O risco de uma pessoa negra ser vítima de homicídio no Brasil é 2,7 vezes maior do que o de uma pessoa não negra, segundo o Atlas da Violência 2024, divulgado nesta segunda-feira (12). Embora o número represente uma leve queda em relação a 2022 (2,8 vezes), o índice cresceu 15,6% na última década — em 2013, a diferença era de 2,4 vezes.
Em 2023, foram 35.213 homicídios entre pretos e pardos, com uma taxa de 28,9 por 100 mil habitantes. Entre os não negros, foram 9,9 mil mortes (10,6 por 100 mil). O estudo, feito pelo Ipea e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a desigualdade racial na violência letal não só persiste, como se intensifica.
Apesar da redução geral de homicídios no Brasil nos últimos dez anos (queda de 20,3%), a violência continua afetando desproporcionalmente a população negra, que representa mais da metade da população brasileira (55,5%) e enfrenta piores condições socioeconômicas.
O levantamento também destaca o alto índice de homicídios entre indígenas, com taxa de 22,8 por 100 mil em 2023. Em estados como Roraima (235,3) e Mato Grosso do Sul (178,7), os números são alarmantes. O povo Guarani-Kaiowá, por exemplo, registrou mais de 500 internações por agressões nos últimos anos, em meio a conflitos territoriais agravados pelo avanço do agronegócio.







