O maestro Filipe Kochem, regente da Orquestra Maré do Amanhã, venceu a categoria música erudita do Prêmio Maestro Guerra-Peixe de Cultura, principal reconhecimento artístico de Petrópolis e da Região Serrana do Rio de Janeiro. A premiação veio pela turnê internacional realizada em 2024, marcada por apresentações em importantes salas de concerto no exterior e celebrada pela sua importância para a difusão da música clássica e para a projeção do trabalho social e artístico desenvolvido pela orquestra.
A conquista foi anunciada durante cerimônia realizada no dia 11 de novembro, no Teatro Afonso Arinos, no Centro de Cultura Raul de Leoni, em evento que reuniu artistas, produtores e representantes culturais.
“A turnê internacional mostrou o quanto a música pode criar pontes entre realidades distintas. O reconhecimento reforça a responsabilidade de continuar ampliando o alcance da Orquestra Maré do Amanhã”, afirmou.

A 16ª edição do prêmio recebeu 120 projetos inscritos, todos realizados em 2024. Desse total, 42 foram indicados após a análise de jurados especializados, que avaliaram os trabalhos sob critérios técnicos e artísticos. Esses projetos disputaram 12 categorias que contemplaram música popular, música erudita, teatro, dança, literatura, artes visuais, audiovisual, comunicação, produção cultural, novos talentos, ações periféricas e notório reconhecimento.
Para Kochem, o prêmio simboliza não apenas uma conquista pessoal, mas também o fortalecimento de iniciativas que unem arte, educação e transformação social.
“Quando vemos nossos jovens chegando a lugares que jamais imaginaram, percebemos que a música não é apenas arte, é oportunidade e mudança de vida”, destacou o maestro.
Vencedores da 16ª edição do Prêmio Maestro Guerra-Peixe de Cultura:
Música Erudita
Filipe Köchem – Turnê Internacional 2024
Música Popular
Monica Campos – Clara – 40 Anos de Saudade
Teatro
Satura Companhia de Teatro – Jorge, O Santo Guerreiro
Dança
Daniela Aubaut – No coração da Mata Atlântica
Artes Visuais
Claudia Schloemann – Exposição IMAGO
Literatura
Luiza Rosa Pessôa – Arte em Debate reflexões contemporâneas
Audiovisual
Lina Maria Fugita – Canção Para Deoclécio
Comunicação
Acontece em Petrópolis
Produção Cultural
Chen Li Cheng – Segundo Arraiá da Inclusão
Novos Talentos
Elenco do espetáculo Rainha do Quariterê, do Brasil e do mundo
Ações Periféricas
Isnard de Maracajá – Cineclube Rural Paula
Notório Reconhecimento
Arthur Varella
SOBRE A ORQUESTRA MARÉ DO AMANHÃ
Em 2025, a Orquestra Maré do Amanhã celebra 15 anos de uma trajetória marcada pela arte, educação e transformação social. Criada no Complexo da Maré, um dos maiores e mais violentos conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, a iniciativa democratiza o acesso ao ensino de música, oferecendo uma oportunidade concreta de futuro para milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Até hoje, mais de 17 mil pessoas foram impactadas diretamente pela OMA.
O projeto nasceu de uma tragédia pessoal. O jornalista Carlos Eduardo Prazeres criou a orquestra após o seu pai, o maestro português Armando Prazeres, ter sido sequestrado e brutalmente assassinado no Rio de Janeiro, em 1999. As investigações policiais apontaram que o crime foi cometido por um morador da Maré. Em vez de reagir com revolta, Carlos Eduardo escolheu a música como resposta.
Com atuação em 30 escolas públicas da Maré e uma sede própria desde 2018, a Orquestra mantém hoje oito núcleos artísticos, incluindo a premiada Camerata Jovem (eleita Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prêmio Profissionais da Música), além de duas orquestras mirins, grupos intermediários e avançados, corais infantis e juvenis, e um núcleo de musicalização infantil. O projeto se expandiu ainda para o Norte do país, com dois núcleos ativos em Porto Trombetas, distrito de Oriximiná (PA), onde ensina música em comunidades ribeirinhas e quilombolas.
A Orquestra Maré do Amanhã foi declarada Património Cultural Imaterial do Rio de Janeiro, em 2023. Mais um grande feito que se junta a tantos outros como as turnês na América do Sul e na Europa; as apresentações para o Papa Francisco, no Vaticano, em 2017 e 2024; o concerto no Réveillon de Copacabana, com Anitta, para 2,5 milhões de pessoas; o desfile no Sambódromo com a bateria da Escola de Samba Beija-Flor em 2016; e a participação no Palco Favela do Rock in Rio 2019, tocando clássicos do rock nacional e internacional. Em 2018, a história da orquestra foi retratada no documentário “Contramaré”, dirigido por Daniel Marenco.
Em 2024, a Orquestra beneficiou diretamente 4.407 crianças e jovens, sendo 85% pretos e pardos. A faixa etária predominante é de 4 a 7 anos, refletindo a aposta na educação musical desde a infância. Ao considerar os efeitos sobre os agregados familiares, o impacto indireto alcançou no ano passado mais de 12 mil pessoas, em uma comunidade com 140 mil moradores.







