No painel “Coisas Naturais: Quando a Arte Encontra a Gestão com Planejamento e Visão”, no Rio2C 2025, Marina Sena emocionou a plateia ao compartilhar sua trajetória artística e empresarial. Ao lado de Talita Morais, sua empresária, a cantora mineira falou sobre o equilíbrio delicado entre criação, estrutura e mercado, apresentando a maturidade que sustenta sua obra mais recente, o álbum Coisas Naturais.

Marina iniciou a conversa refletindo sobre a importância de criar experiências impactantes em seus shows. “Não basta apenas subir ao palco. Quero que as pessoas saiam dali transformadas, que sintam tudo com intensidade. Para mim, ser artista é um ato de amor ao outro, uma necessidade fisiológica de compartilhar emoções”, afirmou. Ela revelou, inclusive, sua aversão a tocar com bandas sem “groove”, destacando como a qualidade técnica e artística é fundamental para garantir a potência do espetáculo.
Talita Morais expôs com franqueza as dificuldades financeiras que envolvem a produção de shows no Brasil, apontando a informalidade do setor e a falta de estrutura como grandes desafios. “É muito caro fazer um show, muito caro ensaiar, criar, manter uma equipe. Muita gente não entende isso quando vê o valor do cachê, mas a cadeia é complexa e exige investimento.”
Marina também falou sobre sua busca por ócio criativo, uma prática que aprendeu a valorizar para alimentar a qualidade artística. Ela contou como reorganizou sua vida para incluir momentos de observação e inspiração, vivendo mais próxima da natureza, especialmente em um sítio em Montes Claros (MG), sua cidade natal. “Não existe arte de qualidade sem observação da vida. Preciso me permitir parar, sentir, estar em contato com minhas raízes.”
Ao longo da conversa, a cantora enfatizou sua ligação com o Norte de Minas e como esse vínculo molda sua identidade artística. “Carrego a bandeira do meu território, da minha ancestralidade. Sempre senti que precisava apresentar isso ao mundo.” Esse desejo se concretizou de forma ainda mais evidente em Coisas Naturais, álbum que marca um retorno consciente às suas origens e que contou com a participação do Grupo Raiz, referência fundamental em sua formação musical.

Talita Morais, parceira estratégica de Marina, complementou ao revelar o rigoroso planejamento por trás dos projetos da artista. “Antes mesmo do álbum nascer, já tínhamos um cronograma completo: gravação, lançamento, turnê. Profissionalização é essencial.” Marina completou: “Foi revolucionário para mim perceber que, para ter liberdade artística, eu precisava de uma estrutura sólida.”
A dupla também falou sobre a criação da Casa da Música Brasileira, espaço multifuncional que funciona como estúdio, centro cultural e residência artística. Localizada em uma das primeiras casas modernistas do Brasil, o projeto propõe-se a fomentar encontros presenciais e fortalecer a cena independente. “Criamos um ecossistema colaborativo, com programação de shows, workshops, curadoria de talentos e até uma feira literária”, contou Talita. Marina destacou o caráter afetivo do espaço: “A casa inspira. Lá, tudo pulsa, desde a dança até a literatura. É um convite à criação coletiva.”
Ambas refletiram sobre o impacto da pandemia no setor e na vida pessoal. Para Marina, o isolamento reforçou a necessidade de encontros reais e vivos. “A arte precisa de troca presencial. Olho no olho. Só assim se constrói uma experiência autêntica.”
O painel também foi permeado por reflexões sobre o papel do artista na contemporaneidade. Marina destacou a importância de se envolver em todas as etapas do processo criativo, desde a concepção estética até a gestão da carreira. “Não dá para ser artista e não participar ativamente das decisões. Eu gosto de estar presente, pensar no conceito visual, no figurino, em tudo.”
Para concluir, Marina deixou um recado poderoso: “A música brasileira é rica, diversa, incrível. Precisamos amá-la, investir nela, valorizá-la. Meu compromisso é continuar fazendo isso, com planejamento, com paixão, com verdade.”
Com Coisas Naturais, Marina Sena não apenas reafirma sua posição como um dos principais nomes da música brasileira contemporânea, mas também se coloca como exemplo de uma artista que equilibra emoção e estratégia, arte e gestão, criação e visão.







