O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, reabre parcialmente nesta quinta-feira (13) com a exposição “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”, uma mostra global que convida o público a refletir sobre como os ecos da escravidão ainda moldam o presente.
A exposição, com curadoria compartilhada entre instituições do Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Senegal, Inglaterra e Bélgica, reúne cerca de 100 objetos, 250 imagens e dez filmes, divididos em seis seções. A visitação é gratuita e ficará aberta até 1º de março de 2026.

Segundo a historiadora e curadora Keila Grinberg, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o objetivo é mostrar que a escravidão não foi apenas um fenômeno histórico, mas um sistema cujas consequências permanecem. “A exposição é dura, mas o visitante sai empoderado ao perceber as diversas formas de resistência e luta contra o racismo”, afirma.
Entre as peças expostas estão objetos religiosos, instrumentos musicais — como um atabaque do Haiti — e documentos que revelam as conexões entre as resistências negras ao longo da história. A mostra também aborda temas contemporâneos, como reparação, justiça ambiental e violência policial.

Após a estreia em Washington (EUA), em 2024, o Brasil é o primeiro país a receber a mostra itinerante, que seguirá depois para Cidade do Cabo, Dacar e Liverpool. Para Keila, é simbólico que o Brasil seja o primeiro destino, já que o país recebeu cerca de 45% dos africanos escravizados no tráfico transatlântico.
Atividades paralelas
Em parceria com o Arquivo Nacional, será realizado o seminário “Para além da escravidão: memória, justiça e reparação”, nos dias 13 e 14 de dezembro, na Praça da República.
O Arquivo também abriga a mostra “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão”, com documentos de dez mulheres escravizadas que acionaram a Justiça no século XIX em busca da liberdade. A visitação vai até 30 de abril de 2026, com entrada gratuita.

O Instituto Pretos Novos, por sua vez, apresenta “Conversas inacabadas”, parte da pesquisa da exposição principal, que reúne entrevistas sobre racismo e consciência racial. A visita será aberta entre 14 e 15 de dezembro.
Keila resume o propósito da mostra com uma reflexão: “Não dá para entender o Brasil sem entender a escravidão — e, tão importante quanto isso, é entender que ela acabou. Só assim o racismo também poderá acabar”.








