<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Brumadinho &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
	<atom:link href="https://www.expressocarioca.com.br/tag/brumadinho/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.expressocarioca.com.br</link>
	<description>Um Jornal que fala a língua do Brasil</description>
	<lastBuildDate>Wed, 26 Mar 2025 17:59:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/08/cropped-favicon_logo.png?fit=32%2C32&#038;ssl=1</url>
	<title>Brumadinho &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
	<link>https://www.expressocarioca.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">165599006</site>	<item>
		<title>Brumadinho: Vítimas processam Vale e cobram justiça pelo fim do benefício de renda</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/brumadinho-vitimas-processam-vale-e-cobram-justica-pelo-fim-do-beneficio-de-renda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucio Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Mar 2025 17:59:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Processo]]></category>
		<category><![CDATA[Valefim de benefício]]></category>
		<category><![CDATA[Vitimas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=82559</guid>

					<description><![CDATA[Os atingidos pela tragédia de Brumadinho estão em uma batalha judicial contra a mineradora Vale e cobram providências do Ministério Público diante da redução do Programa de Transferência de Renda (PTR). Criado no acordo global de reparação, o benefício enfrenta cortes que dificultam a subsistência das famílias impactadas pelo rompimento da barragem em janeiro de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os atingidos pela tragédia de Brumadinho estão em uma batalha judicial contra a mineradora Vale e cobram providências do Ministério Público diante da redução do Programa de Transferência de Renda (PTR). Criado no acordo global de reparação, o benefício enfrenta cortes que dificultam a subsistência das famílias impactadas pelo rompimento da barragem em janeiro de 2019.</p>
<p>O desastre, que vitimou 272 pessoas e causou impactos ambientais devastadores, levou a Vale a estabelecer inicialmente um auxílio emergencial com valores baseados na faixa etária dos atingidos. Em 2021, um acordo de R$ 37,68 bilhões foi firmado entre a mineradora e órgãos públicos, incluindo R$ 4,4 bilhões para o PTR, gerido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com rendimentos, os valores subiram para R$ 5,56 bilhões, mas, prevendo o esgotamento dos recursos, o benefício foi reduzido pela metade em março de 2025.</p>
<p><strong>Comunidades atingidas denunciam falta de alternativas</strong></p>
<p>Para os atingidos, o corte acontece sem que as medidas de reparação econômica tenham sido implementadas. &#8220;Com R$ 379,50, é possível sobreviver?&#8221;, questionou Patrícia Passarela, moradora da comunidade de Taquaras, em Esmeraldas (MG), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo ela, a pesca e a agricultura familiar foram destruídas e não houve qualquer solução viável para retomada da economia local.</p>
<p>O pescador Quésia Martins, de Pompéu (MG), reforçou que sem o Rio Paraopeba não há fonte de renda. &#8220;A Vale limpou apenas 1% da área atingida. Como podem encerrar um programa de mitigação dos danos antes da conclusão da reparação?&#8221;, questionou Guilherme Camponêz, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).</p>
<p><strong>Base legal e ação judicial contra a Vale</strong></p>
<p>A interrupção do PTR também é questionada sob a ótica da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), sancionada em 2023. A legislação garante auxílio emergencial até que as famílias atinjam condições de vida equivalentes às anteriores ao desastre.</p>
<p>Diante disso, entidades como a Associação Brasileira dos Atingidos por Grandes Empreendimentos (ABA) acionaram a Justiça para obrigar a Vale a depositar os recursos necessários para manter o PTR sem redução até que a reparação seja concluída. No processo, destaca-se que estimativas iniciais indicavam a necessidade de R$ 9,8 bilhões para garantir um suporte adequado, mas apenas R$ 4,4 bilhões foram destinados ao programa.</p>
<p><strong>Posicionamentos e pressão sobre o Ministério Público</strong></p>
<p>A Vale sustenta que cumpriu sua obrigação ao depositar o valor acordado, não tendo participação na gestão do PTR. O Ministério Público, por sua vez, reforça que sua função é fiscalizar o cumprimento do acordo e que não tem autonomia para alterar suas condições. No entanto, após cobranças na ALMG, comprometeu-se a apresentar respostas sobre o impasse até o fim de março.</p>
<p>Os atingidos seguem pressionando por soluções concretas. Durante o lançamento do Núcleo de Acompanhamento de Reparações por Desastres (Nucard), o coordenador do MAB ressaltou a importância de avanços: &#8220;Este acordo não foi suficiente. Precisamos de reparação real, e não apenas medidas paliativas&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">82559</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Vítimas da tragédia em Brumadinho autorizam repasse de R$ 2,2 mi ao RS</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/vitimas-da-tragedia-em-brumadinho-autorizam-repasse-de-r-22-mi-ao-rs/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 14:07:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Associação]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Recursos]]></category>
		<category><![CDATA[repasse]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=76867</guid>

					<description><![CDATA[Parte dos recursos pagos pela mineradora Vale a título de indenização pelo dano moral coletivo gerado na tragédia em Brumadinho será destinado ao Rio Grande do Sul. As vítimas do rompimento da barragem, ocorrido em janeiro de 2019, aprovaram a ajuda ao estado, que lida com inundações recordes decorrente de um grande volume de chuvas. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
<div class="post-item-wrap">
<p>Parte dos recursos pagos pela mineradora Vale a título de indenização pelo dano moral coletivo gerado na tragédia em Brumadinho será destinado ao Rio Grande do Sul. As vítimas do rompimento da barragem, ocorrido em janeiro de 2019, aprovaram a ajuda ao estado, que lida com inundações recordes decorrente de um grande volume de chuvas. Já foram confirmadas 147 mortes nas cidades gaúchas.</p>
<p>Ao todo, serão destinados R$ 2,2 milhões. A decisão foi anunciada nessa segunda-feira (13) nas redes sociais da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum).</p>
<p>Do total, R$ 2 milhões serão repartidos entre o governo gaúcho e o Fundo de Reconstituição de Bens Lesados, sob gestão do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Os R$ 200 mil restantes serão doados para a Associação dos Familiares e Sobreviventes da Boate Kiss em Santa Maria (AVSTM), entidade que também está arrecadando fundos para ajudar as vítimas do desastre climático.</p>
<p>Os recursos são provenientes de fundo criado a partir de um acordo para indenizar parentes dos trabalhadores mortos na tragédia em Brumadinho. Foram perdidas 272 vidas, incluindo os bebês de duas mulheres que estavam grávidas. A maioria das vítimas era de empregados da Vale ou de empresas que prestavam serviço à mineradora.</p>
<p>O acordo que incluiu a criação do fundo também definiu os valores para as indenizações individuais aos pais, cônjuges ou companheiros e filhos do mortos. Com isso, foi encerrada uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) logo após a tragédia.</p>
<p>Para o fundo, a Vale precisou destinar R$ 400 milhões. A movimentação do dinheiro depende de aval de um conselho gestor, composto por representantes da Avabrum, do MPT, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) e da Defensoria Pública da União.</p>
<p>Boa parte do valor teve destinação para projetos de preservação da vida, nas áreas de saúde e de segurança alimentar. Os recursos já beneficiaram, por exemplo, hospitais, casas de saúde e instituições de pesquisa com a realização de reformas, financiamento de estudos, ampliação de leitos e aquisição de equipamentos. Também já foram liberados montantes para ações de qualificação de trabalhadores e geração de emprego e renda; proteção de indígenas, idosos e crianças; educação e preservação da memória.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">76867</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Cacique da Aldeia Kamakã Mongoiõ encontrado morto liderava aldeia em área da Vale</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/cacique-da-aldeia-kamaka-mongoio-encontrado-morto-liderava-aldeia-em-area-da-vale/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 18:06:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Cacique]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Merong]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[pataxós]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=74735</guid>

