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	<title>Belo Monte &#8211; Jornal Expresso Carioca</title>
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		<title>Belo Monte é usina que menos emite gases de efeito estufa na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2024 19:26:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[A hidrelétrica de Belo Monte é a usina que menos emite gás carbônico no bioma Amazônia, além de ser a quinta hidrelétrica mais eficiente do Brasil em termos de taxa de intensidade de gases poluentes. A conclusão é de estudo feito pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal [&#8230;]]]></description>
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<p>A hidrelétrica de Belo Monte é a usina que menos emite gás carbônico no bioma Amazônia, além de ser a quinta hidrelétrica mais eficiente do Brasil em termos de taxa de intensidade de gases poluentes. A conclusão é de estudo feito pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).<img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?ssl=1" /><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?ssl=1" /></p>
<p>Coordenado pelo professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe, Marco Aurélio Santos, o estudo <em>Desenvolvimento de Metodologia para o Cálculo das Emissões de Gases de Efeito Estufa no Reservatório da UHE Belo Monte</em> avalia que nos próximos dez anos, a área alagada do empreendimento deverá apresentar, de forma progressiva, emissões mais reduzidas. Os resultados obtidos mostram que Belo Monte tem um indicador de intensidade de emissões de CO2 muito baixo e níveis similares de emissões em comparação a outras fontes de energias renováveis, como eólica e solar.</p>
<p>O problema das emissões das hidrelétricas vem sendo estudado pela equipe do professor desde a década de 1990. “Temos feito vários estudos para as empresas do setor e para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a questão. Porque, até então, havia uma ideia errônea que as hidrelétricas não emitiam nenhum tipo de poluição aérea”. Mas, pela similaridade que acontece nos rios e lagos, os pesquisadores acabaram prospectando nos reservatórios os mesmos processos, ou seja, a decomposição da matéria orgânica em condições subaquáticas por microrganismos que fazem essa busca por alimento, por energia, e acabam eliminando, como um subproduto, os gases causadores do efeito estufa. No caso, ali foram encontrados CO2 (gás carbônico), metano e óxido nitroso.</p>
<h2>Diagnóstico</h2>
<p>Marco Aurélio Santos explicou que há um espectro grande de tipologias de projetos no qual já foi determinado um certo padrão de emissões distribuídas no espaço, isto é, no corpo dos reservatórios, e no tempo. “Nós temos um diagnóstico dessas questões, tanto dos locais que podem mais emitir esses gases, bem como quando eles são emitidos mais fortemente e quando circulam em uma situação de mais equilíbrio”. O tema tem sido discutido pelos pesquisadores da Coppe com grupos de vários países, como França, Estados Unidos, Canadá, e em fóruns internacionais.</p>
<p>Entre 2011 e 2013, a equipe do professor foi contratada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para estudar oito reservatórios de hidrelétricas no Brasil, pensando que existem diferenças quanto ao bioma e à vegetação nesses reservatórios. “Nós fizemos vários estudos no território brasileiro em reservatórios que já existem e efetuamos a quantificação”. Santos informou que, além dos oito reservatórios, foram analisadas mais três áreas naturais onde seriam construídos reservatórios, para que se pudesse ter a dimensão das emissões naturais e, de certa maneira, descontar isso da emissão antrópica (produzida pelos homens). “A diferença entre a emissão que o reservatório faz atualmente menos a emissão natural do passado dá o que nós chamamos de emissão líquida, ou seja, a emissão realmente atribuível à instalação do reservatório”.</p>
<h2>Trabalho de campo</h2>
<p>Um dos reservatórios das futuras áreas foi o de Belo Monte, sobre o qual já havia esse estudo anterior. Como o governo mudou, o projeto não teve continuidade. Então, o Consórcio Norte Energia, grupo formado por diversas empresas envolvidas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, pediu que o professor e sua equipe continuassem aquele trabalho apenas para o reservatório de Belo Monte, agora já com a usina construída, para ter o cálculo das emissões antes e depois.</p>
