O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping realizaram, na noite desta segunda-feira (11), uma conversa telefônica de cerca de uma hora, marcada pelo compromisso de ampliar a cooperação econômica entre Brasil e China e pela preocupação com a nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra parceiros comerciais.
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi destacou que Pequim pretende fortalecer a “unidade e autossuficiência” entre os principais países do Sul Global, defendendo um mundo mais justo e sustentável. O líder chinês criticou abertamente o unilateralismo e o protecionismo, convocando as nações em desenvolvimento a se mobilizarem pela preservação de seus direitos e pela equidade nas relações internacionais.
O diálogo reforçou pontos de convergência no âmbito do G20 e do Brics, sobretudo na defesa do multilateralismo e na construção de consensos entre países emergentes. Lula e Xi reafirmaram a Parceria Estratégica Global, a mais alta categoria diplomática nas relações bilaterais, e celebraram avanços conjuntos em programas nacionais de desenvolvimento. Ambos se comprometeram a expandir a cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e tecnologia espacial.
O tarifaço de Trump e os reflexos para o Brasil
O encontro virtual ocorreu em meio ao agravamento da guerra comercial iniciada em abril pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Naquele momento, Washington aplicou tarifas diferenciadas com base no déficit comercial com cada país, impondo ao Brasil uma taxa inicial de 10%. No entanto, em julho, a alíquota foi elevada para 50% como retaliação a medidas que, segundo Trump, prejudicariam empresas de tecnologia norte-americanas e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
As novas tarifas, em vigor desde 6 de agosto, afetam 35,9% das mercadorias brasileiras vendidas aos EUA, equivalentes a 4% do total das exportações nacionais. O governo federal prepara um plano de contingência para mitigar o impacto, com previsão de concessão de crédito e ampliação de compras governamentais para setores mais atingidos.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a abertura de novos mercados é prioridade da política comercial do governo. Ele lembrou que, nas décadas passadas, as vendas para os EUA representavam um quarto das exportações brasileiras, participação que hoje caiu para 12%.
Agronegócio e clima também na pauta
Durante a conversa, Lula abordou temas específicos, como a retomada das exportações de pés de frango para a China, após a suspensão motivada por focos de gripe aviária no Brasil. O país asiático, maior comprador global de carne de frango brasileira, havia interrompido as compras até a recente reclassificação do Brasil como livre da doença.
Os dois líderes também trocaram impressões sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, em busca de soluções diplomáticas para um conflito que já se arrasta há mais de três anos.
Por fim, Lula convidou Xi para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro deste ano, em Belém (PA). Segundo a Presidência brasileira, o líder chinês garantiu que enviará uma delegação de alto nível e trabalhará em conjunto com o Brasil para garantir o sucesso do evento.







