Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que uma em cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão, sentimento que afeta de forma significativa a saúde e o bem-estar e pode estar relacionado a mais de 870 mil mortes por ano — cerca de 100 por hora. Entre os jovens de 13 a 29 anos, até 21% se dizem solitários, com índices mais elevados entre adolescentes e em países de baixa renda.
A solidão, segundo a OMS, é o descompasso entre as conexões sociais desejadas e as reais, e não deve ser confundida com o isolamento social físico, como o que ocorreu durante a pandemia. A entidade ressalta que o problema vai além do emocional e aumenta os riscos de doenças graves, como AVC, infarto, diabetes e depressão. Pessoas solitárias têm o dobro de chances de desenvolver transtornos mentais e 22% mais chance de ter rendimento escolar inferior, além de enfrentar mais dificuldades no mercado de trabalho.
Grupos como pessoas com deficiência, LGBTQIA+, refugiados, indígenas e minorias étnicas são especialmente vulneráveis à solidão, por enfrentarem barreiras sociais e discriminação. Entre os idosos, um em cada três sofre com a falta de conexão.
A OMS também aponta causas estruturais para o problema, como baixa renda, escolaridade, políticas públicas frágeis, saúde precária e excesso de tempo online, especialmente entre os mais jovens, como um fator agravante.
Como resposta, o relatório propõe um plano de ação global com cinco frentes: políticas públicas, produção de conhecimento, intervenções práticas, monitoramento com indicadores de conexão social e campanhas de mobilização para mudar normas sociais.
“Mesmo pequenos gestos podem fazer a diferença: ligar para um amigo, participar de um grupo local, cumprimentar um vizinho ou desligar o celular para ouvir alguém com atenção”, diz a OMS. A organização reforça que combater a solidão é essencial não só para a saúde individual, mas para construir comunidades mais saudáveis, seguras e resilientes.







