A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu publicamente uma agenda de colaboração internacional e reafirmou o desejo de paz do povo venezuelano em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos. Em carta aberta endereçada ao presidente norte-americano Donald Trump, divulgada nas redes sociais, Rodríguez afirmou ser prioritário avançar para um relacionamento “equilibrado e respeitoso” entre os dois países, “baseado na igualdade e não na ingerência”.
No documento, a dirigente interina convidou formalmente o governo dos EUA a trabalhar de forma conjunta em uma agenda de cooperação voltada ao desenvolvimento compartilhado, respeitando a legalidade internacional e com o objetivo de fortalecer “uma convivência comunitária duradoura” entre as nações.
Apelo ao diálogo
Ao longo da carta, Delcy Rodríguez adotou um tom conciliador e enfatizou a necessidade de diálogo em substituição ao confronto. “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu. Segundo ela, essa sempre foi a orientação do presidente Nicolás Maduro e permanece sendo o norte da Venezuela no atual contexto de crise.
Rodríguez destacou ainda seu compromisso pessoal com essa visão de país. “Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida”, afirmou, ao defender o direito da nação à paz, ao desenvolvimento, à soberania e à construção de um futuro estável.
Contexto de tensão regional
A carta foi divulgada após um fim de semana marcado por explosões em diferentes bairros de Caracas, registradas no sábado (3), durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. Em meio ao ataque, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York, segundo informações oficiais divulgadas por Washington.
O episódio reacendeu o debate sobre intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última ação militar dessa natureza havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico.
Acusações e controvérsias
Assim como no caso panamenho, o governo dos Estados Unidos acusa Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel de drogas conhecido como “Cartel de los Soles”, alegação que, até o momento, não foi acompanhada de provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas têm questionado a própria existência da organização.
Durante o governo Trump, os EUA chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos da ofensiva militar afirmam que a operação possui forte motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de alianças estratégicas com China e Rússia, além de ampliar a influência norte-americana sobre o petróleo venezuelano, o maior volume de reservas comprovadas do mundo.
Em meio ao cenário de instabilidade, a mensagem de Delcy Rodríguez busca reposicionar o discurso venezuelano no campo diplomático, apostando na negociação, na soberania nacional e no multilateralismo como caminhos para a superação da crise.







