Uma comitiva de oito senadores brasileiros está em Washington, nos Estados Unidos, em uma ofensiva diplomática para tentar conter os impactos da tarifa adicional de 50% anunciada pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos importados do Brasil. A medida, prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º), ameaça setores estratégicos da economia brasileira e intensifica a tensão na relação bilateral.
A missão, liderada por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, busca abrir um canal de diálogo direto com congressistas norte-americanos – tanto republicanos quanto democratas – e com representantes do setor privado. Segundo Trad, a prioridade é “distensionar” o ambiente político e criar condições para que o governo federal brasileiro possa negociar uma solução diplomática.
Nos últimos dias, os parlamentares se reuniram com representantes da Embaixada do Brasil, executivos de multinacionais como Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar, além de integrantes da U.S. Chamber of Commerce. Nesta terça-feira (29), estão previstas conversas com seis congressistas americanos, cujos nomes não foram divulgados por razões diplomáticas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que integra a comitiva, afirmou que o grupo trabalha para proteger não apenas a economia nacional, mas também os mais de 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. “Nosso objetivo é alcançar um entendimento e defender os interesses brasileiros diante dessa decisão unilateral da Casa Branca”, disse Wagner.
A agenda dos senadores segue até quarta-feira (30), quando haverá reuniões com representantes da Americas Society/Council of the Americas, organização voltada ao fortalecimento das relações políticas e econômicas no continente.
Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo federal mantém diálogo reservado com autoridades norte-americanas pelos canais institucionais.
Entenda a medida
No dia 9 de julho, Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, alegando desequilíbrio comercial entre os países – apesar de o Brasil acumular déficit com os EUA há 17 anos. O presidente americano também apontou barreiras a plataformas digitais dos Estados Unidos e o processo por tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como justificativas adicionais para a medida.
Paralelamente, autoridades americanas abriram investigação sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, alegando possível prática desleal que poderia prejudicar empresas de tecnologia e meios de pagamento dos EUA, incluindo Visa, MasterCard e WhatsApp Pay.
Além de Nelsinho Trad e Jaques Wagner, participam da missão os senadores Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE), Carlos Viana (Podemos-MG), Fernando Farias (MDB-AL) e Esperidião Amin (PP-SC).







