Ludmilla encerrou neste fim de semana um dos capítulos mais marcantes de sua carreira. A cantora de 30 anos subiu ao palco do Riocentro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para as duas últimas apresentações da turnê Numanice #3, projeto que a consagrou como um dos grandes nomes do pagode contemporâneo. Com ingressos esgotados para o sábado (26), uma data extra foi aberta no domingo (27) para atender à alta demanda dos fãs também com ingressos esgotados.
Mais do que uma despedida, o show de sábado se transformou em um tributo emocionante a Preta Gil, que faleceu no último domingo (20) após lutar contra um câncer no intestino.

Um dia após o velório da artista, Ludmilla dedicou a noite à amiga e convidou Ana Carolina — compositora do clássico “Sinais de Fogo” — para um dueto comovente. Imagens antigas das duas artistas juntas iluminaram os telões enquanto o público, saudoso, acompanhava em uníssono cada verso da canção.
“Esse Numanice é em homenagem a você, minha gloriosa e amada, Preta Gil!”, dizia a mensagem projetada no palco.
A homenagem reverberou nas redes sociais. “Ela sempre esteve aqui. Nos bastidores, no palco, no coração do Numanice”, escreveu Ludmilla. Ana Carolina também se pronunciou: “Te amo pra sempre, Pretinha! Obrigada por esse momento, Lud!”.
O impacto do “Numanice” no cenário musical

Lançado em 2020, o projeto Numanice representou um divisor de águas na carreira de Ludmilla. Ao mergulhar no pagode com uma abordagem contemporânea e sensível, a cantora conquistou público e crítica, promovendo um novo olhar sobre o gênero. O êxito do EP inicial abriu caminho para gravações ao vivo e aclamadas turnês — entre elas, os registros de Numanice: Ao Vivo (2021) e Numanice 2 (2022), este último premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode.
A terceira edição da série consolidou ainda mais o projeto como uma força cultural. Com 26 apresentações realizadas entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Numanice #3 passou por capitais brasileiras e chegou a palcos internacionais, como Lisboa e Miami, expandindo o alcance da música brasileira para novos territórios.
Para Ludmilla, o Numanice vai muito além dos hits ou palcos lotados. “A gente rompeu barreiras, deu visibilidade a artistas emergentes, movimentou comunidades. Foram toneladas de alimentos arrecadados, centenas de empregos gerados… Isso ultrapassa qualquer métrica comercial”, afirmou a cantora ao Gshow. Segundo ela, enquanto houver conexão com o público, o projeto seguirá vivo — mesmo que em pausas espaçadas. Afinal, como ela mesma resume, o Numanice não é só um show: é um movimento.
Nova fase: R&B e mercado internacional
Apesar do fim da turnê, Ludmilla não pretende descansar. Ela embarca nos próximos dias para os Estados Unidos, onde inicia a produção de seu próximo álbum, desta vez totalmente voltado ao R&B — um gênero que sempre esteve entre suas referências e paixões.
“Estou completamente mergulhada na produção, trabalhando com produtores que são referência no R&B mundial. Também estou aproveitando o tempo com minha filha Zuri e minha esposa Brunna, que são minha base em tudo”, revelou.
Além da maternidade, Lud divide os bastidores com Brunna Gonçalves, que esteve presente no show de despedida com sua marca própria inserida no evento. As duas celebram a chegada da pequena Zuri, de dois meses, enquanto lidam com a intensa rotina de shows, gravações e compromissos públicos.
Um legado em construção
A despedida do Numanice não marca um fim, mas sim uma transição. Com uma trajetória que atravessa o pop, o pagode e agora se projeta no R&B internacional, Ludmilla reafirma sua versatilidade e visão de futuro.
“Cada cidade me recebeu com tanto amor… Encerrar esse ciclo me dá confiança para começar uma nova era. O Numanice vive em mim pra sempre.”
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Se o passado recente foi de inovação e reconhecimento, o futuro de Ludmilla promete ser ainda mais ousado — e global.







