Na tarde da última segunda-feira (26), o projeto ARTEMÍSIA – Escola de Mulheres e Bioeconomia certificou 500 mulheres que passaram por capacitação em produção de saboaria natural e empreendedorismo sustentável. O projeto é realizado pelo Instituto BR e Sebrae-RJ, numa iniciativa conjunta com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Movimento Cidade no Feminino.
Mulheres dos territórios de Belford Roxo, Cabo Frio, Duque de Caxias, Guaratiba, Magé, Mesquita, Paracambi, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e São Gonçalo participaram da ação formativa que teve seu encerramento no teatro da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niteroi. Elas aprenderam sobre identidade, bioeconomia, empreendedorismo, comunicação, finanças e autocuidado, sempre a partir de uma perspectiva interseccional e inclusiva.
Vinícius Wu, produtor do Instituto BR, reforçou que a parceria entre os entes envolvidos no projeto fez com que o Artemísia fosse um sucesso e que ele pode se tornar referência nacional, como é o caso do Prospera, outro projeto do Instituto BR que abrange 12 estados no Brasil.

“Hoje é um dia de muita felicidade porque estamos entregando resultados e queremos avançar ainda mais, levando esse projeto Brasil afora, assim como o Prospera. Esse projeto tem tudo para se tornar uma referência nacional, e isso só é possível graças à parceria com o Sebrae-RJ, Movimento Cidade no Feminino e Universidade Federal Fluminense”, agradeceu o produtor.
Ele ainda afirmou que o projeto terá continuidade e o próximo passo já está sendo pensado pelos parceiros, principalmente pelo Instituto BR e pelo Sebrae-RJ, que é a comercialização dos produtos desenvolvidos durante a ação formativa, que são os sabonetes e cosméticos naturais.
“Nossa pretensão é alta, queremos disputar prateleiras de supermercados e farmácias, quem sabe do Brasil inteiro, com a possibilidade da criação de uma plataforma de E-commerce. Muitos produtos esbarram na venda, na forma de ofertar, na comercialização e o marketing bem feito é fundamental para esse processo de venda e consolidação no mercado”, afirma Wu.
Robson Carneiro, presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae-RJ[a], durante sua fala, ressaltou a importância do trabalho executado pelos parceiros do projeto e, emocionado, disse que se sente orgulhoso e honrado em fazer parte dessa ação formativa.
“Honrado. Muito honrado de ter sido convidado para participar desse projeto e foi um sucesso. A formatura dessas 500 profissionais é a prova concreta do sucesso dessa parceria e quero parabenizar a todas que participaram dessa ação”, celebra o presidente do Conselho do Sebrae-RJ que ainda revelou que, no próximo ano, as formandas continuarão no processo, mas, desta vez, recebendo lições de mercado.
“Aqui, vocês aprenderam o ofício de fazer o produto, agora vem outra fase, que é precificar, possa atender os mercados, acesso a financiamentos, capacidade de vender e colocar este produto no conhecimento popular, para que ele possa crescer e vamos, em paralelo, começar uma segunda turma por que esse é um projeto que dá certo”, analisa Carneiro.
A iniciativa está alinhada com a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reconhecer e fomentar projetos de promoção da sustentabilidade como Soluções Baseadas na Natureza (SBN) – práticas que conciliam o fortalecimento de comunidades com a conservação dos ecossistemas e o enfrentamento das mudanças climáticas.
Leila Araújo, Coordenadora do Projeto Artemísia, explica ainda que após a qualificação, o projeto entra na fase de mentoria de negócios, fomento ao associativismo e estratégias de acesso ao mercado, prospectando a marca Artemisia Biocosmética para gerar renda digna e mobilidade social.
“Nosso propósito prevê a cooperação entre mulheres de diferentes perfis, da floresta, que são extrativistas e fornecem a matéria prima usada por Artemisia; da periferia urbana, que produzem a saboaria e a cosmética natural, e mulheres de classe média, que consomem com responsabilidade socioambiental. Nossa visão é ser uma marca importante de saboaria e cosmética natural, produzida por mulheres da periferia”, pontua Leila.
Vinicius Wu finaliza dizendo que é preciso valorizar ainda mais as mulheres por serem a mola propulsora dos empreendimentos favelados e periféricos no Brasil como um todo.
“De Porto Alegre a Macapá, são as mulheres que estão desenvolvendo os negócios, que estão empreendendo, que estão gerando renda e levando emprego para diversos territórios e periferias. Precisamos, agora, dar esse passo adiante no Artemísia e fazer com que todas se tornem empreendedoras e continuar com esse projeto”, conclui.







