Entre os dias 11 e 15 de agosto, o Rio de Janeiro será palco de uma intensa programação dedicada à valorização do patrimônio cultural brasileiro. A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), localizada na Avenida Rio Branco, 46, no centro da cidade, abrirá suas portas ao público com atividades gratuitas que vão de apresentações musicais e rodas de conversa a oficinas e visitas guiadas — algo inédito na história do prédio, cujas imponentes portas são frequentemente fotografadas, mas raramente franqueadas.
A iniciativa integra o Mês do Patrimônio – Participação Social, Territórios e Sustentabilidade, um projeto nacional que propõe ações descentralizadas e colaborativas, envolvendo as superintendências regionais e organizações da sociedade civil.
“Este ano, buscamos unir território e comunidade, conceitos fundamentais para compreender o patrimônio cultural. Nada melhor do que aproximar escola, patrimônio e música”, afirma a superintendente do Iphan no Rio, Patricia Wanzeller.
Destaques da programação
A agenda da semana contempla diferentes vertentes culturais. Na quarta-feira (13), o público poderá acompanhar um debate sobre a cultura afro-brasileira, com foco no Bembé do Mercado — maior candomblé de rua do mundo e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2019 — que será tema do desfile da Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval de 2026. O encontro contará com a presença do carnavalesco Milton Cunha e de representantes da escola de samba, seguido por uma apresentação da bateria da agremiação.
O samba divide espaço com outros ritmos e expressões artísticas. O choro será celebrado no debate Entre cordas e sopros: o Choro como Patrimônio Cultural do Brasil, encerrado com show do grupo Caras & Coroas. Já o forró ganhará um recorte especial na quinta-feira (14) com o Projeto Mulher Forrozeira, que dará visibilidade à presença feminina nesse gênero musical, tradicionalmente dominado por homens. O evento também contará com apresentações de jongo e literatura de cordel, reforçando a diversidade cultural do país.
Reflexões sobre memória e identidade
Outro ponto alto será a mesa redonda dedicada ao Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, Patrimônio Mundial reconhecido pela Unesco em 2017. Especialistas como o historiador Thiago Gomide, a jornalista Mônica Sanches e representantes de instituições ligadas à memória afro-brasileira discutirão a relevância histórica do local, mediada por Eliel Moura, da Fundação Cultural Palmares.
No campo da educação patrimonial, o Iphan promoverá a oficina Jogos para uma Educação Patrimonial, voltada a crianças da rede municipal. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, turmas de escolas próximas à sede do instituto participarão de atividades lúdicas com grupos como Experimente Cultura, Maloca Games e Mestre Griô.
Feira, cinema e visitação inédita
Durante toda a semana, o público poderá visitar a Feira Circuito Carioca, com produtos que vão de cordéis a peças ligadas às matrizes tradicionais do forró. Haverá ainda exibição do documentário Choro e apresentações de manifestações culturais reconhecidas oficialmente como patrimônio do Brasil.
O encerramento, no dia 15, será marcado pela Exposição das Bonecas de Artesãs do Quilombo São José da Serra e pela oficina de jongo com o mesmo grupo, voltada exclusivamente a estudantes. A programação termina com uma homenagem aos “Amigos do Patrimônio do Rio de Janeiro” e uma roda de jongo aberta ao público.
Patrimônio como soberania
Para Patrícia Wanzeller, a preservação cultural vai além do resgate histórico: é uma questão de soberania nacional.
“A cultura é a nossa primeira fotografia de identidade. Ela nos une como cidadãos de um mesmo país, apesar da diversidade. Proteger nosso patrimônio é proteger nossa história e a própria brasilidade”, defende.
O evento também antecipa as comemorações do Dia do Patrimônio, celebrado em 17 de agosto, criado em homenagem ao advogado e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do Iphan em 1937.







