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Home Notícias Direitos Humanos

Misoginia no YouTube: Influenciadores lucram com conteúdo de ódio

Estudo revela como canais monetizam discurso de violência e controle contra mulheres

Rodrigo SouzaPorRodrigo Souza
14 de dezembro de 2024
em Direitos Humanos
Misoginia No YouTube Influenciadores Lucram Com Conteúdo De ódio - Expresso Carioca

© rawpixel.com / Chanikarn Thongsu

O discurso misógino tem se tornado uma indústria lucrativa no YouTube, segundo estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadores analisaram 76,3 mil vídeos que acumulam quase 4 bilhões de visualizações e concluíram que influenciadores exploram narrativas de ódio e desprezo às mulheres para monetizar seus conteúdos.

O relatório, intitulado “Aprenda a evitar ‘este tipo’ de mulher: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube”, aponta que esses criadores de conteúdo utilizam estratégias variadas para mascarar mensagens de controle e violência, muitas vezes disfarçadas de humor ou “desenvolvimento pessoal masculino”. Entre os 137 canais analisados, foi identificado um ecossistema que naturaliza a violência de gênero e explora a misoginia como produto comercial.

Conteúdo e Estratégias de Manipulação

Os vídeos analisados incluem mensagens antifeministas, incentivo à manipulação psicológica e até sugestões de monitoramento por meio de aplicativos de espionagem. Mais de 15% dos canais analisados relativizam ou justificam abusos contra mulheres, enquanto 66% reforçam a ideia de que o sexo biológico determina comportamentos.

“Muitos desses vídeos atacam mulheres específicas, como mães solteiras, alegando que elas só buscam pais para seus filhos. Esses conteúdos reforçam preconceitos de classe, raça e gênero sob o pretexto de aconselhamento masculino”, explica Luciane Belin, uma das coordenadoras do estudo.

Os dados também mostram que 88% dos vídeos foram publicados entre 2021 e 2024, período que coincide com o aumento da violência contra mulheres no Brasil.

Monetização do Ódio

Além da receita obtida diretamente do YouTube, cerca de 80% dos canais analisados recebem dinheiro por meio de anúncios. Os criadores também utilizam alternativas como doações via PIX, criptomoedas, crowdfunding e a venda de produtos como e-books e cursos.

“Os influenciadores transformam a misoginia em um negócio. Essa estrutura gera lucros não apenas para os criadores, mas também para as plataformas que os hospedam”, afirma Marie Santini, diretora do NetLab.

Regulamentação e Desafios

Embora o YouTube proíba discursos de ódio em suas diretrizes, o estudo aponta que esses conteúdos continuam florescendo na plataforma. Em nota, a empresa informou que removeu mais de 511 mil vídeos entre janeiro e setembro de 2024, mas destacou que o relatório não identificou os canais analisados, dificultando uma avaliação mais precisa.

Para a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, a regulamentação das redes sociais é urgente. “Precisamos fortalecer o debate no Parlamento e no STF para limitar o discurso de ódio. Além disso, é fundamental disputar esses espaços com a criação de conteúdos que promovam igualdade e enfrentem a violência contra as mulheres”, destacou.

O estudo revela um cenário alarmante, em que o discurso de ódio não apenas ganha força, mas também se torna um modelo de negócio. A crescente popularidade desses canais demonstra a urgência de ações efetivas para responsabilizar plataformas e promover uma cultura digital mais inclusiva e segura.

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Tags: antifeministaExpresso CariocaIgualdade de GêneroInfluenciadoresMinistério das MulheresmisoginiaNetLaNotíciasódio às mulheresUFRJYoutube
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