
O Sambódromo do Rio de Janeiro volta a pulsar neste sábado (21), a partir das 21h, com o tradicional Desfile das Campeãs do Grupo Especial. Entre as seis agremiações que retornam à Marquês de Sapucaí, o momento mais aguardado da noite promete ser a reapresentação da Unidos do Viradouro, vencedora do Carnaval 2026 com a pontuação máxima de 270 pontos.
No centro da celebração está Mestre Ciça, homenageado do enredo campeão e comandante da bateria “Furacão Vermelho e Branco”. Aos 69 anos — completando 70 em julho — Ciça soma 55 carnavais dedicados à folia, trajetória que começou como passista e ritmista até alcançar o posto de referência absoluta entre mestres de bateria.
A reapresentação consagra uma escolha ousada da escola de Niterói: homenagear, em vida, um de seus pilares artísticos. O enredo “Pra Cima, Ciça” exaltou não apenas a biografia do mestre, mas também a importância da bateria como engrenagem vital de uma escola de samba.
A ordem dos desfiles da noite reúne ainda Mangueira (6ª colocada), Imperatriz Leopoldinense (5ª), Salgueiro (4ª), Vila Isabel (3ª) e Beija-Flor (2ª), culminando com a campeã. Para o público, será mais uma oportunidade de reviver os momentos que marcaram a apuração e que transformaram a Avenida em palco de catarse coletiva.
Especialistas em cultura carnavalesca destacam que a bateria é responsável por ditar o andamento do desfile e sustentar o samba-enredo do início ao fim. O mestre, nesse contexto, exerce função estratégica: rege o ritmo, conduz a energia da escola e traduz em cadência a narrativa proposta pelo enredo.
No caso de Ciça, o reconhecimento ultrapassa troféus. Seu trabalho é associado a um saber transmitido pela vivência e pela tradição oral, herança construída ao longo de décadas nos barracões e nas quadras. Ao retornar à Sapucaí como tema e protagonista, ele reafirma o papel da ancestralidade e da experiência na construção do espetáculo que encerra, com pompa e circunstância, o Carnaval carioca.







