Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (3), no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que o governo está discutindo alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou a proposta inicialmente como uma tentativa de “reparo” imediato, mas a medida segue sendo debatida com líderes do Congresso.
“O Haddad, no afã de dar uma resposta logo à sociedade, apresentou uma proposta que ele elaborou na Fazenda. Se houve uma reação de que há outras possibilidades, estamos discutindo”, afirmou o presidente, explicando que o anúncio foi feito em uma sexta-feira para dar uma sinalização rápida, mas sem tempo hábil para aprofundar a discussão.
Lula também antecipou que uma nova proposta do governo será apresentada ainda hoje, antes de sua viagem à França. “Às 13h vai ter um almoço na minha casa, com todas as pessoas que estão participando dessa discussão, para a gente saber se o acordo está feito ou não”, declarou.
O presidente ressaltou a importância do diálogo com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, além de líderes do governo nas duas Casas. “Se aparece alguém com uma ideia melhor e ele topa discutir, vamos discutir. Essa é a prática política que nós temos que aprender a fazer”, pontuou.
Lula enfatizou que o esforço da equipe econômica busca “dar tranquilidade ao povo brasileiro”, lembrando que “a economia não tem mágica”. “Quem pensa que tem mágica quebra a cara”, disse.
Contexto da crise
O governo federal tem 10 dias, segundo prazo dado pelo Congresso Nacional, para apresentar uma alternativa ao aumento das alíquotas do IOF, medida inicialmente proposta para reforçar o caixa em até R$ 41 bilhões até 2026. Entretanto, a elevação gerou forte reação de entidades empresariais, que alertaram para possíveis prejuízos à economia, como inibição de investimentos e elevação de custos.
Após as críticas, o governo revogou parte dos aumentos horas após a publicação do decreto, no dia 22 de maio. Agora, busca alternativas para cumprir as metas fiscais e evitar o desgaste político.
O ministro Fernando Haddad se reuniu no fim de semana com os presidentes das duas Casas para articular uma saída. Além do congelamento de R$ 31,3 bilhões do Orçamento de 2024, o governo incluiu novos setores no tributo.
Parlamentares, contudo, defendem medidas mais estruturais, como cortes de gastos, mudanças nos pisos da saúde e educação e a desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o Parlamento está disposto a aprovar medidas “antipáticas”, mas que sejam eficazes para cumprir o arcabouço fiscal.
Agora, governo e Congresso tentam construir uma solução que equilibre responsabilidade fiscal e crescimento econômico.