					<description><![CDATA[O cacique Merong Kamakã Mongoió foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (4) em Brumadinho (MG). Ele liderava um grupo de indígenas que há mais de dois anos vivia em um terreno pertencente à mineradora Vale. Anteriormente, esses indígenas estavam dispersos em áreas urbanas da região. O grupo se estabeleceu no local em outubro de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cacique Merong Kamakã Mongoió foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (4) em Brumadinho (MG). Ele liderava um grupo de indígenas que há mais de dois anos vivia em um terreno pertencente à mineradora Vale. Anteriormente, esses indígenas estavam dispersos em áreas urbanas da região. O grupo se estabeleceu no local em outubro de 2021, em um movimento de retomada da aldeia.</p>
<p>Os kamakãs mongoiós são uma família do povo pataxó-hã-hã-hãe, cuja aldeia principal está localizada no litoral sul da Bahia, ao pé do Monte Pascoal. Um vídeo divulgado pela União Nacional Indígena (UNI) em março de 2022 mostra o progresso do trabalho em Brumadinho. Nele, Merong explica que a retomada mobilizou kamakãs mongoiós que, ao longo de 40 anos, deixaram a Bahia em momentos de conflito e viveram em áreas urbanas, muitas vezes em condições precárias e sem acesso aos direitos garantidos aos povos indígenas.</p>
<p>&#8220;Durante a pandemia de covid-19, exigimos garantias de vacinação e comida, mas esses direitos nos foram negados. Então, pedimos ao Grande Espírito que nos guiasse e chegamos a este território abandonado com uma nascente. Mais tarde, descobrimos que pertence à Vale. Talvez no papel, mas a empresa não vive aqui. Esta terra é para nós vivermos, plantarmos, nossas crianças tomarem banho no rio e receberem uma educação diferenciada. Esta luta não é apenas nossa. Queremos proteger as nascentes. Queremos proteger os territórios das crateras da mineração&#8221;.</p>
<p>Outro vídeo mostra uma cerimônia de demarcação simbólica da terra. Nele, os indígenas instalam uma placa no território, nomeando-o Aldeia Kamakã Mongoiõ. &#8220;Nosso corpo pode até servir de adubo para esta terra, mas não sairemos daqui&#8221;, disse Merong na ocasião.</p>
<p>Procurada pela Agência Brasil, a mineradora afirma que o terreno destina-se à recuperação ambiental e tornou-se objeto de disputa judicial. &#8220;A Vale lamenta a morte do cacique Merong e se solidariza com seus familiares e a comunidade indígena&#8221;, acrescenta o comunicado.</p>
<p>A propriedade da mineradora está em uma área conhecida como Vale do Córrego de Areias, a cerca de 20 quilômetros da Mina Córrego do Feijão, onde ocorreu o rompimento de uma barragem que causou 270 mortes em 2019. Entre os afetados pelo episódio está outra aldeia do povo pataxó-hã-hã-hãe. Localizada às margens do Rio Paraopeba, ela se dividiu após a tragédia, e muitas famílias acabaram deixando o local.</p>
<p>O corpo de Merong apresentava sinais de enforcamento. Natural de Contagem (MG), ele tinha 36 anos. Acionados, policiais militares estiveram presentes no local e registraram a ocorrência como suicídio. No entanto, pessoas próximas ao cacique não acreditam nessa hipótese.</p>
<p>&#8220;O cacique Merong foi assassinado. Simularam um suicídio, mas não foi. Merong conversou comigo em particular por 30 minutos no dia 25 de fevereiro. Ele tinha muitos planos para expandir a luta&#8221;, postou em suas redes sociais Frei Gilvander Moreira, membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e amigo do cacique.</p>
<p>A Polícia Civil informou que, por enquanto, &#8220;nenhuma linha de investigação está descartada&#8221;. A Polícia Federal confirmou que também está participando das investigações. Sua mobilização se justifica porque, caso se conclua que Merong foi vítima de crime, a competência para julgar o caso será determinada levando em conta as motivações envolvidas. A Súmula 140 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que homicídios envolvendo indígenas são discutidos na esfera estadual. No entanto, de acordo com a Constituição Federal, a responsabilidade é do judiciário federal se o crime estiver relacionado a disputas ou conflitos em torno de direitos indígenas.</p>
<p>A morte do cacique foi lamentada em nota divulgada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Em suas redes sociais, a deputada federal indígena Célia Xakriabá (PSOL) comentou sobre o ocorrido. “Merong continuará vivo em nossos corações e na nossa luta, pois a luta é o que temos de herança&#8221;, escreveu. Manifestações de luto também foram divulgadas por diversas organizações da sociedade civil, como a Confederação.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">74735</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Após desastre da Vale, pataxós erguem nova aldeia e combatem grileiros</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/apos-desastre-da-vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jan 2024 19:37:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Grileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe]]></category>
		<category><![CDATA[São Joaquim de Bicas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=73389</guid>

					<description><![CDATA[O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que completou cinco anos nesta quinta-feira (25), deu início a uma verdadeira saga de grupos indígenas atingidos. Desde que a tragédia ocorreu, em 2019, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) já emitiram múltiplas recomendações frente a relatos de violações de direitos. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que completou cinco anos nesta quinta-feira (25), deu início a uma verdadeira saga de grupos indígenas atingidos. Desde que a tragédia ocorreu, em 2019, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) já emitiram múltiplas recomendações frente a relatos de violações de direitos.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>A mesma tragédia que ceifou 270 vidas e devastou uma grande porção do meio ambiente, deixou impactos para famílias das etnias Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe, no município de São Joaquim de Bicas (MG), vizinho à Brumadinho. A Aldeia Naô Xohã se situava às margens do Rio Paraopeba. A lama que escoou pelo manancial prejudicou suas atividades produtivas e impossibilitou práticas religiosas. Junto com os impactos ambientais, vieram as divergências sobre como lidar com as consequências da tragédia. A aldeia se dividiu e muitos indígenas buscaram outros rumos.</p>
<figure id="attachment_73395" aria-describedby="caption-attachment-73395" style="width: 463px" class="wp-caption alignright"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Rio-Paraopeba-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-73395" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Rio-Paraopeba-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=463%2C295&#038;ssl=1" alt="Rio Paraopeba, Em Brumadinho - Expresso Carioca" width="463" height="295" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Rio-Paraopeba-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?w=463&amp;ssl=1 463w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Rio-Paraopeba-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C191&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73395" class="wp-caption-text">Rio Paraopeba, em Brumadinho &#8211; Divulgação Defesa Civil/Betim</figcaption></figure>
<p>&#8220;Se você me perguntar o que eu mais queria hoje, eu responderia que queria voltar à comunidade que eu vivia, na base do rio. Naquela época, o grupo que a gente liderava estava unido. A gente comia e bebia na mesma cuia. Não tinha contenda, não tinha ameaça. Hoje eu e meu esposo estamos no programa de proteção de defensores de direitos humanos&#8221;, diz a cacique Célia Angohó.</p>
<p>Ela lidera um grupo de 30 famílias pataxós hã-hã-hãe que recebeu ajuda da comunidade nipo-brasileira, ergueu uma nova aldeia em uma mata e precisou enfrentar ameaças de grileiros. O temor ainda ainda existe.</p>