<p>O trabalho de campo dos pesquisadores durou três anos e analisou amostras em seis campanhas de medição, em 45 pontos diferentes da Bacia do Xingu e do reservatório, no Pará, onde a usina está instalada. Os cientistas cruzaram os resultados das medições de gases de efeito estufa com o estudo do ciclo do carbono em reservatórios de hidrelétricas e concluíram um importante avanço para o setor elétrico brasileiro, já que, até o presente momento, muito se tem especulado sobre o assunto, sendo as hidrelétricas apontadas constantemente como responsáveis por emitirem grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera.</p>
<p>Concluíram então que Belo Monte é a usina hidrelétrica que menos emite gases de efeito estufa no bioma Amazônia porque esses gases são produzidos no fundo do reservatório e também na coluna d’água e migram, isto é, são transportados para a atmosfera. Os pesquisadores fizeram a determinação desse fluxo na área do reservatório. Só que a área do reservatório de Belo Monte é relativamente pequena, em comparação com outros reservatórios na região.</p>
<p>Marco Aurélio Santos informou que o reservatório guarda água para gerar energia elétrica. Belo Monte tem uma potência instalada de 11 mil megawatts (MW) ou 11 gigawatts (GW) e precisa ter água para gerar toda essa potência. Mas, por questões ambientais, a usina não pôde ter um reservatório maior para guardar água para o período seco e poder gerar mais energia. Daí, seu reservatório ser menor do que deveria ter sido, conforme previa o projeto original. “Mesmo assim, a quantidade de energia que Belo Monte gera é muito grande”. Santos explicou que pegando-se o coeficiente que divide a quantidade de gases produzidos pela quantidade de energia, o índice de intensidade de emissões resulta em uma quantidade de emissões muito baixa em relação às tecnologias tradicionais, bem como às outras hidrelétricas que estão no bioma Amazônia.</p>
<h2>Inventário</h2>
<p>Na avaliação do professor da Coppe, o Brasil precisava ter um inventário nacional de gases de efeito estufa dos reservatórios hidrelétricos, como os Estados Unidos, através da agência ambiental americana, já estão fazendo. “Isso o governo brasileiro não faz. O que está sendo feito são iniciativas das empresas proprietárias das hidrelétricas. Para nós termos uma verdadeira ideia dessa variação no território brasileiro, deveriam ser feitos mais estudos”. Os Estados Unidos estudaram 108 hidrelétricas. “Hoje, os Estados Unidos têm uma radiografia dessa questão muito mais apurada do que nós. Essa é uma falha do governo do Brasil”, criticou o professor. “Já as empresas estão reagindo, promovendo estudos, para demonstrar que não é bem aquilo que os outros diziam”. Salientou que a equipe está disposta a fazer novas radiografias do setor hidrelétrico, “desde que sejamos convidados pelo governo brasileiro a fazer”.</p>
<p>Para fazer a análise das usinas que não tiveram um estudo das emissões antes da construção dos reservatórios, são buscados estudos e publicações científicas que tenham sido feitos naquela região sobre emissões nos solos do Cerrado, da Amazônia, por exemplo, sobre a respiração das plantas, do que emitem e absorvem de CO2, se há estudos em áreas naturais aquáticas, como rios e lagos. Aí, é feita uma projeção de como seria a emissão no passado, porque a emissão atual consegue-se medindo reservatórios já construídos. Faz-se então a comparação, que resulta na emissão líquida. As emissões dos oito reservatórios foram calculadas com base nessa metodologia.</p>
<p>O estudo “Desenvolvimento de Metodologia para o Cálculo das Emissões de Gases de Efeito Estufa no Reservatório da UHE Belo Monte” usou como base o Índice de Intensidade de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), métrica reconhecida internacionalmente e estabelecida pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organização científica criada pelas Nações Unidas para avaliar os riscos das mudanças climáticas. O Brasil possui 147 hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e operadas em conjunto pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).</p>
<p>De acordo com a Coppe, as hidrelétricas se destacam, entre as diversas fontes de energia disponíveis, como uma opção viável e eficiente para a geração de energia limpa e renovável e desempenham importante papel na complementariedade de fontes de energia e na estabilidade do sistema, pois têm geração firme, em grande escala, e compensam a intermitência de fontes como solar e eólica. Belo Monte é a maior hidrelétrica 100% brasileira e se encontra em operação plena desde novembro de 2019. (Alana Gandra).</p>
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		<title>Campanha Natal no Beiradão busca socorro para comunidades atingidas por Belo Monte</title>
		<link>https://www.expressocarioca.com.br/campanha-natal-no-beiradao-busca-socorro-para-comunidades-atingidas-por-belo-monte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Dec 2023 15:04:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Belo Monte]]></category>
