O espetáculo gratuito de Lady Gaga realizado na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último fim de semana, entrou para a história não apenas pela dimensão do público – estimado em 2,1 milhões de pessoas –, mas também pela complexidade da operação de segurança montada para garantir a ordem durante o evento. A ação foi classificada por autoridades como uma das maiores já realizadas no estado do Rio.
A avaliação foi feita nesta segunda-feira (5), durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), com a presença de representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Segurança Pública, Corpo de Bombeiros e outros órgãos envolvidos na força-tarefa.
Ações de segurança e combate ao crime
Mais de 1.500 agentes da Polícia Civil foram mobilizados, com reforço no plantão das delegacias. Ao todo, foram registradas 240 ocorrências, das quais 95% foram furtos de celulares. No mesmo dia, a polícia deflagrou duas operações de grande porte. A primeira, chamada Fake Monster, visou neutralizar ameaças virtuais que circulavam nas redes sociais sobre possíveis ataques ao show. A investigação, conduzida em sigilo, teve alvos em quatro estados e resultou em apreensões e detenções de suspeitos, incluindo menores de idade.
Já a operação Rastreio mirou uma quadrilha especializada em furtos e receptação de celulares. Dezesseis pessoas foram presas com mais de 200 aparelhos roubados e computadores usados para desbloqueio e invasão de contas bancárias. O grupo se preparava para agir tanto no evento de Copacabana quanto em outro festival na Região Serrana.
Operação da PM e apoio tecnológico
A Polícia Militar definiu o show como um dos maiores desafios logísticos das últimas décadas. A corporação atuou com tecnologia de ponta, incluindo 65 câmeras de reconhecimento facial distribuídas por Copacabana. O monitoramento foi reforçado pelo Centro Integrado de Comando e Controle Móvel, montado na Praça do Lido. Durante a ação, 47 pessoas foram levadas às delegacias, com duas prisões em flagrante e dois adolescentes apreendidos. Nos bloqueios de acesso à praia, foram apreendidos 251 objetos perfurocortantes.
Bombeiros, programas de apoio e fiscalização
O Corpo de Bombeiros empregou 400 militares, com 12 postos de guarda-vidas e viaturas de salvamento ao longo da orla. Durante o show, foram contabilizados 321 salvamentos marítimos. Ao longo do feriado, o número saltou para 1.050.
O programa Segurança Presente participou da operação com 100 agentes e 42 viaturas. A operação Lei Seca também esteve presente, com 26 blitzes e mais de 3 mil motoristas abordados. Foram lavradas 1.112 infrações e aplicadas 328 autuações por consumo de álcool ao volante.
Impacto econômico e turístico
O evento atraiu cerca de 600 mil turistas ao Rio de Janeiro, injetando R$ 600 milhões na economia estadual, segundo estimativas do governo. A Rodoviária Novo Rio recebeu aproximadamente 240 mil passageiros, enquanto os aeroportos da cidade contabilizaram a chegada de outros 360 mil.
Além de um feito artístico, o show de Lady Gaga se firmou como um marco de organização e mobilização pública, com saldo expressivo em segurança e impacto positivo para o turismo e a economia local.