<p>Célia Angohó é parente da pajé Nega Pataxó, assassinada por fazendeiros no último domingo (21) no sul da Bahia. Seu esposo é primo de Galdino, indígena vítima de um crime bárbaro que chocou o Brasil em 1997: ele foi queimado vivo em Brasília por jovens de elite.</p>
<figure id="attachment_73393" aria-describedby="caption-attachment-73393" style="width: 365px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Chegamos-em-29-de-marco-de-2021-fiz-a-cacique-Celia-Agoho.-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-73393" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Chegamos-em-29-de-marco-de-2021-fiz-a-cacique-Celia-Agoho.-Expresso-Carioca.webp?resize=365%2C243&#038;ssl=1" alt="Chegamos Em 29 De Março De 2021, Fiz A Cacique Célia Ãgohó. - Expresso Carioca" width="365" height="243" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Chegamos-em-29-de-marco-de-2021-fiz-a-cacique-Celia-Agoho.-Expresso-Carioca.webp?w=365&amp;ssl=1 365w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Chegamos-em-29-de-marco-de-2021-fiz-a-cacique-Celia-Agoho.-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 365px) 100vw, 365px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73393" class="wp-caption-text">&#8220;Chegamos em 29 de março de 2021&#8221;, fiz a cacique Célia Ãgohó. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>&#8220;Disseram que nossa pajé tombou com seu maracá na mão. E eu me inspiro nela para seguir lutando. Essa é a nossa história. Desde que deixamos o útero da nossa mãe a gente não tem paz&#8221;, diz Ãngohó entre lágrimas.</p>
<p>A Aldeia Katurãma, como foi batizada, foi estruturada graças ao apoio da Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira (AMCNB). A entidade cedeu uma área de 36 hectares, conhecida como Mata do Japonês, em São Joaquim de Bicas. Hoje, o local conta com escola, posto de saúde e alguns quijemes, como são chamadas as habitações pataxós. Mas a ocupação da área não foi fácil.</p>
<p>&#8220;A gente chegou aqui no dia 29 de março de 2021. Essa área estava sendo destruída. Havia muitos grileiros destruindo isso aqui tudo. Uma parte estava pegando fogo, tinha caminhão tirando madeira. E aí a gente foi para a luta para conseguir descobrir quem era os donos dessa área? Porque tem uma placa ali na entrada escrita Mata do Japonês E a gente perguntando: onde estão os donos dessa terra? Por que que estão deixando essa terra ser destruída enquanto nós estamos lutando para ter um pedaço de chão?&#8221;, conta Ãngohó.</p>
<p>O grupo conseguiu contato com a AMCNB e negociaram um acordo para cessão e compromisso de compra a venda. Haveria doação de 70% do terreno e os demais 30% adquiridos e quitados futuramente, com recursos que os indígenas esperavam receber da Vale, como indenização em reparação aos danos morais e materiais. Segundo Ãngohó, a entidade já decidiu porsteriormente não mais cobrar, o que permitirá usar a verba indenizatório para investir em melhorias na aldeia.</p>
<p>Rogério Farias Nakamura, vice-presidente da AMCNB, confirma a doação de 100%. A entidade também assumiu o pagamento das taxas de cartório e outras despesas relacionadas com a transferência. &#8220;Em outubro de 2022, finalmente saiu a certidão de averbação pelo registro de imóvel tornando-se assim oficialmente a transferência legal da doação da Mata do Japonês. Continuamos acompanhando sem interferir na vida da aldeia&#8221;, disse.</p>
<p>Ãngohó celebra a obtenção da posse legal. &#8220;Acordamos uma cláusula que, no futuro, se a gente não zelar e cuidar disso aqui, eles podem chegar e pegar o terreno de volta. Foi uma forma que a gente negociou, porque era uma área que estava toda destruída. Então a gente precisava provar a capacidade e a força dessa comunidade indígena para saber reflorestar e para proteger essa mata. Nós não precisamos entrar em guerra contra os grileiros. Foi tudo na força dos nossos maracas, dos rituais, da espiritualidade com a força de Txôpai&#8221;, afirma.</p>
<p>Os grileiros, no entanto, fizeram graves ameaças em 2021. Houve relatos de tentativas de incêndio e de invasões de homens armados. A própria AMCNB, dona do terreno desde 1981, já enfrentava há anos problemas com grileiros que agiam de forma ilegal na região desmatando vegetação nativa.</p>
<figure id="attachment_73392" aria-describedby="caption-attachment-73392" style="width: 365px" class="wp-caption alignright"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Cacique-Celia-AgohoPataxo-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-73392" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Cacique-Celia-AgohoPataxo-Expresso-Carioca.webp?resize=365%2C243&#038;ssl=1" alt="Cacique Célia Ãgohó,Pataxó - Expresso Carioca" width="365" height="243" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Cacique-Celia-AgohoPataxo-Expresso-Carioca.webp?w=365&amp;ssl=1 365w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Cacique-Celia-AgohoPataxo-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 365px) 100vw, 365px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73392" class="wp-caption-text">Cacique Célia Ãgohó,Pataxó. Foto: &#8211; Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>As ameaças dos grileiros chegaram a ser relatadas por meio de ofício da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao MPF e ao DPU. Em resposta, as duas instituições oficiaram a Polícia Federal para que fossem realizadas diligências com o objetivo de apurar o conflito. Conforme estabelece a Lei Federal 6.001/1973, terras indígenas devem ser protegidas pela Polícia Federal. Além disso, MPF e DPU também expediram uma série de recomendações à Vale, para que fosse garantida a segurança e a integridade física dos pataxós, inclusive através da contratação de equipes de segurança.</p>
<h2>Direitos</h2>
<p>A batalha dos pataxós liderados pela cacique Ãngohó pela reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem resultou em um acordo de reparação, indenização e compensação integral. Na negociação, os indígenas foram representados por advogados particulares. Segundo a mineradora Vale, parte dos valores acertados já foi paga outras parcelas previstas serão repassadas após a certificação final da homologação judicial do acordo.</p>
<p>&#8220;Conforme estabelecido, a Aldeia Katurãma também continua sendo assistida, até dezembro de 2027, por equipe de saúde multidisciplinar composta por médico, psiquiatra, psicólogo, enfermeira e assistente de enfermagem, subcontratada pela Vale para prestar serviços de atenção primária à saúde, de forma complementar ao poder público. Os profissionais atuam em Unidade Básica de Saúde, que funciona dentro da aldeia, desde o ano passado&#8221;, acrescenta a mineradora.</p>
<p>Com base nesse acordo, a Vale excluiu a Alderia Katurãma dos estudos diagnósticos de danos a serem realizados pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (Ieds). Trata-se de um levantamento previsto pelo Termo de Ajuste Preliminar Extrajudicial (TAP-E), que foi firmado com o MPF em abril de 2019 em benefício dos povos indígenas. O argumento da mineradora foi de que o diagnóstico não seria necessário para as populações que já estavam sendo reparadas mediante acordo particular.</p>
<p>Em dezembro do ano passado, no entanto, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) determinou que o diagnóstico de danos, que será realizado pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (Ieds), contemple também os indígenas que possuem acordos com a Vale. Para o desembargador Álvaro Ricardo de Souza Cruz, o levantamento é indispensável para conhecer a extensão e profundidade dos danos e verificar se os valores dos acordos individuais são suficientes para garantir a reparação.</p>
<figure id="attachment_73397" aria-describedby="caption-attachment-73397" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Apos-desastre-da-Vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros-Expresso-Carioca-1.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73397" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Apos-desastre-da-Vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros-Expresso-Carioca-1.webp?resize=754%2C503&#038;ssl=1" alt="Após Desastre Da Vale, Pataxós Erguem Nova Aldeia E Combatem Grileiros - Expresso Carioca" width="754" height="503" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Apos-desastre-da-Vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros-Expresso-Carioca-1.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Apos-desastre-da-Vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros-Expresso-Carioca-1.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Apos-desastre-da-Vale-pataxos-erguem-nova-aldeia-e-combatem-grileiros-Expresso-Carioca-1.webp?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73397" class="wp-caption-text">Visita à Aldeia Kurãma em São Joaquim de Bicas (MG) &#8211; juca.varella</figcaption></figure>
