O Prêmio Finep de Inovação 2025, entregue nesta quarta-feira (8), em Brasília, celebrou projetos que transformam ciência em soluções concretas para comunidades em diferentes regiões do país. Foram sete categorias reconhecidas, além de uma menção especial para o protagonismo feminino na pesquisa. A iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública de fomento à inovação tecnológica, voltou a ser realizada após dez anos de pausa, com o objetivo de descentralizar a produção científica e dar visibilidade a iniciativas regionais.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a premiação de Tiago Calves Nunes, pesquisador sul-mato-grossense que desenvolveu um biopesticida sustentável à base de fungos do Pantanal. Filho de pescador e de dona de casa, Nunes lembrou sua trajetória ao receber o troféu na categoria Deep Tech:
“Ao segurar esse prêmio, eu lembro do menino que ajudava o pai, na beira do rio, sonhando em estudar. Hoje estamos aqui, mostrando que a educação cria futuro”.
Sua pesquisa transforma micro-organismos invisíveis em soluções para regenerar solos, fortalecer plantas e reduzir o uso de pesticidas químicos, impactando diretamente a vida de agricultores locais.
Diversidade regional e inovação sustentável
O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, destacou que o prêmio busca valorizar a diversidade criativa e regional do Brasil, reconhecendo o potencial de inovação que surge em comunidades fora dos grandes centros. Ele lembrou que entre 2023 e 2025 a instituição contratou cerca de R$ 2,3 bilhões em 319 projetos no Centro-Oeste, em áreas como nanotecnologia, biotecnologia de baixo carbono, saneamento ambiental e agroquímica.
“Em nações desenvolvidas, ciência e inovação são pilares do crescimento. O Brasil precisa fortalecer esse caminho e mostrar que a produção de conhecimento pode transformar realidades locais”, afirmou Elias.
Outro exemplo foi o projeto vencedor na categoria Cadeias Agroindustriais Sustentáveis, do Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos, que desenvolveu soluções para o aproveitamento integral do babaçu e do pequi, reduzindo o desperdício em até 70% e gerando bioinsumos para as indústrias alimentícia e cosmética.
“Podemos proporcionar o reaproveitamento de dois grandes símbolos da nossa cultura regional e transferir essa tecnologia para agricultores familiares”, celebrou a coordenadora Natália Olívia de Souza.
Protagonismo feminino na ciência
A edição também trouxe uma novidade: o destaque para o melhor projeto coordenado por mulheres, conquistado pela pesquisadora Maria Lígia Rodrigues Macedo e sua equipe de 27 cientistas. O trabalho criou a primeira plataforma nacional aberta de proteínas e peptídeos com aplicações biotecnológicas.
Em vídeo exibido no evento, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, reforçou a importância da diversidade na pesquisa:
“Não é apenas questão de justiça, mas de excelência. A diversidade produz uma ciência melhor”.
Reconhecimento nacional
O presidente do CNPq, Ricardo Galvão, lembrou que a ciência brasileira precisa enfrentar desafios como a exploração sustentável das chamadas “terras raras”, essenciais para a indústria tecnológica. “É fundamental que academia e setor produtivo caminhem juntos para ampliar a inovação nacional”, destacou.
Entre 2019 e 2022, a Finep contratou cerca de R$ 13 bilhões em 1,8 mil projetos em todo o país. Já entre 2023 e 2025, esse número saltou para R$ 40 bilhões em 4,7 mil projetos, demonstrando a retomada dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Vencedores por categoria
- Deep Tech – “Pantabio: biopesticida à base de Trichoderma do Pantanal”, de Tiago Calves Nunes.
- Cadeias Agroindustriais Sustentáveis – “Soluções tecnológicas para o aproveitamento integral do babaçu e pequi”, do Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos.
- Infraestrutura de P&D em ICTs – “Fortalecimento da infraestrutura de laboratórios de Agricultura Digital e de Purificação de Proteínas”, da UFMS.
- Ambiente de Inovação – “Consolidação e modernização do Laboratório IFMaker”, do Instituto Federal Goiano.
- Transformação digital da indústria – “Reconhecimento de bovinos através de imagens”, da Kerow Soluções em Precisão.
- Bioeconomia, Descarbonização e Segurança Energética – “Película fotoluminescente para eficiência em módulos fotovoltaicos”, da Anexo Energia.
- Complexo Econômico-Industrial da Saúde – “Cell4vision: plataforma biológica de células-tronco em nanoscaffolds biomiméticos para oftalmologia”, da UFG.







