Perto de completar 90 anos, o desenhista e escritor Mauricio de Sousa recebeu uma das homenagens mais significativas de sua carreira. Na noite desta quarta-feira (15), o criador da Turma da Mônica foi agraciado com o Troféu Leon Cakoff, durante a cerimônia de abertura da 49ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que celebra personalidades com contribuições marcantes para a cultura e o audiovisual brasileiro.
Ausente por motivos pessoais, Mauricio foi representado por seu filho, Mauro Sousa, que também o interpreta no longa-metragem “Mauricio de Sousa — O Filme”, com estreia marcada para o dia 23 de outubro. Antes disso, o filme será exibido em sessão especial na mostra, no dia 21.
“Este é um momento duplamente especial”, declarou Mauro. “Meu pai sempre sonhou em ver suas obras nas telas do cinema. Hoje, esse sonho se concretiza, junto com o reconhecimento de um trabalho feito com amor e qualidade. Representá-lo aqui e no cinema é um presente — e o melhor que eu poderia dar a ele, neste ano em que completa 90 anos.”

Homenagem à trajetória e à representatividade
Além de Mauricio, a cerimônia também homenageou a cineasta Euzhan Palcy, da Martinica, com o Prêmio Humanidade, por sua trajetória na luta contra o apartheid e pela representatividade de mulheres negras no cinema mundial. Palcy foi a primeira mulher negra a conquistar o Leão de Prata no Festival de Veneza, em 1983, com o filme Rue Cases Nègres, e também recebeu um Oscar honorário por sua contribuição histórica à sétima arte.
Em seu discurso, Euzhan destacou a conexão afetiva entre o Brasil e seu país. “Nós, da Martinica e do Brasil, somos irmãos. Quando a seleção brasileira joga, não há ninguém nas ruas”, brincou. Em tom mais sério, completou: “Faço filmes para dar voz a quem foi silenciado. Esse é o papel mais urgente do cinema.”
A Mostra e seu alcance
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é o maior e mais tradicional festival de cinema do Brasil. A edição deste ano, que começa oficialmente nesta quinta-feira (16), apresentará 373 filmes de 80 países, exibidos em 52 salas de cinema, centros culturais e CEUs espalhados pela capital paulista.
Em parceria com a Spcine, parte da programação será gratuita, incluindo exibições em equipamentos públicos e na plataforma Spcine Play, ampliando o acesso e a democratização cultural. “Levar a mostra a espaços periféricos e de acesso gratuito é democratizar o cinema e a informação”, afirmou Lyara Oliveira, presidente da Spcine.

O cinema brasileiro em destaque
Entre os destaques nacionais está o longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2026. A mostra também exibirá 83 produções brasileiras, incluindo clássicos restaurados como Garota de Ipanema, de Leon Hirszman, e Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral.
A cerimônia de abertura, realizada na imponente Sala São Paulo, reuniu nomes importantes do audiovisual brasileiro, como a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga. O evento foi seguido pela exibição do curta Como Fotografar um Fantasma, de Charlie Kaufman, e do longa Sirât, de Oliver Laxe, premiado no Festival de Cannes.
Com homenagens que celebram o passado e lançam luz sobre o futuro, a Mostra reforça o papel do cinema como espelho da cultura e da diversidade — e marca mais um capítulo na história de Mauricio de Sousa, cujo legado atravessa gerações e agora ganha vida também nas telonas.