<p>Um outro acordo, celebrado em 2021 com a participação do MPF, da Funai e da DPU, alterou o pagamento do auxílio emergencial, benefício pago mensalmente pela Vale aos atingidos da tragédia. Ficou definido que, no caso dos indígenas, ele seria substituído por um suporte financeiro em parcela única. Ãngohó considera que não foi uma boa negociação, pois sem o rio, a aldeia teria custos adicionais com água e alimento no longo prazo. &#8220;A gente também não tinha experiência. Ninguém nunca tinha enfrentado uma catástrofe como essa. A gente não sabia negociar, avaliar esses números&#8221;.</p>
<p>Ela afirma ainda que apenas nove das 30 famílias da aldeia tiveram direito a indenização. Ela conta que os povos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe são nômades e, no mês de janeiro, quando as crianças estão de férias, eles costumam se mudar para a aldeia mãe, no litoral da Bahia e ao pé do Monte Pascoal. Por essa razão, no dia do rompimento da barragem, muitos estavam fora do território.</p>
<p>&#8220;A gente come nossos mariscos, faz os nosso rituais para manter viva a nossa tradição. Encontramos os nossos parentes e buscamos fortalecimento da espiritualidade na nossa aldeia de origem. Várias famílias então estavam na Bahia quando ocorreu a tragédia e disseram que não tinha como reconhecer quem estava viajando. Só quem estava dentro do território. Mas esse critério foi aplicado só para nós indígenas, porque para o resto não foi. A pessoa poderia estar lá nos Estados Unidos que ela conseguiu receber indenização&#8221;, reclama.</p>
<p>O fato deles terem deixado a Aldeia Naô Xohã após o rompimento teria dificultado ainda mais a situação, pois a Vale teria imposto barreiras para reconhecer como atingidos os indígenas não-aldeados. Ãngohó conta que a decisão de sair do território contaminado não foi fácil. &#8220;A gente via nossas crianças, nossos anciões perguntando se o rio já estava limpo, se podia tomar um banho, se podia pescar. Foi muito difícil. A gente só não passou pior porque o meu povo é um povo guerreiro&#8221;. Por sua vez, a Vale afirma que mantém o diálogo aberto com as comunidades afetadas pelo rompimento da barragem e que busca respeitar seus direitos e suas tradições.</p>
<p>Antes de chegarem à Mata do Japonês, o grupo se estabeleceu por um tempo em um bairro urbano na periferia de Belo Horizonte. Lá, eles precisaram se virar em meio à pandemia de covid-19. &#8220;Eu consegui ganhar máquinas de costura e usamos uma garagem para fazer máscara e vender. A gente ficava até 3, 4 horas da manhã fazendo máscara. E o número de encomendas estava muito grande. A gente tirava o sustento para o grupo&#8221;.</p>
<p>O pouco contato com a natureza, no entanto gerava incômodo que só foi superado com a mudança para a Mata do Japonês. Lá a comunidade desenvolveu um trabalho usando mudas para reflorestamento. &#8220;Tem gente que pensa que estamos aqui por causa de dinheiro de Vale. Somos chamados de invasores, mas na verdade nosso povo protege a biodiversidade. A situação climática está gritando. A responsabilidade nos dada como guardiões. Quando eu cheguei aqui, essa área estava sendo devastada. Hoje, se você sobe um drone, você não vê um rastro de queimada. Já vai fazer três anos e estamos conseguindo fechar a mata novamente. Temos algumas árvores nativas como pau-óleo, braúna, sucupira. Temos o privilégio de ter jacarandá. Nem no Monte Pascoal, nós temos mais&#8221;.</p>
<h2>Modo de vida</h2>
<p>Apesar de todas as dificuldades, a cacique mira o futuro e faz um balanço positivo. Vê muito trabalho pela frente, mas diz acreditar na força da comunidade. &#8220;A gente sofreu muito, mas eu não posso contar só derrota. Eu tenho que contar que a gente conseguiu essa a área. Eu sou imensamente grata a esse grupo de japonês porque, se não fosse ele, onde que a gente estava agora? E eles se compadeceram da nossa luta.&#8221;</p>
<figure id="attachment_73394" aria-describedby="caption-attachment-73394" style="width: 365px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Comunidade-indigena-Pataxo-ha-ha-hae-zona-rural-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73394" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Comunidade-indigena-Pataxo-ha-ha-hae-zona-rural-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=365%2C243&#038;ssl=1" alt="Comunidade Indígena Pataxó Hã Hã Hãe, Zona Rural De Brumadinho - Expresso Carioca" width="365" height="243" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Comunidade-indigena-Pataxo-ha-ha-hae-zona-rural-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?w=365&amp;ssl=1 365w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Comunidade-indigena-Pataxo-ha-ha-hae-zona-rural-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 365px) 100vw, 365px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73394" class="wp-caption-text">Comunidade indígena Pataxó hã-hã-hãe, zona rural de Brumadinho. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Ela enumera as conquistas. &#8220;Construimos casas no modo tradicional e os indígenas estão vivendo nos seus quijemes. Aqui não tinha água, não tinha nada. E nós construímos o posto de saúde e a primeira escola da nossa língua do Brasil. É uma escola bilíngue. A primeira língua falada ali é patxohã. Nós temos professor de patxohã, de português, de matemática, de física, de uso e território, de horticultura, de medicina tradicional, de direito do jovem pataxó. Por incrível que pareça, a gente estuda mais do que vocês. Temos duas grades. Temos as matérias da nossa cultura. E temos nos adaptar com horário do MEC.&#8221;</p>
<p>A retomada do modo de vida tradicional, no entanto, está prejudicada pela ausência do rio. A comunidade hoje precisa pagar pelo acesso à água. O volume da caixa d&#8217;água é controlado. E houve momentos de seca. Esse é um grade desafio para a comunidade, uma vez que os pataxós hã-hã-hãe posseum forte ligação com os rios e com o mar. Txôpai, a principal divindade, é o Deus da água.</p>
<p>&#8220;Estamos completando cinco anos que nossas crianças não podem ser batizadas, não podem passar pelo ritual. A gente tinha uma geladeira natural que era um rio onde a gente buscava o alimento e a águ. Não precisava medir quantos litros a gente ia poder usar. Hoje, eu tenho que medir. Eu tinha peixe fresco para pescar e comer. Hoje, 30% do que a gente come dentro da nossa comunidade é industrializado e nós, que somos totalmente contra o agrotóxico e contra esses alimentos processados, estamos sendo obrigados recorrer a esse alimento com essa química. Temos a plantação orgânica mas ainda está longe do ideal&#8221;.</p>
<figure id="attachment_73396" aria-describedby="caption-attachment-73396" style="width: 365px" class="wp-caption alignright"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Trabalho-artesanal-da-aldeia-Pataxo-ha-ha-hae-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73396" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Trabalho-artesanal-da-aldeia-Pataxo-ha-ha-hae-Expresso-Carioca.webp?resize=365%2C243&#038;ssl=1" alt="Trabalho Artesanal Da Aldeia Pataxó Hã Hã Hãe, - Expresso Carioca" width="365" height="243" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Trabalho-artesanal-da-aldeia-Pataxo-ha-ha-hae-Expresso-Carioca.webp?w=365&amp;ssl=1 365w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/28-Trabalho-artesanal-da-aldeia-Pataxo-ha-ha-hae-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 365px) 100vw, 365px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73396" class="wp-caption-text">Trabalho artesanal da aldeia Pataxó hã-hã-hãe, Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Para formalizar a posse do terreno, os indígenas criaram uma associação. Também foi aprovado um regimento interno, pelo qual todos os associados concordam em seguir o modo de vida tradicional. São vedadas formas de discriminação de gênero e de raça dentro da comunidade.</p>
<p>Ãngohó defende que a reparação pela tragédia chegue em benefício da associação. &#8220;Eu quero uma reparação coletiva, não uma reparação individual. Eu não penso em mim, eu penso no futuro da minha comunidade. Eu já estou ficando velha, mas e os novos? Vão para onde? Como vai seguir a história desse povo? Eu acho que a gente está criando um aldeia modelo&#8221;, diz.</p>
<h2>Enchente</h2>
