O Dia Nacional do Livro, comemorado nesta quarta-feira (29), vai além da celebração literária: é um convite para refletir sobre o poder transformador da leitura desde a infância. Para o presidente da Biblioteca Nacional (BN), Marco Lucchesi, o hábito de ler ajuda a formar não apenas mentes curiosas, mas também corações empáticos.
“Uma infância que começa com o impacto da leitura aprende a ler o mundo dos livros — e o livro do mundo”, afirmou Lucchesi. Segundo ele, o contato precoce com a literatura desenvolve a imaginação, a criatividade e, principalmente, a capacidade de se colocar no lugar do outro. “A criança começa a compreender outras formas de vida, de afeto e de organização do mundo. É assim que nasce a empatia.”
A data marca também o aniversário de 215 anos da Biblioteca Nacional, fundada em 29 de outubro de 1808. “O livro amplia a sensibilidade, o intelecto e o espírito. Ele forma um adulto mais generoso, mais fraterno, mais aberto ao mundo”, disse Lucchesi.

Leitura como instrumento de transformação
A Casa da Leitura, unidade da BN voltada à formação de novos leitores, reforça essa missão. Localizada em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o espaço promove atividades literárias para crianças e jovens, estimulando o contato direto com o universo dos livros.
A BN também lançou recentemente uma iniciativa pioneira: bibliotecas em hospitais, começando pelo Hospital Universitário Antonio Pedro, da Universidade Federal Fluminense. O objetivo é aplicar a biblioterapia, usando o livro como ferramenta terapêutica para pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde.
“Queremos humanizar os espaços e tornar a espera mais leve com o poder da leitura”, explicou Lucchesi. Outra ação prevista para 2025 levará livros a adolescentes em unidades socioeducativas, ampliando o acesso à literatura em contextos diversos.

O papel do livro na formação crítica
Para Godofredo de Oliveira Neto, professor e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), o livro é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. “Ele conduz a um mundo mais humanista e crítico. Não é um capricho, é algo essencial”, afirmou.
O professor destacou ainda a importância do livro impresso, citando o exemplo da Suécia, que voltou a adotar o formato tradicional após tentar substituí-lo por versões digitais. “O livro em papel sobrevive porque ele é insubstituível na formação cultural e emocional das pessoas.”
O presidente da ABL, Merval Pereira, reforçou a ideia de que a leitura é um ato de transformação. “Com o livro, as crianças exploram a imaginação e aprendem sobre inclusão e diálogo. É nosso dever facilitar o acesso aos livros desde cedo.”
Rio, capital mundial do livro
O Rio de Janeiro, eleito pela Unesco como Capital Mundial do Livro 2025, dá um novo significado à celebração deste ano. Para Hubert Alqueres, vice-presidente da Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) e curador do Prêmio Jabuti, a escolha simboliza o reconhecimento da literatura brasileira como ferramenta de formação e resistência cultural.
“Para as crianças, a leitura forma o vocabulário e a sensibilidade. Para os jovens, amplia horizontes. E para os mais velhos, é companhia e refúgio. O livro acompanha a vida inteira”, destacou.
Neste 29 de outubro, o Brasil celebra não apenas um objeto, mas um símbolo de liberdade, imaginação e empatia — valores que, segundo Lucchesi, “fazem da leitura o mais humano dos atos”.







