Um estudo publicado nesta segunda-feira (24) na revista científica Nature Ecology & Evolution alerta que mais de 500 espécies de aves podem ser extintas nos próximos 100 anos. A projeção, feita por pesquisadores da Universidade de Reading, no Reino Unido, considera os efeitos combinados das mudanças climáticas, perda de habitat e ação humana como principais fatores de risco.
De acordo com os cientistas, o número projetado é três vezes maior que todas as extinções de aves registradas desde o ano 1500. Espécies vulneráveis como o pássaro-guarda-chuva-de-pescoço-pelado, o calau-de-capacete e o pássaro-sol-de-barriga-amarela estão entre as mais ameaçadas.
O estudo analisou quase 10 mil espécies, com base em dados da Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Os pesquisadores alertam que, mesmo com a redução imediata das ameaças humanas, cerca de 250 espécies ainda correm risco e exigem programas complementares de conservação, como reprodução assistida e restauração de ecossistemas.
“Estamos diante de uma crise de extinção sem precedentes. Reduzir as ameaças humanas é urgente, mas não será suficiente. Precisamos de ações direcionadas às aves mais raras”, afirmou a pesquisadora Kerry Stewart, principal autora do artigo.
A pesquisa mostra que aves de grande porte são mais vulneráveis à caça e ao clima extremo, enquanto aves com asas largas sofrem mais com a degradação do habitat. Além disso, destaca que preservar apenas 100 das espécies mais singulares pode evitar até 68% da perda de diversidade funcional, fundamental para a manutenção de ecossistemas saudáveis.
“O fim da destruição dos habitats salvaria a maioria das aves, mas evitar a caça e mortes acidentais é essencial para proteger aquelas com funções ecológicas únicas”, concluiu a professora Manuela Gonzalez-Suarez, coautora do estudo.