<p>Na Aldeia Naô Xohã, os impactos da tragédia também persistem. Aqueles que ficaram, perderam a capacidade de plantar e pescar. Ficaram dependentes do fornecimento de água pela Vale. Também ficaram impedidos de realizar os rituais envolvendo o rio, bem como de utilizá-lo para lazer. Em 2022, um cheia agravou a situação, pois o rejeito se espalhou junto com a inundação, alcançando casas e o posto de saúde. Bombeiros precisaram atuar para resgatar indígenas ilhados.</p>
<p>Na época, o MPF e a DPU enviaram um ofício à mineradora cobrando medidas emergenciais em favor destes povos e destacando um estudo da organização não governamental SOS Mata Atlântica que apontava a má qualidade da água na região. &#8220;A quantidade de metais pesados presentes na água está muito superior aos valores estabelecidos pela legislação, com riscos à saúde humana: o ferro apresentou valores 15 vezes superiores ao permitido; o cobre, 44 vezes; o manganês, 14 vezes; e o sulfeto, 211 vezes&#8221;.</p>
<p>Duas semanas depois, os indígenas chegaram a protestar contra a insuficiência da reparação fechando uma ferrovia e rodovias próximas à aldeia. O MPF e a DPU expediram recomendação à Polícia Federal e à Polícia Militar de Minas Gerais para respeitarem o direito de manifestação.</p>
<p>No texto, afirmaram não haver notícias de que a Vale tivesse, espontaneamente, oferecido apoio aos indígenas removidos após a enchente. &#8220;Encontram-se amparados apenas pelo Poder Público e voluntários”, afirmaram as duas instituições. Elas também disseram que a mineradora se recusou a oferecer alternativa para abrigo temporário e insistiu que eles poderiam retornar para o território atingido.</p>
<p>Após a enchente, a Vale foi obrigada judicialmente a apresentar um plano de realocação. Mas a mineradora ofereceu uma área que foi considerada insuficiente para abrigar toda a comunidade. Dessa forma, apenas parte dos indígenas aceitou ir para o local, chamado de Chácara São Dimas. O restante acabou voltando para a aldeia após a normalização do nível do rio.</p>
<p>No mês passado, em uma audiência na 12ª Vara Federal de Belo Horizonte, foi firmado um novo acordo onde a Vale assumiu compromissos junto aos povos da Aldeia Naô Xohã envolvendo realocação, melhoria de infraestrutura e atendimento em saúde. As medidas pactuadas beneficiam tanto aqueles que seguem vivendo nas margens do Rio Paraopeba como os que estão na Chácara São Dimas.</p>
<p>Outra dificuldade enfrentada pelos indígenas envolve a garantia de assessoria técnica. Esse tem sido um direito assegurado judicialmente aos atingidos desde a tragédia ocorrida em Mariana (MG), quando o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco causou 19 mortes e gerou poluição ao longo da bacia do Rio Doce. As próprias vítimas, nas diferentes cidades, passaram a escolher entidades capazes de lhes dar suporte e o custeio é uma obrigação da mineradora causadora dos impactos.</p>
<p>Os povos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe selecionaram em 2021 o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Social (Insea) como assessoria técnica. A Vale, no entanto, interrompeu o repasse de recursos em janeiro de 2023, alegando fim do contrato de dois anos. Na época, ela disse estar respaldada pelo TAP-E. No entanto, recentemente, o TRF-6 atendeu manifestação do MPF e da DPU e impôs uma derrota à mineradora. A Vale foi obrigada a manter a contratação até a conclusão do processo reparatório.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">73389</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Brumadinho concentra maior número de conflitos de mineração no Brasil, aponta estudo da UFF</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/brumadinho-concentra-maior-numero-de-conflitos-de-mineracao-no-brasil-aponta-estudo-da-uff/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2024 13:49:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Conflitos]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[mineração]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Ocorrências]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=73341</guid>

					<description><![CDATA[Um estudo liderado pelo geógrafo Luiz Jardim Wanderley, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), apontou que Brumadinho, em Minas Gerais, é a cidade brasileira com o maior número de conflitos relacionados à mineração. O Relatório de Conflitos da Mineração no Brasil, fruto de uma parceria entre a UFF e o Comitê Nacional em Defesa dos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo liderado pelo geógrafo Luiz Jardim Wanderley, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), apontou que Brumadinho, em Minas Gerais, é a cidade brasileira com o maior número de conflitos relacionados à mineração. O Relatório de Conflitos da Mineração no Brasil, fruto de uma parceria entre a UFF e o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, destaca 30 ocorrências, principalmente ligadas à tragédia do rompimento da barragem da Vale em 2019, que resultou em 270 mortes.</p>
<p>O estudo evidencia que, desde 2020, Brumadinho tem sido o epicentro dos conflitos no país, com dezenas de mobilizações e mais de duas dezenas de comunidades em conflito com a Vale e outras mineradoras. A maioria dos conflitos está relacionada às demandas por reparação e aos efeitos contínuos do desastre sobre o meio ambiente e as comunidades.</p>
<p>Luiz Jardim Wanderley ressalta que a população de Brumadinho tem se mobilizado contra violações e negligências das mineradoras, especialmente da Vale. O município apresenta uma média de mais de um protesto por mês, denunciando a falta de compensação adequada pelo desastre e evidenciando novas violações de direitos.</p>
<p>A Vale, principal empresa envolvida nos conflitos, não comentou os resultados do levantamento. No entanto, reiterou seu compromisso com a reparação integral dos danos causados em Brumadinho, priorizando as pessoas, as comunidades impactadas e o meio ambiente.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">73341</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Tragédia de Brumadinho completa cinco anos com preocupações sobre impunidade</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/tragedia-de-brumadinho-completa-cinco-anos-com-preocupacoes-sobre-impunidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jan 2024 14:20:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Avabrum]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Impunidade]]></category>
		<category><![CDATA[PF]]></category>
		<category><![CDATA[rio Paraopeba]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<category><![CDATA[Vitimas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=73300</guid>

					<description><![CDATA[Cinco anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem (Avabrum), Andresa Rodrigues, questiona de que lado a Justiça está ao expressar preocupações sobre o recente voto favorável ao habeas corpus do ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman. O desastre resultou [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cinco anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem (Avabrum), Andresa Rodrigues, questiona de que lado a Justiça está ao expressar preocupações sobre o recente voto favorável ao habeas corpus do ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman. O desastre resultou em 270 vítimas fatais e causou danos ambientais significativos.</p>
<p>A federalização do caso, decidida em dezembro de 2022, abriu a possibilidade de mudanças significativas, mas a recente decisão favorável ao habeas corpus de Schvartsman levantou preocupações sobre possíveis implicações legais. Schvartsman é um dos 16 réus no processo criminal que responde por homicídio doloso qualificado e crimes ambientais relacionados ao rompimento da barragem.</p>
<p>A defesa de Schvartsman alega a ausência de justa causa para a denúncia e afirma que não é possível atribuir ao ex-presidente da Vale qualquer ato ou omissão que tenha causado o rompimento da barragem. No entanto, o laudo da Polícia Federal indica que a estrutura já estava em condição precária, sugerindo que a perfuração foi o gatilho para o desastre.</p>
<p>A federalização do caso também levantou críticas, visto que reiniciou o processo quase do zero, retardando ainda mais a busca por justiça. A Avabrum expressa sua desconfiança na Justiça após o voto favorável ao habeas corpus, destacando a necessidade de um julgamento justo e transparente para garantir responsabilidade pelos acontecimentos em Brumadinho.</p>
