O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou, neste sábado (3), o ataque militar realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como uma “violão flagrante da soberania nacional e da integridade territorial” do país sul-americano. A posição oficial foi divulgada em comunicado assinado pelo chanceler iraniano, Abas Araghchi, e publicado nas redes oficiais do governo de Teerã.
Aliado político e estratégico da Venezuela, o Irã solicitou uma atuação imediata do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para conter o que chamou de “agressão ilegal” e para que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados no âmbito do direito internacional.
O posicionamento ocorre após os Estados Unidos confirmarem um ataque militar ao território venezuelano na noite de sexta-feira (2), operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A ação intensificou ainda mais as tensões geopolíticas na América Latina e reacendeu críticas de países alinhados a Caracas sobre intervenções estrangeiras na região.
Acusações e disputa política
Washington justificou a ofensiva acusando Maduro de liderar um suposto “narcoestado” e de ter fraudado as eleições presidenciais realizadas no ano passado. Segundo o governo norte-americano, o pleito teria sido vencido pela oposição com ampla vantagem, tese reiterada por setores contrários ao chavismo.
Nicolás Maduro, que assumiu a presidência em 2013 após a morte de Hugo Chávez, sempre rejeitou as acusações e afirmou, em diversas ocasiões, que os Estados Unidos buscam controlar as reservas de petróleo da Venezuela — consideradas as maiores do mundo.
Apesar da ofensiva militar, a estatal venezuelana PDVSA informou que a produção e o refino de petróleo seguiram operando normalmente neste sábado. De acordo com uma avaliação preliminar de duas fontes com conhecimento direto das operações, as principais instalações da empresa não sofreram danos significativos em decorrência dos ataques.
O episódio amplia o isolamento diplomático dos Estados Unidos junto a aliados de Caracas e deve provocar novos desdobramentos no cenário internacional, especialmente no âmbito das Nações Unidas.







