O Maranhão já vive a temporada do Bumba-meu-boi, uma das manifestações culturais mais emblemáticas do Brasil e reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2019. Neste ano, 450 grupos movimentam comunidades e fortalecem tradições, com festas que se estendem de maio até dezembro em algumas localidades.
A riqueza dessa cultura será tema do programa Caminhos da Reportagem, exibido pela TV Brasil nesta segunda-feira (21), às 23h. A reportagem especial mergulha na história, nos significados e na força econômica e social dessa festa popular.
História e sincretismo
Embora os registros do Bumba-meu-boi remontem à primeira metade do século XIX, suas raízes são ainda mais antigas, resultado da fusão entre memórias afro-brasileiras, indígenas e católicas.
“Já que o escravizado não podia trazer nada de material, trazia tudo na memória. Então, a religiosidade e os ritos eram reinventados aqui”, explica Carlos Benedito, da UFMA.
O sincretismo religioso é central para a tradição: as festas coincidem com datas como São João, São Pedro e São Marçal, e cultuam também entidades das religiões de matriz africana.
Diversidade e devoção
A produção mostra os diferentes sotaques do boi — zabumba, matraca, baixada, orquestra e costa de mão — e histórias pessoais, como a de Arcangelo Reis, que criou o Boi Anjo do Meu Sonho após uma visão espiritual:
“Para mim, largar esse boi, só depois que Deus me levar”, diz o brincante.
Além do aspecto religioso e cultural, o boi movimenta a economia criativa: costureiros, músicos, pintores e vendedores dependem das festividades para garantir renda. É o caso da artesã Géssica Tavares, que personaliza matracas e camisetas:
“Tenho vendido tanto para turistas quanto para pessoas daqui que valorizam a nossa cultura”, conta.