<p>O processo na Justiça Federal ainda está em andamento, e as famílias das vítimas temem que a federalização e decisões judiciais recentes possam contribuir para a impunidade. O julgamento do habeas corpus está temporariamente interrompido devido a um pedido de vistas, deixando em suspenso o destino legal do ex-presidente da Vale e a busca por justiça em um dos maiores desastres ambientais e humanitários do Brasil.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">73300</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Procurador defende acordo como melhor alternativa em Brumadinho</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/procurador-defende-acordo-como-melhor-alternativa-em-brumadinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jan 2024 18:44:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Acordo]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Cinco Anos]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=73223</guid>

					<description><![CDATA[Após completar cinco anos, nesta quinta-feira, da trágica ruptura da barragem da Vale em Brumadinho (MG), o procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Jarbas Soares Júnior, expressou a convicção de que o acordo de reparação foi a escolha mais acertada. Ele ressaltou que sem o acordo, o processo judicial teria uma demora considerável, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após completar cinco anos, nesta quinta-feira, da trágica ruptura da barragem da Vale em Brumadinho (MG), o procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Jarbas Soares Júnior, expressou a convicção de que o acordo de reparação foi a escolha mais acertada. Ele ressaltou que sem o acordo, o processo judicial teria uma demora considerável, podendo se estender até o Supremo Tribunal Federal (STF).</p>
<p>Em um evento organizado pelo MPMG na última sexta-feira, onde foi apresentado um balanço da execução do acordo até o momento, Jarbas Soares Júnior defendeu a responsabilidade histórica de assinar o pacto, destacando que a alternativa seria a judicialização, processo que, segundo ele, não garantiria os resultados obtidos no acordo.</p>
<p>Entretanto, a visão do procurador-geral não é compartilhada pelas entidades representativas das vítimas. Josiane Melo, engenheira civil e membro da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum), critica o acordo, alegando que não representou os familiares das vítimas e que a comunidade foi excluída das decisões.</p>
<figure id="attachment_73225" aria-describedby="caption-attachment-73225" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/23-Josiane-Melo-e-engenheira-civil-e-funcionaria-da-Vale.-Ela-perdeu-a-irma-Eliane-na-tragedia-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73225" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/23-Josiane-Melo-e-engenheira-civil-e-funcionaria-da-Vale.-Ela-perdeu-a-irma-Eliane-na-tragedia-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C424&#038;ssl=1" alt="Josiane Melo é Engenheira Civil E Funcionária Da Vale. Ela Perdeu A Irmã Eliane Na Tragédia De Brumadinho - Expresso Carioca" width="754" height="424" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/23-Josiane-Melo-e-engenheira-civil-e-funcionaria-da-Vale.-Ela-perdeu-a-irma-Eliane-na-tragedia-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/23-Josiane-Melo-e-engenheira-civil-e-funcionaria-da-Vale.-Ela-perdeu-a-irma-Eliane-na-tragedia-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/23-Josiane-Melo-e-engenheira-civil-e-funcionaria-da-Vale.-Ela-perdeu-a-irma-Eliane-na-tragedia-de-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C422&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73225" class="wp-caption-text">Josiane Melo é engenheira civil e funcionária da Vale. Ela perdeu a irmã Eliane na tragédia de Brumadinho &#8211; Divulgação/TV Brasil</figcaption></figure>
<p>No evento, Jarbas Soares Júnior reconheceu as críticas sobre a forma como o acordo foi firmado, mas enfatizou que a decisão foi judicial e que foram implementados mecanismos de participação no processo de implementação do acordo.</p>
<p>O acordo, assinado em 4 de fevereiro de 2021, abrange danos coletivos e destina R$ 37,68 bilhões para investimentos socioeconômicos, recuperação socioambiental, segurança hídrica, melhoria de serviços públicos, mobilidade urbana, entre outros. Josiane Melo e o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) expressam discordância em relação a alguns projetos, como o Rodoanel, alegando que deveriam priorizar questões sociais decorrentes do modelo de exploração econômica.</p>
<figure id="attachment_73227" aria-describedby="caption-attachment-73227" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/24-Desabamento-de-barragem-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73227" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/24-Desabamento-de-barragem-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C477&#038;ssl=1" alt="Desabamento De Barragem Em Brumadinho - Expresso Carioca" width="754" height="477" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/24-Desabamento-de-barragem-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/24-Desabamento-de-barragem-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C190&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2024/01/24-Desabamento-de-barragem-em-Brumadinho-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C474&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73227" class="wp-caption-text">Desabamento de barragem em Brumadinho &#8211; Washington Alves/Direitos Reservados</figcaption></figure>
<p>A Vale, por sua vez, destaca que já executou 68% dos recursos previstos e implementou 298 iniciativas para melhorar a qualidade de vida em Brumadinho e na Bacia do Rio Paraopeba.</p>
<p>O MPMG anunciou a assinatura de contratos para auditoria financeira e ambiental, visando garantir a transparência e eficácia na execução do processo reparatório. O acordo de Brumadinho também influencia as negociações na bacia do Rio Doce, tornando-se referência para acordos envolvendo problemas com barragens de mineração. As tratativas para repactuação do processo reparatório na bacia do Rio Doce estão em andamento, com questões financeiras sendo um ponto de discordância entre as partes envolvidas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">73223</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Polícia Civil de MG identifica 267ª vítima do rompimento de Brumadinho</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/policia-civil-de-mg-identifica-267a-vitima-do-rompimento-de-brumadinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 23:51:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Barragem]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Corpo de Bombeiros de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Córrego do Feijão]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca. Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=55728</guid>

					<description><![CDATA[A 267ª vítima do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), foi identificada hoje (20) pela Polícia Civil de Minas Gerais, por meio do Instituto Médico Legal (IML). Por meio de exame de DNA, a instituição confirmou a identidade de Cristiane Antunes Campos, que tinha 35 anos à época do rompimento da barragem, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
<div class="post-item-wrap">
<p>A 267ª vítima do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), foi identificada hoje (20) pela Polícia Civil de Minas Gerais, por meio do Instituto Médico Legal (IML). Por meio de exame de DNA, a instituição confirmou a identidade de Cristiane Antunes Campos, que tinha 35 anos à época do rompimento da barragem, em 25 de janeiro de 2019. Ela era natural de Belo Horizonte e trabalhava como supervisora de mina. Cristiane foi localizada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>O governador Romeu Zema reforçou, nas redes sociais, o compromisso do governo do estado em amenizar o sofrimento causado pela tragédia. “Não sossegaremos até encontrarmos todos os desaparecidos, diminuindo um pouco a dor dos familiares”, afirmou Zema.</p>
<p>O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho tirou a vida de 272 pessoas, das quais duas estavam grávidas. Três vítimas ainda não foram localizadas.</p>
<p>Este ano, a Polícia Civil identificou três vítimas da tragédia, nos meses de maio, de junho e nesta terça-feira. Neste mês de dezembro, o Corpo de Bombeiros contabilizou mais de 1.400 dias de operação em Brumadinho. Desde o início da tragédia, 5.735 bombeiros militares foram empregados na operação.</p>
