Mãe Meninazinha de Oxum, uma das principais referências do candomblé, liderou uma campanha oficial chamada de “Liberte Nosso Sagrado”, que teve o apoio de diferentes movimentos da sociedade civil. A questão ganhou destaque e chegou ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).</p>
<p>Após uma série de debates, foi assinado um termo de cessão e o acervo foi transferido para o Museu da República em 21 de setembro de 2020. Agora, o convênio assinado entre a Defensoria Pública da União e o Museu da República busca aprofundar o processo de reparação histórica aos candomblecistas e umbandistas, além de ampliar o acervo com a recuperação de outros objetos. O intercâmbio de conhecimentos e de práticas técnico-científicas será realizado por meio da análise de mais de 300 inquéritos policiais do período entre 1890 e 1946.</p>
<h2>Novo nome</h2>
<p>O superintendente regional do Iphan no Rio, Paulo Vidal, informou que uma portaria será publicada nesta terça-feira (21) para mudar oficialmente o nome do acervo, que no livro de tombo etnográfico ainda consta como &#8220;Magia Negra”, e agora vai ser oficialmente reconhecido como “Nosso Sagrado”. Para quem lutou tanto tempo para proteger e repatriar os artefatos, o evento trouxe vitórias importantes.</p>
<p>“Muito feliz pelo nosso trabalho ter sido reconhecido. Do Nosso Sagrado ser reconhecido como sagrado. É o primeiro passo de muitas outras coisas. O caminho é muito grande, mas vamos chegar lá com a benção dos orixás”, celebrou Mãe Meninazinha de Oxum.</p>
<h2>Catálogo Moda de Terreiro</h2>
<p>No Museu da República, o ministro Silvio de Almeida participou do lançamento do catálogo impresso “Moda de Terreiro”. A coordenação do projeto fica a cargo de Mãe Meninazinha de Oxum, no Ilê Omolu Oxum, em São João de Meriti, região metropolitana do Rio de Janeiro. A publicação de 40 páginas apresenta vestimentas sagradas, confeccionadas por mulheres do Ateliê Obirim Odara, sob a coordenação de Mãe Nilce de Iansã.</p>
<p>O catálogo é patrocinado pelo Fundo de Investimento Social (ELAS) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA Brasil). As vestimentas são parte de uma tradição da Bahia, trazida por Iyá Davina (1880-1964), mãe de santo e avó materna de Mãe Meninazinha de Oxum, matriarca do Ilê Omolu Oxum. O Ateliê Obirim Odara surge a partir do programa de combate à misoginia e à violência doméstica do Ilê Omolu Oxum, que acolhe mulheres vítimas desses crimes.</p>
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