O Rio2C 2025, maior encontro de inovação e criatividade da América Latina, começou nesta terça-feira (27) com forte protagonismo do setor de games e eSports, concentrado no palco Summit Game+. Durante todo o dia, especialistas, empreendedores e representantes do mercado debateram tendências, oportunidades e desafios do setor.

Um dos painéis de maior destaque foi “Convergência Digital: Futebol, Games e o Futuro da interação com as gerações Z e Alpha”, que discutiu como as novas gerações consomem conteúdo esportivo, cada vez mais integrado ao universo dos games.
Em entrevista prévia, Leandro Valentim, CEO da plataforma Player 1, ressaltou o impacto transformador dos Jogos Olímpicos de eSports, que acontecerão em 2027. Para ele, a possibilidade de atletas representarem seus países jogando videogame representa uma profunda mudança cultural, comparável ao que ocorreu com a entrada do skate nas Olimpíadas.
“Vamos ter pessoas defendendo seu país jogando videogame. É uma outra forma de orgulho nacional, uma mudança muito grande de paradigma”, afirmou Valentim.
O executivo também comentou o sucesso da Kings League Brasil, competição gamificada que reúne atletas, influenciadores e celebridades, destacando a rápida adesão de marcas brasileiras. Ele, porém, criticou a falta de visão estratégica dos clubes de futebol no país.
“O problema é estrutural. Enquanto não houver uma liga que pense além dos ciclos políticos dos clubes, não haverá inovação de fato. As conversas com os times sobre games não têm continuidade”, lamentou.
Rafael Gimenes, gerente de marketing da Kings League Brasil, ressaltou como o evento soube capitalizar as transformações digitais. “O grande triunfo da Kings League foi entender que o esporte tradicional precisava gerar conteúdo para redes sociais e fomentar discussões nas plataformas”, disse, citando exemplos como GTA Online, Roblox e Fortnite como espaços onde o entretenimento se funde com o social.
Indústria brasileira: crescimento e desafios
No painel “Game On, Brasil: fomento, inovação e a vitrine da Gamescon”, Rodrigo Terra, presidente da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games), celebrou a resiliência do mercado nacional, que se desenvolveu de forma mais sustentável em comparação com os mercados americano e europeu, atualmente impactados por demissões e instabilidades.
“O mercado brasileiro cresceu pelas próprias pernas, de forma sólida e independente, mas agora é o momento do poder público entrar com força para impulsionar ainda mais o setor”, defendeu.
Segundo dados da Abragames e da consultoria Newzoo, o Brasil lidera o mercado de games na América Latina, movimentando cerca de R$ 14 bilhões por ano, empregando mais de 13 mil profissionais e abrigando mais de mil estúdios independentes.
O Rio2C 2025 segue até o dia 1º de junho, com painéis e atividades que continuam colocando a indústria criativa e tecnológica no centro das discussões.