<p>Na fase atual, o Corpo de Bombeiros está na oitava estratégia de buscas, operando com as Estações de Buscas, que consistem em equipamentos industriais de peneiramento adaptados para a realidade operacional da Operação Brumadinho. Essa nova estratégia permitiu um ganho em volume processado, que alcança cerca de 200 toneladas por hora em cada equipamento.</p>
<p>Além das mortes, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho gerou uma série de impactos sociais, ambientais e econômicos na bacia do Rio Paraopeba e em todo o estado de Minas Gerais. A tragédia é considerada um dos maiores desastres ambientais da mineração do país, depois do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, também em Minas Gerais, que aconteceu no dia 5 de novembro de 2015.</p>
<p>O rompimento da barragem em Mariana matou 19 pessoas, lançou cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, compostos por óxido de ferro e sílica, principalmente, e soterrou o subdistrito de Bento Rodrigues, deixando um rastro de destruição que se estendeu até o litoral do Espírito Santo.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">55728</post-id>	</item>
		<item>
		<title>STF decidirá sobre competência para julgar tragédia em Brumadinho</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/stf-decidira-sobre-competencia-para-julgar-tragedia-em-brumadinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 17:04:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[federalização do julgamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[MPMG]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=47611</guid>

					<description><![CDATA[O recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a federalização do julgamento da tragédia em Brumadinho (MG) foi admitido, nessa quarta-feira (30), pelo ministro Jorge Mussi, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com isso, caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) avaliar se o caso será julgado pela Justiça federal ou estadual. Segundo o magistrado, a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-item alt-font">
<div class="post-item-wrap">
<p>O recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a federalização do<a href="https://www.expressocarioca.com.br/processo-criminal-da-tragedia-em-brumadinho-pode-voltar-a-estaca-zero/" target="_blank" rel="noopener"> julgamento da tragédia em Brumadinho (MG)</a> foi admitido, nessa quarta-feira (30), pelo ministro Jorge Mussi, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com isso, caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) avaliar se o caso será julgado pela Justiça federal ou estadual. Segundo o magistrado, a discussão possui repercussão geral e envolve matéria constitucional que demanda a apreciação do STF.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Na tragédia, o rompimento de uma barragem da mineradora Vale, em 25 de janeiro de 2019, causou 270 mortes, além impactos ambientais em diversas cidades da bacia do Rio Paraopeba. Com base em denúncia oferecida pelo MPMG, um processo criminal tramitava na Justiça estadual desde fevereiro de 2020. Figuravam como réus 11 funcionários da Vale e cinco da Tüv Süd, consultoria alemã que assinou o laudo de estabilidade da estrutura que se rompeu. Eles respondiam por homicídio doloso e diferentes crimes ambientais. As duas empresas também eram julgadas.</p>
<p>Após um ano e oito meses de tramitação, o STJ considerou em outubro do ano passado que a Justiça estadual não tem competência para analisar o caso. A decisão tomada de forma colegiada por cinco ministros atendeu pedido do ex-presidente da mineradora Fábio Schvartsman, um dos réus. De forma unânime, eles concluíram que o julgamento deveria ser federalizado por envolver acusação de declarações falsas prestadas à órgão federal, descumprimento da Política Nacional de Barragens e por possíveis danos a sítios arqueológicos, que são patrimônios da União.</p>
<p>A tese de incompetência da Justiça estadual foi aceita mesmo sob discordância do Ministério Público Federal (MPF), que se alinhou ao ponto de vista do MPMG. “Não há descrição de crime federal, não há crime federal, não há bem jurídico da União atingido aqui na denúncia”, disse no julgamento a subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen.</p>
<h2>Estaca zero</h2>
<p>Com o recurso, o MPMG espera uma mudança de entendimento no STF, de forma a evitar que o processo criminal volte à estaca zero. Caso a federalização seja confirmada, o MPMG ficaria sem poder atuar no caso. Esse papel agora caberia ao MPF e o processo recomeçaria do zero. Os acusados na esfera estadual perderiam a condição de réus e uma nova denúncia precisaria ser apresentada e aceita pela Justiça federal.</p>
<p>Em nota divulgada em seu <a href="https://www.mpmg.mp.br/portal/" target="_blank" rel="noopener">site</a>, o MPMG reitera sua posição, defendendo a instalação de um Tribunal de Júri na esfera estadual. &#8220;Não há interesse federal no julgamento dos crimes, pois os homicídios não foram praticados contra bens, serviços ou interesses da União, mas contra pessoas comuns que trabalhavam, moravam ou passavam pelo local, e foram colhidas de surpresa pelo gigantesco volume de lama&#8221;, diz o texto.</p>
<p>O <a href="https://avabrum.org.br/" target="_blank" rel="noopener">site</a> da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum) mantém no ar uma nota contra a posição do STJ. &#8220;O crime aconteceu aqui em terras mineiras e não há motivo para a federalização do processo. Os responsáveis por esse crime odioso querem escolher quem vai julgá-los e isso é inaceitável. Não cabe ao réu escolher o foro de seu julgamento&#8221;, diz o texto divulgado pela Avabrum.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47611</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Processo criminal da tragédia em Brumadinho pode voltar à estaca zero</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/processo-criminal-da-tragedia-em-brumadinho-pode-voltar-a-estaca-zero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2022 14:20:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Expresso Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Mineradora]]></category>
		<category><![CDATA[Rompimento de Barragem]]></category>
		<category><![CDATA[STJ]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.expressocarioca.com.br/?p=44912</guid>

					<description><![CDATA[Passados exatos três anos da tragédia em Brumadinho (MG), a tramitação do processo criminal pode voltar à estaca zero depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou, mais de uma vez, que a Justiça estadual não tem competência para analisar o caso. O processo seria assim federalizado, o que ainda será analisado pelo Supremo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Passados exatos três anos da tragédia em Brumadinho (MG), a tramitação do processo criminal pode voltar à estaca zero depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou, mais de uma vez, que a Justiça estadual não tem competência para analisar o caso.<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>O processo seria assim federalizado, o que ainda será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se a decisão for mantida, atos processuais já realizados serão anulados.</p>
<p>A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum) tem manifestado receio de que ninguém seja responsabilizado pelo rompimento da barragem. Nesta segunda-feira (24), Brumadinho assistiu uma carreata por justiça e contra a impunidade. Hoje (25), às 11h, ocorre, na entrada da cidade, um ato em memória dos parentes de pessoas que morreram na tragédia.</p>
<p>O <a href="https://avabrum.org.br/" target="_blank" rel="noopener">site da entidade</a> mantém no ar uma nota contra a posição do STJ. &#8220;O crime aconteceu aqui em terras mineiras e não há motivo para a federalização do processo. Os responsáveis por esse crime odioso querem escolher quem vai julgá-los e isso é inaceitável. Não cabe ao réu escolher o foro de seu julgamento&#8221;, diz o texto divulgado pela Avabrum.</p>
<p>A tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, quando a ruptura de uma barragem da mineradora Vale deixou 270 mortos e provocou degradação ambiental em diversos municípios mineiros. A Avabrum contabiliza 272 óbitos levando em conta os bebês de duas mulheres que estavam grávidas.</p>
<h2>Histórico</h2>