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					<description><![CDATA[A campanha &#8220;Natal no Beiradão&#8221; está em curso mais uma vez este ano, liderada pelo Conselho Ribeirinho do Xingu e pela Associação Ribeirinha da Comunidade do Goianinho, com o respaldo do Ministério Público Federal (MPF). O objetivo é proporcionar melhores condições de vida às famílias ribeirinhas que enfrentam desafios decorrentes da construção da Usina Hidrelétrica [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A campanha &#8220;Natal no Beiradão&#8221; está em curso mais uma vez este ano, liderada pelo Conselho Ribeirinho do Xingu e pela Associação Ribeirinha da Comunidade do Goianinho, com o respaldo do Ministério Público Federal (MPF). O objetivo é proporcionar melhores condições de vida às famílias ribeirinhas que enfrentam desafios decorrentes da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, situada no Rio Xingu, no Pará.</p>
<p>Raimundo da Cruz e Silva, vinculado à associação, destaca que as famílias, anteriormente abastadas pela pesca na região, agora enfrentam carências até mesmo de itens essenciais, como material escolar, roupas e calçados para as crianças frequentarem a escola, além de cestas básicas.</p>
<figure id="attachment_71699" aria-describedby="caption-attachment-71699" style="width: 754px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/12/23-Moradores-afetados-pela-Usina-Hidreletrica-de-Belo-Monte-recebem-doacoes-arrecadadas-pela-Campanha-Natal-no-Beiradao-Expresso-Carioca.webp?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-71699" src="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/12/23-Moradores-afetados-pela-Usina-Hidreletrica-de-Belo-Monte-recebem-doacoes-arrecadadas-pela-Campanha-Natal-no-Beiradao-Expresso-Carioca.webp?resize=754%2C566&#038;ssl=1" alt="Moradores Afetados Pela Usina Hidrelétrica De Belo Monte Recebem Doações Arrecadadas Pela Campanha Natal No Beiradão - Expresso Carioca" width="754" height="566" srcset="https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/12/23-Moradores-afetados-pela-Usina-Hidreletrica-de-Belo-Monte-recebem-doacoes-arrecadadas-pela-Campanha-Natal-no-Beiradao-Expresso-Carioca.webp?w=754&amp;ssl=1 754w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/12/23-Moradores-afetados-pela-Usina-Hidreletrica-de-Belo-Monte-recebem-doacoes-arrecadadas-pela-Campanha-Natal-no-Beiradao-Expresso-Carioca.webp?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.expressocarioca.com.br/wp-content/uploads/2023/12/23-Moradores-afetados-pela-Usina-Hidreletrica-de-Belo-Monte-recebem-doacoes-arrecadadas-pela-Campanha-Natal-no-Beiradao-Expresso-Carioca.webp?resize=750%2C563&amp;ssl=1 750w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></a><figcaption id="caption-attachment-71699" class="wp-caption-text">Moradores afetados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte recebem doações arrecadadas pela Campanha Natal no Beiradão &#8211; Jandessa de Jesus /Divulgação</figcaption></figure>
<p>Apesar de a Norte Energia, responsável pela usina, a classificar como <em>&#8220;a maior hidrelétrica 100% brasileira&#8221;</em>, Belo Monte tem sido objeto de controvérsias devido aos seus impactos socioambientais. A linha do tempo no site da empresa destaca que, em fevereiro de 2010, o Ibama concedeu a licença prévia, com 40 ajustes exigidos. As obras iniciaram-se em junho de 2015, e o ISA publicou o relatório <em>&#8220;Dossiê Belo Monte: Não há condições para a Licença de Operação&#8221;</em> em 2015, detalhando os efeitos nas comunidades locais.</p>
<p>O MPF relata que, há oito anos, aproximadamente 9 mil pessoas foram deslocadas de suas casas nas margens do Rio Xingu para o enchimento do reservatório da usina e ainda não puderam retornar. Algumas reassumiram seus antigos locais, enquanto outras aguardam na periferia de Altamira pela possibilidade de retorno.</p>
<p>Josefa Camara, representante do Conselho Ribeirinho do Xingu, destaca disparidades nas indenizações recebidas pelas famílias, mencionando critérios que favoreciam estruturas de alvenaria em detrimento de casas de palha. Raimundo da Cruz e Silva complementa, afirmando que muitos ribeirinhos dependem de benefícios governamentais para manterem suas residências.</p>
<p>A violência, segundo ele, não se restringe mais apenas à entrada de muitas pessoas na região, mas agora inclui uma <em>&#8220;onda de violência&#8221;</em> e a escassez de alimentos, configurando o legado de Belo Monte como uma fonte de problemas ao invés de desenvolvimento. O líder comunitário ressalta que as doações da campanha de Natal, embora bem-vindas, representam apenas uma ajuda pontual diante das dificuldades enfrentadas por essas famílias ao longo do ano.</p>
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