<p>O processo que tramitava na Justiça estadual teve início em fevereiro de 2020, quando foi aceita a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Foram responsabilizadas 16 pessoas, sendo 11 funcionários da Vale e cinco da Tüv Süd, consultoria alemã que assinou o laudo de estabilidade da estrutura que se rompeu. Tornadas réus, elas respondiam por homicídio doloso e diferentes crimes ambientais. As duas empresas também eram julgadas.</p>
<p>Diante da complexidade do caso, a tramitação do processo seguia um ritmo lento. Apenas em setembro do ano passado havia sido finalmente aberto prazo para que os réus apresentassem suas defesas. Como a denúncia é extensa, a juíza Renata Nascimento Borges deu a eles 90 dias. Ela também havia concordado que os espólios de 36 vítimas atuassem como assistentes da acusação do MPMG.</p>
<p>No entanto, após um ano e oito meses de tramitação, esse processo perdeu a validade em outubro em 2021, quando os cinco integrantes da sexta turma do STJ entenderam, de forma unânime, que o caso não é da competência da Justiça estadual.</p>
<p>Eles consideraram que o julgamento deveria ser federalizado por envolver acusação de declarações falsas prestadas à órgão federal, descumprimento da Política Nacional de Barragens e por possíveis danos a sítios arqueológicos, que são patrimônios da União.</p>
<p>O julgamento no STJ se deu a partir de um <em>habeas corpus</em> apresentado pela defesa do ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, que era um dos réus. A tese de incompetênca da Justiça estadual foi aceita mesmo sob discordância do Ministério Público Federal (MPF), que se alinhou ao entendimento do MPMG.</p>
<p>“Não há descrição de crime federal, não há crime federal, não há bem jurídico da União atingido aqui na denúncia”, disse no julgamento a subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen.</p>
<p>O mesmo STJ já havia, em junho de 2020, julgado um conflito de competência e mantido o processo na esfera estadual. Na época, os integrantes da terceira sessão negaram, por sete votos a um, outro pedido que havia sido formulado pela defesa de Fábio Schvartsman.</p>
<p>Entre os ministros que participaram de ambos os julgamentos, dois mudaram de opinião: Laurita Vaz e Rogerio Schietti Cruz, que votaram em 2020 por manter o caso na Justiça estadual, concordaram no ano passado em remetê-lo à Justiça federal.</p>
<p>O MPMG ainda tenta reverter a decisão, mas seu primeiro movimento não foi bem sucedido, já que o STJ não reconsiderou seu posicionamento e confirmou a federalização do caso. Diante da situação, foi apresentado recurso ao STF, que ainda não marcou data para analisar a questão.</p>
<p>Para o procurador-geral de Justiça do MPMG, Jarbas Soares Júnior, houve uma inversão de papéis. &#8220;Não houve um conflito de competência entre os juízos e o MPF não reivindicou a sua atribuição. O advogado do réu é que está dizendo que teria crimes federais&#8221;, disse ele.</p>
<p>Caso a federalização seja confirmada, o MPMG ficaria sem poder atuar no caso. Essa papel agora caberia ao MPF e o processo recomeçaria do zero. Os acusados na esfera estadual perderiam a condição de réus e uma nova denúncia precisaria ser apresentada.</p>
<p>Segundo Jarbas Soares Júnior, o MPF teria autonomia de atuação e não existe nenhum acordo para que o trabalho já realizado seja reaproveitado, embora acredite ser possível que isso aconteça.</p>
<p>Procurado, o MPF respondeu em nota que não irá se pronunciar enquanto a questão estiver <em>sub judice</em> e não houver uma decisão definitiva. &#8220;Os autos nem vieram ainda para a Justiça Federal porque a própria juíza estadual proferiu decisão no sentido de que só os remeterá após o julgamento dos recursos&#8221;, registra o texto.</p>
<h2>Atraso</h2>
<p>Além de lamentar o atraso no processo causado por essa situação, os atingidos também temem que o caso tenha, na Justiça federal, o mesmo tratamento do processo envolvendo a tragédia em Mariana (MG) ocorrido em novembro de 2015.</p>
<p>No episódio, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco deixou 19 mortos, destruiu comunidades e causou impactos socioeconômicos e ambientais em dezenas de municípios da bacia do Rio Doce.</p>
<p>Passados sete anos, ninguém foi condenado. A maioria dos 22 denunciados pelo MPF foram excluídos do processo por decisão judicial e apenas sete nomes ainda figuram como réus. Nenhum deles, no entanto, responde mais pelos crimes de homicídio e lesões corporais. O julgamento prossegue apenas para os crimes de inundação qualificada e desabamento tipificados no Código Penal e por mais 12 crimes previstos no Código Ambiental.</p>
<figure id="attachment_44913" aria-describedby="caption-attachment-44913" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/01/24-Bombeiros-encontram-locomotiva-que-era-usada-pela-Vale-em-Brumadinho-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-44913" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/01/24-Bombeiros-encontram-locomotiva-que-era-usada-pela-Vale-em-Brumadinho-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=754%2C450&#038;ssl=1" alt="Bombeiros Encontram Locomotiva Que Era Usada Pela Vale Em Brumadinho - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca" width="754" height="450" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/01/24-Bombeiros-encontram-locomotiva-que-era-usada-pela-Vale-em-Brumadinho-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/01/24-Bombeiros-encontram-locomotiva-que-era-usada-pela-Vale-em-Brumadinho-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=300%2C179&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2022/01/24-Bombeiros-encontram-locomotiva-que-era-usada-pela-Vale-em-Brumadinho-Jornal-Expresso-Carioca-Expresso-Carioca.jpg?resize=750%2C448&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-44913" class="wp-caption-text">Bombeiros encontram locomotiva que era usada pela Vale em Brumadinho &#8211; Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Arquivo</figcaption></figure>
<h2>Novos indiciamentos</h2>
<p>A atuação do MPF frente à Justiça federal poderá ser influenciada por um novo fator. Em novembro do ano passado, a Polícia Federal anunciou a conclusão de seu inquérito e informou o indiciamento de 19 pessoas por homicídio com dolo eventual, duplamente qualificado por emprego de meio que resultou em perigo comum e de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa das vítimas. Toda a documentação já foi remetida ao MPF.</p>
<p>Os nomes ainda não foram revelados e não é possível nesse momento saber quais são as divergências na comparação com a lista dos 16 denunciados pelo MPMG. Quando moveram a ação em fevereiro de 2020, os promotores estaduais trabalharam em parceria com a Polícia Civil e consideraram que já existia farto material probatório, o qual comprovaria os riscos assumidos deliberadamente pela Vale, pela Tüv Süd e por seus funcionários.</p>
<p>As responsabilidades sobre a tragédia também foram apuradas por comissões parlamentares de inquérito (CPIs) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na Câmara dos Deputados e no Senado. Todos os relatórios finais foram aprovados ainda em 2019.</p>
<p>O inquérito da Polícia Federal era a última investigação ainda em andamento. Ele foi desmembrado em dois: em setembro de 2019, sete funcionários da Vale e seis da Tüv Süd foram indiciados por falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Eles teriam forjado relatórios de revisão periódica e de inspeção de segurança e a declaração de estabilidade da barragem, ignorando parâmetros técnicos.</p>
<p>Já os 19 novos indiciamentos dizem respeito à segunda parte do inquérito focado na apuração de crimes ambientais e contra a vida. Segundo a Polícia Federal, a investigação se arrastou porque era preciso identificar claramente qual foi o gatilho da liquefação, ou seja, o que fez com que sedimentos sólidos passassem a se comportar como fluídos e sobrecarregassem a estrutura.</p>
<p>Em fevereiro de 2021, foram divulgadas informações preliminares da investigação: uma perfuração em um ponto crítico da barragem teria desencadeado a tragédia. A mesma conclusão apareceu em outubro do ano passado no relatório final de um estudo de modelagem e simulação por computador conduzido pela Universidade Politécnica da Catalunha, desenvolvido através de uma acordo firmado entre o MPF e a Vale. O procedimento, que estava sendo realizado no momento da ruptura pela empresa Fugro, tinha como objetivo instalar instrumentos para medir a pressão da água no solo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">44912</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
